SUSTENTABILIDADE

Comunidade dos Pequenos Profetas: telhado verde ajuda a democratizar alimentação saudável a jovens da periferia do Recife

Desde 2016, Telhado Eco Produtivo ensina educação ambiental e sustentabilidade aos 400 atendidos da instituição

Katarina Moraes
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Katarina Moraes
Publicado em 01/05/2022 às 9:00
Alexandre Aroeira/JC Imagem
O que é produzido é consumido na própria ONG, que fornece café da manhã e almoço de segunda a sexta a jovens das redondezas. O restante é doado a comunidades - FOTO: Alexandre Aroeira/JC Imagem
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A paisagem cinza que toma conta do Bairro de São José, no Centro do Recife, é interrompida pelos 400 metros de cor de esperança que há no alto do antigo casarão 110, na Avenida Sul, onde a Comunidade dos Pequenos Profetas (CPP) está abrigada. No Telhado Eco Produtivo da instituição, acontece mais que a semeadura de alimentos, mas de vidas.

O cultivo de hortaliças e verduras é feito junto aos cerca de 400 jovens que passam pela CPP durante o ano. Durante o processo, são ensinados educação ambiental e sustentabilidade, além de como plantar em casa. Tudo que é produzido é consumido na própria ONG, que fornece café da manhã e almoço de segunda a sexta aos assistidos, e o restante é doado para as comunidades do entorno ou vendido em ferinhas.

A iniciativa, que surgiu em 2016, conta ainda com uma cozinha-apoio para aulas de gastronomia orgânica e alimentação saudável. O telhado tem tecnologia japonesa e sistema de irrigação automático, além de 26 painéis solares que ajudam a reduzir os gastos na energia elétrica.

A ideia veio do fundador da CPP, Demetrius Demetrio, após uma série de arrombamentos serem feitas pelo telhado da instituição sem fins lucrativos, gerando um prejuízo de mais de 47 mil reais.

No último andar também funciona o projeto hortas verticais, onde são cultivados pimentão, tomate-cereja, alface, coentro, hortelã e outras hortaliças em garrafas pets retiradas do Rio Capibaribe. Desde o início, em 2010, mais de 8 toneladas de lixo foram recolhidas pelo projeto. Um trabalho comandado pelos educadores Lauro Rodrigues e Carlos André Barbosa.

Alexandre Aroeira/Jc Imagem.
Carlos André Barbosa, 44 anos, é ex-assistido da CPP - Alexandre Aroeira/Jc Imagem.

Carlos, um ex-assistido da CPP, tem a oportunidade de ajudar muitos jovens a também enxergarem ali a oportunidade de mudança de vida. “Fui abandonado aos 10 anos e vivia nas ruas do Centro quando entrei na instituição. Hoje sirvo de exemplo para outros meninos, porque tenho a experiência de ter passado pela mesma situação que eles e eles veem que podemos ajudá-los. É satisfatório”, contou ele.

Alexandre Aroeira/JC Imagem
O que é produzido é consumido na própria ONG, que fornece café da manhã e almoço de segunda a sexta a jovens das redondezas. O restante é doado a comunidades - Alexandre Aroeira/JC Imagem
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O que é produzido é consumido na própria ONG, que fornece café da manhã e almoço de segunda a sexta a jovens das redondezas. O restante é doado a comunidades - Alexandre Aroeira/JC Imagem
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O que é produzido é consumido na própria ONG, que fornece café da manhã e almoço de segunda a sexta a jovens das redondezas. O restante é doado a comunidades - Alexandre Aroeira/JC Imagem
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O que é produzido é consumido na própria ONG, que fornece café da manhã e almoço de segunda a sexta a jovens das redondezas. O restante é doado a comunidades - Alexandre Aroeira/JC Imagem
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O que é produzido é consumido na própria ONG, que fornece café da manhã e almoço de segunda a sexta a jovens das redondezas. O restante é doado a comunidades - Alexandre Aroeira/JC Imagem
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O que é produzido é consumido na própria ONG, que fornece café da manhã e almoço de segunda a sexta a jovens das redondezas. O restante é doado a comunidades - Alexandre Aroeira/JC Imagem

Conheça a CPP

Este é apenas um dos tantos projetos tocados pelos Pequenos Profetas. De segunda a sexta-feira, das 7h às 15h, são promovidas no local oficinas de esportes, de corte de cabelo, de percussão, de meditação, de gastronomia e de produção de hortas, contação de histórias e atendimento psicossocial e jurídico.

Tudo feito de forma gratuita para moradores das comunidades do Coque, Coelhos, Joana Bezerra e da Ilha do Leite e para pessoas em situação de rua.

As mães dos assistidos não ficam de fora. Para elas são oferecidas oficinas de produção de vasos em papel machê, de compostagem e de costura - vendidas in loco e em feiras locais, revertendo o lucro para as produtoras. “Eu era diarista, agora trabalho com compostagem. É muito bom. Todo dia é essa alegria”, conta Rosana Lessa, de 55 anos, que há um ano frequenta a sede.

A CPP é composta por nove funcionários - entre psicóloga, gastrônomo, cozinheira, motorista, pedagoga, nutricionista e cineasta - e cinco voluntários, comandados pelo fundador da instituição, Demetrius Demétrio. Até então morador do Plano Piloto, área mais nobre do Distrito Federal, ele foi confrontado com a pobreza pela primeira vez ao chegar no Recife, aos 15 anos. Ali, enxergou sua vocação.

“Nossa missão é essa: tentar reescrever uma nova história de sucesso através de projetos educativos . As pessoas pensam que é fácil para esses jovens terem uma alternativa, mas uma pessoa abandonada desde pequena não consegue mudar do dia para a noite. É um processo muito lento, que se não for através da educação, não há um impacto”, contou o empreendedor social e gastrônomo.

Alexandre Aroeira/Jc Imagem.
Fundador da Comunidade dos Pequenos Profetas (CPP), Demetrius Demetrio - Alexandre Aroeira/Jc Imagem.

Desde pequeno, Lucas Henrique Lucena, de 20 anos, frequenta o espaço - e adora. “Eu achei aqui muito bom desde que cheguei. Brinco, jogo bola, vou para passeios, para a praia”, disse ele, que vive em situação de rua e tem como atividades preferidas a “pelada” com os colegas, as aulas de desenho e a produção da horta.

A luta pela captação de recursos

“Está difícil”, respondeu Demetrius quando questionado sobre como mantém o espaço. Desde a pandemia, o funcionamento da CPP teve horário reduzido pela diminuição das doações. São necessários R$ 30 mil por mês para realizar suas várias atividades - desses, 40% são captados por conferências feitas por ele ao redor do mundo, que têm todo valor destinado à CPP. O restante vem de financiamento internacional e de doações. “É uma luta para conseguir”, afirmou.

“Tentamos diminuir todos os nossos custos, com 26 placas solares e poços artesianos. Muito da nossa comida é produzida por nós mesmos. Empresas privadas fazem doações de alimentos e de roupas. Autoridades do mundo inteiro vêm nos visitar, temos muito reconhecimento fora, mas não aqui”, disse.

Como ajudar a Comunidade dos Pequenos Profetas

As empresas podem apoiar pequenos projetos de impacto da CPP, fazendo parcerias e convênios, promovendo ações de impacto, apoiando as cooperativas, com cursos ou patrocinando cursos com doação de matérias primas e de serviços, apresentando ideias de negócio social. Basta entrar em contato pelo instagram @pequenos_profetas ou pelo telefone/whatsapp (81) 98863-7718 e marcar uma reunião com o gestor, Demetrius Demetrio.

Doações de alimentos, roupas e utensílios podem ser deixados na sede da CPP (Av. Sul Gov. Cid Sampaio, 110 - São José, Recife - PE). Para doações financeiras, confira os dados para transferência ou depósito: 

PIX
12 861 514 0001 10 (CNPJ)

Banco Bradesco S/A
Comunidade dos Pequenos Profetas
Agência 3208 e conta 99453-7

Código Swifit
BBDEBRSPRCE

Número Iban
BR9360746948032080000994537C1

 

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