Eleições

De Débora Dantas ao ex-jogador Carlinhos Bala: partidos estão de olho em figuras de repercussão

Vítima de um acidente de kart, Débora Dantas, quer ser candidata a vereadora do Recife para ajudar pessoas que passaram por traumas em acidentes e não tiveram assistência

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Publicado em 03/03/2020 às 20:28
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Presidente estadual do PSB, Sileno Guedes ressalta a força e garra de Débora Dantas - FOTO: Reprodução / Instagram
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Vítima de escalpelamento em um acidente de kart, em agosto de 2019, a jovem Débora Dantas, revelou ter pretensões de ingressar na política para ajudar outras pessoas que atravessaram por situação semelhante ao seu caso e não obtiveram assistência adequada. Ela, deverá se filiar ao PSB até o fim deste mês para se candidatar ao cargo de vereadora na Câmara do Recife. A conversa com o partido foi realizada, nesta segunda-feira (2), durante o encontro com o presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, segundo a estudante e o seu namorado, Eduardo Tumajan. 

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“Infelizmente, vivemos um momento de desistências, as pessoas não veem a política como solução. A política tem sido desacreditada e as pessoas fazem julgamentos antecipados”, declarou a jovem. Segundo Débora, essa seria uma forma dar voz para aquelas pessoas que passaram por acidentes graves e não tiveram condições de ir atrás dos seus direitos e ter um suporte qualificado. “Os brinquedos que tem na cidade, eu tenho uma visão mais crítica, porque não tem fiscalização adequada. Estou estudando esse projeto, é um processo longo e a luta tem que ser bem firme. Acredito nas pessoas e na humanidade”, revelou ao JC.

Esta não é a primeira vez que partidos políticos buscam filiar em seus quadros pessoas que tenham alguma notoriedade pública. Mãe de Beatriz Angélica Mota, assassinada em 2015, na cidade de Petrolina, Lucinha Mota se filiou ao PSOL e se candidatou a deputada estadual em 2018, mas não foi eleita. Hoje, Lucinha é vice-presidente da sigla, em Petrolina, e tem como principal pauta a Segurança Pública.

Na área de esportes, também é comum ver atletas e ex-atletas se aproximarem da política com foco nas eleições. Em 2014, o ex-goleiro do Sport Magrão, foi convidado pelo ex-governador Eduardo Campos para se filiar ao PSB, mas não chegou a disputar nenhum cargo eletivo. Em 2016, ele migrou para o PSC e também não concorreu às eleições municipais.

O ex-jogador Carlinhos Bala também demonstrou interesse em política e se filiou ao PP onde pretende pleitear uma vaga na Câmara Municipal do Recife. “Quero proporcionar mais oportunidades para os jovens, combater o desemprego e ampliar meu projeto social na comunidade de San Martin, para que ele possa crescer e atender a todo Recife, levando o esporte como um importante aliado na saúde, educação, ocupando os jovens e trabalhando a questão social e psicológica dessas crianças e adolescentes”, declarou o pré-candidato.

A nível federal, também há espaços para as celebridades. O deputado federal Francisco Everardo Oliveira (PL-SP), conhecido nacionalmente como Tiririca, chegou a desistir da reeleição por estar “decepcionado” com a Câmara Federal, mas voltou a atrás. Ele foi eleito por São Paulo, com 445.521 mil votos. 

Mudanças nas regras eleitorais

Acontece que, neste ano, com as mudanças nas regras eleitorais não será mais permitida os partidos formarem coligações. Isso quer dizer que, um partido não poderá se beneficiar através dos chamados “puxadores de votos” de outras legendas. Para o cálculo do coeficiente eleitoral que estabelece o número de vagas que cada partido terá direito, só será levado em consideração os votos de seus próprios candidatos.

Os principais objetivos do Congresso ao aprovar o fim das coligações seriam desestimular a criação e manutenção das chamadas legendas de aluguel – partidos usados no passado por siglas maiores para turbinar seu quociente partidário – e acabar com o “efeito Tiririca”, quando a votação expressiva um candidato ajuda a eleger outros da mesma coligação. Eleito em 2014 com mais de 1 milhão de votos, o deputado federal Tiririca (PL) levou para a Câmara outros cinco candidatos.

“As pessoas, inclusive candidatos a vereador, não compreendem que a partir desse ano não haverá coligação proporcional nem o mecanismo da cláusula de barreira. Ele (o candidato) não poderá coligar e, dentro do partido, quem não fizer 10% do quociente eleitoral em sua cidade, mesmo que o partido alcance uma vaga, ele não entra. Não adianta colocar um candidato Tiririca, que vai ter um milhão de votos, para conquistar 4 ou 5 vagas, se dentro do partido só tiverem dois ou três que atingirem a cláusula de barreira”, explicou o diretor geral do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), Orson Lemos.

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