RIO DE JANEIRO

Morre, aos 56 anos, ex-ministro Gustavo Bebianno

De acordo com o presidente do PSDB-RJ, Paulo Marinho, o ex-secretário geral da Presidência da República foi vítima de um infarto fulminante

Rute Arruda
Rute Arruda
Publicado em 14/03/2020 às 7:08
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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Bebianno estava no seu sítio, em Teresópolis, quando passou mal - FOTO: Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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Morreu na manhã deste sábado (14) o ex-ministro Gustavo Bebianno. Segundo o jornal O Globo, o presidente do PSDB-RJ, Paulo Marinho, informou que Bebianno foi vítima de um infarto fulminante. O ex-ministro era pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro.

O ex-secretário geral da Presidência da República estava em seu sítio em Teresópolis, no estado do Rio de Janeiro, quando comunicou ao seu filho, por volta das 4h30, que estava passando mal. Ele foi ao banheiro para tomar um remédio e, minutos depois, caiu e teve ferimentos na cabeça. Bebianno ainda chegou a ser socorrido para uma unidade de saúde na cidade, mas não resistiu e morreu.

Nas redes sociais, o PSDB lamentou a morte do ex-ministro. "Lamentamos profundamente o falecimento do ex-ministro Gustavo Bebianno. Nossa solidariedade aos familiares e amigos", compartilhou a página oficial do partido. 

Através da conta do PSDB estadual, Paulo Marinho afirmou que "sempre será motivo de orgulho para o PSDB/RJ ter a passagem de GustaVO Bebbiano em sua história".

Primeiro ministro a ser exonerado no governo Bolsonaro

 

Gustavo Bebianno foi o primeiro ministro do governo Bolsonaro a ser exonerado. No dia 18 de fevereiro de 2019, o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, anunciou que o presidente decidiu por exonerar o então secretário-geral da Presidência. O cargo agora é ocupado pelo advogado e major da Polícia Militar do Distrito Federal Jorge Antônio de Oliveira Francisco.

"O excelentíssimo senhor presidente da República Jair Messias Bolsonaro decidiu exonerar nesta data, do cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, o senhor Gustavo Bebianno Rocha. O senhor presidente da República agradece sua dedicação à frente da pasta e deseja sucesso em sua nova caminhada", declarou Rêgo Barros. O motivo para a exoneração, segundo o porta-voz, foi de "foro íntimo" do presidente.

Em 2018, Bebianno foi um dos coordenadores da campanha presidencial do atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Durante entrevista à Rádio Jornal em 2019, o ex-ministro comentou que Bolsonaro, depois de eleito, passou a adotar uma postura ignorante e arrogante, e ainda disse que o presidente estava "perdendo a oportunidade de colocar seu nome na história do Brasil como um grande estadista. "Ele teve uma campanha (presidencial) brilhante. Quebrou paradigmas como, por exemplo, gastos de campanha em nível nacional com recursos muito escassos. Ele gastou para fazer uma campanha em todo o Brasil, um terço daquilo que se gasta para uma campanha de deputado federal. Mas, infelizmente, depois de eleito, o presidente passou a adotar uma postura arrogante e ignorando aqueles que o conduziram à cadeira presidencial", declarou.

Após a polêmica envolvendo uma fala do presidente Jair Bolsonaro, até então filiado ao PSL, sobre o presidente nacional da sigla, Luciano Bivar, Bebianno, que presidiu o partido entre março e outubro de 2018, comentou sobre a possível saída de Bolsonaro do PSL. "Quem melhor definiu essa situação foi o (senador) Major Olímpio. Ele definiu da seguinte maneira: 'se o presidente deixar o PSL, é como uma pessoa que mora sozinha e foge de casa'. Eu sou testemunha de que o PSL abrigou o então candidato à presidente da República Jair Bolsonaro no ano de 2018 com muito carinho, com muita consideração, com muito respeito, e foi assim ao longo dos meses até os dias atuais. O PSL cumpriu, absolutamente, com tudo aquilo que combinou com o então candidato, depois presidente da República, então me parece uma atitude desastrada do presidente", declarou.

Ouça a entrevista na íntegra

Crise no PSL

O ex-ministro foi apontado como pivô da crise que se instaurou no PSL no início de 2019. Uma reportagem da Folha de S.Paulo, publicada no dia 10 de fevereiro de 2019, apontou candidaturas laranjas no partido durante as eleições de 2018, período em que Bebianno presidiu a sigla. Dois dias depois, o então secretário-geral declarou não existia nenhuma crise no governo e que teria falado com o presidente Jair Bolsonaro três vezes naquele mesmo dia.

No dia 13 de fevereiro de 2019, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC) negou a declaração de Bebianno. "É uma mentira absoluta de Gustavo Bebianno que ontem teria falado três vezes com Jair Bolsonaro", disse. No dia 15 do mesmo mês, o presidente e Bebianno se encontraram pela primeira vez após o ocorrido. No dia 18 de fevereiro, Bolsonaro exonerou Bebianno.

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