ELEIÇÕES 2020

Túlio Gadêlha faz críticas a direção estadual do PDT

O deputado federal Túlio Gadêlha criticou, em entrevista coletiva, a gestão de Wolney Queiroz à frente da direção estadual do PDT

Angela Fernanda Belfort
Angela Fernanda Belfort
Publicado em 09/03/2020 às 22:02
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FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
O deputado federal Túlio Gadelha se posiciona sobre a sua pré-candidatura a prefeito da cidade do Recife pelo PDT. - FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
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Depois de não conseguir ser eleito, na semana passada, para representar a liderança da minoria pelos seus colegas do PDT na Câmara dos Deputados, Túlio Gadêlha (PDT), em entrevista coletiva, disse na tarde desta segunda-feira (9) que está “refém” do seu partido e listou pelo menos quatro condições para continuar como pré-candidato à Prefeitura do Recife. Uma delas é o PDT deixar de fazer parte da administração do prefeito Geraldo Júlio (PSB) para “evitar constrangimentos”. Ainda no mesmo evento, o parlamentar afirmou que uma parte dos seus correligionários está insatisfeita com a condução local da legenda e fez “críticas graves” ao presidente estadual do Partido, Wolney Queiroz.

“Há seis anos, Wolney é presidente do PDT pernambucano e não fez sequer uma reunião da executiva estadual. Sou membro da executiva estadual há seis anos. Um líder de um partido democrático precisa reunir a executiva estadual, porque é assim que se faz um partido orgânico”, argumentou, defendendo que o partido além de reuniões deve estar em contato com os movimentos que representam os negros, as mulheres, a juventude e áreas específicas, como por exemplo, a educação. “Um partido que não é orgânico não consegue eleger um presidente da República”, disparou. O deputado defendeu a candidatura de Ciro Gomes a presidente em 2022.

A parte do PDT descontente integra o coletivo Recife em Frente e inclui vários futuros candidatos a vereadores que migraram para a legenda apostando na popular candidatura de Gadêlha à Prefeitura do Recife.

Depois de se dizer “refém” da legenda, Túlio argumentou que é “o partido que viabiliza a estrutura da campanha eleitoral, a construção das alianças, a nomeação das direções partidárias municipais e estaduais”.

As pré-condições solicitadas por Túlio Gadêlha ao PDT deixam a sua futura pré-candidatura mais difícil de se concretizar. Primeiro, o grupo político de Wolney Queiroz tem ligações antigas com a gestão socialista que comanda a Prefeitura do Recife e o governo do Estado desde a época de Arraes. Ou seja, vai ser difícil a direção do PDT aprovar a saída de Isabella de Roldão da secretaria de Habitação municipal. Em 2018,o grupo político de Wolney apoiou a reeleição de Paulo Câmara, mesmo o PDT tendo decidido apoiar outro candidato. A saída do PDT deveria ocorrer até a próxima sexta-feira (13), de acordo com o parlamentar.

As demais pré-condições de Gadelha são: a instauração de uma comissão provisória do PDT no Recife até esta quinta-feira (12); acesso a senha do sistema de filiação partidária (filiaweb) até o dia 19 “para trazer quem considera importante para esse projeto” e a realização de uma convenção municipal do PDT até o dia 28 de março. “Se esses pleitos não forem atendidos, não disputaremos a pré-candidatura no Recife”, contou Túlio.

Nos cálculos dele, uma chapa proporcional deveria disputar com pelo menos 60 pré-candidatos a vereador. O pedido da liberação da senha seria para filiar mais pré-candidatos a vereador. E a realização da convenção municipal resultaria na nomeação de um diretório municipal que teria dois anos de gestão, dando estabilidade ao projeto da candidatura. Nos partidos, uma comissão provisória municipal pode ser dissolvida a qualquer momento.

“Tenho 12 anos do PDT e encampei esse projeto como do nosso campo político. E trouxemos vários pré-candidatos, como Silvia Siqueira Campos, (que era do PT); Adriana Rocha, que veio da Rede; Rodrigo Bione, do Psol; Rodrigo Patriota, do Psol; Maria do Céu, saiu do Cidadania e também pré-candidatos que não tinham filiação partidária. Temos hoje 25 candidatos com chances reais de conquistar um mandato na Câmara de Vereadores do Recife”, contabilizou Túlio.

Caso Túlio não seja pré-candidato ao cargo máximo da PCR, disse que vai trabalhar para eleger pelo menos três vereadores pelo PDT.

Ainda durante a coletiva, Túlio revelou que o seu grupo político fez a filiação de mais de mil pessoas que foram bloqueadas pela direção estadual do PDT que alegou filiação em massa. “As filiações vinham ocorrendo há mais de seis meses e temos um parecer jurídico da executiva nacional do partido dizendo que não houve filiação em massa.

O presidente estadual do PDT, Wolney Queiroz, disse que as questões citadas por Túlio são de ordem interna do PDT e não deveriam ser discutidas pelo jornal. Túlio já fez parte da gestão socialista no primeiro governo de Paulo Câmara, quando foi indicado por Wolney Queiroz para ser presidente do Iterpe.

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