COVID-19

Ministro da Saúde afirma que casos de coronavírus no Brasil vão aumentar nos próximos dias

Luiz Henrique Mandetta afirmou que curva de aumento de casos pode ser menor se todos colaborarem

Carolina Fonsêca
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Carolina Fonsêca
Publicado em 18/03/2020 às 15:46 | Atualizado em 18/03/2020 às 16:46
FABIO RODRIGUES POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL
Além do ministro da Saúde, outros membros do Ministério participaram do pronunciamento - FOTO: FABIO RODRIGUES POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL
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O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou, durante coletiva de imprensa, realizada na tarde desta quarta-feira (18), que os casos de coronavírus no Brasil devem aumentar no Brasil nos próximos dias. Fazendo uma comparação da curva de aumento de casos com o Monte Everest e montes menores, Mandetta afirmou que o tamanho que esta curva vai tomar depende da colaboração de todos os brasileiros.

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A coletiva de imprensa realizada no Salão Oeste do Palácio do Planalto, em Brasília contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e outros ministros. 

"Alguns países não tiveram sequer a etapa inicial de conhecimento do caso, no caso da China, por exemplo, que abriu com o desconhecido e quando começou a contar os casos já estava no seu terço final da epidemia. Já se sabe que a marcha da epidemia, em outros países, a epidemia vem crescendo e, em um determinado momento, cresce abruptamente. É como se você estivesse andando em um caminho. Tem que andar. Na frente do sistema de saúde está o Monte Everest. Se todos nós formos subir esse monte, muitos não aguentarão. Não teremos estrutura para subir todos. Se conseguirmos não ter um monte tão inclinado, se conseguirmos alargar o pico, os mais frágeis terão dificuldades, sim, mas a caminhada pode ser menos pesarosa que a travessia do Everest. Estamos no pé do monte e o tamanho desse monte depende completamente do comportamento das pessoas, de ter foco no cuidado com as famílias, idosos e estruturas de comportamento", disse. 

O ministro voltou a reforçar a importância do Sistema Único de Saúde (SUS), afirmando que o SUS está presente em todos os municípios brasileiros. "Não há uma cidadezinha, comunidade indígena ou quilombola que não tenha o SUS. Podemos ter dificuldades, mas o SUS vai estar ao lado dos 215 milhões de brasileiros", afirmou. Segundo Mandetta, a vigilância sanitária do Brasil é considerada a que pegou os casos com mais rapidez. 

Comparando números do coronavírus no Brasil e no mundo, Mandetta afirmou que a maioria dos países começou a perder pacientes quando atingiam 80 casos e o Brasil registrou a primeira morte quando se aproximava de 300 casos confirmados. "A qualquer momento poderíamos ter que dar esta notícia. Tivemos o primeiro caso (de morte) quando já tínhamos praticamente 300 casos confirmados. Também sabemos que há muitos casos em paralelo que não estão ainda nas estatísticas. Devemos começar a perceber agora a subida desses números", acrescentou.  

Testes feitos pelos estados

Todos estados brasileiros estão capacitados com equipamentos para realizar os exames nos pacientes com suspeita de coronavírus, segundo o ministro da Saúde. "Acabou remessa de amostra. Estamos trabalhando com a produção máxima de kits, devemos chegar a um milhão de kits. Vamos abrir agora para outras estruturas poderem produzir também e, se tivermos possibilidade de aquisição, adquirir também. Vamos trabalhar com um bom número de kits que nós utilizaremos muito para fazer o diagnóstico nos nossos pacientes mais difíceis, aqueles com mais de 65 anos, e teremos o teste de anticorpo para fazer da população de uma maneira geral para termos uma exata noção da epidemiologia", disse. 

Prevenção

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o coronavírus. Entre as medidas estão:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Ficar em casa quando estiver doente.
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.
  • Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (máscara cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).

  • Para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizado precaução por aerossóis, com uso de máscara N95.

O que é coronavírus?

Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto em 31/12/19 após casos registrados na China.Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa.

A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus. Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1. 

Pandemia

Na quarta-feira (11), a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o novo coronavírus (covid-19) como uma pandemia. Uma doença infecciosa é considerada uma pandemia quando sua disseminação sai do controle e se espalha por uma região geográfica ou mesmo por todo o planeta, afetando uma grande quantidade de pessoas. Mais de 118 mil pessoas foram infectadas em 114 países. Ao todo, mais de 4.300 mortes foram registradas.

Coronavírus pelo mundo

Reportagem em atualização

 

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