Covid-19

"Não sou o dono da verdade. Eu estou vendo o paciente e dizendo o caminho", afirma Mandetta sobre tensão com o Planalto

Mandetta voltou a negar a possibilidade de deixar o governo por vontade própria

Douglas Hacknen
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Douglas Hacknen
Publicado em 03/04/2020 às 20:12 | Atualizado em 03/04/2020 às 21:06
Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados
'Médico não abandona o paciente', diz Mandetta - FOTO: Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), falou em coletiva na tarde desta sexta-feira (3), no Palácio do Planalto, como estava a relação dele com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Com discordâncias públicas entre os dois, Mandetta tentou amenizar a relação entre eles. “Eu não sou o dono da verdade. Eu estou vendo o paciente e estou dizendo esse é o caminho”, comparou.

Crítico do isolamento social defendido por Mandetta e pela Organização Mundial da Saúde, Bolsonaro havia falado em entrevista à Rádio Jovem Pan que estava faltando humildade no ministro. "Mandetta quer fazer muito a vontade dele (no combate ao coronavírus). Pode ser que ele esteja certo. Pode ser, mas está faltando um pouco mais de humildade para ele. Neste momento difícil que o Brasil se encontra, precisamos dele para vencer essa batalha”, disse Bolsonaro.

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Perguntado durante o balanço do coronavírus sobre a resposta do presidente, Mandetta afirmou que não era dono da verdade e, fazendo uma comparação, disse que faz as recomendações ao paciente, mas cabe ao doente acatar ou procurar outra opinião. “Eu estou vendo o paciente e estou dizendo esse é o caminho. É normal você ir no medico e ele dizer 'vou te operar'. Aí você quer ouvir uma segunda opinião. Não temos uma fórmula pronta para esta epidemia.”

O médico ainda citou a atitude de alguns gestores. “Vejo muitos gestores falando 'isso está errado, vamos trabalhar e nos contaminar em bloco'. É uma conduta. Se está certo ou errado cabe ao paciente, que nesse caso é representado pela presidência.”

Popularidade

Quando confrontado com os dados de aprovação, quase duas vezes maior que a do presidente, em relação às atitude tomadas pelo MS em comparação à presidência, Mandetta destacou que a pasta que ele comanda não é uma ilha a parte do governo. Pela experiência adquirida quando foi deputado, o ministro não considerou os dados e declarou que muitas vezes quando se está com a popularidade alta logo após irá ter tentativas de ‘fritura’ pública para manchar o trabalho que foi feito.

Deixar o governo

Mandetta negou a possibilidade de deixar o governo por vontade própria, mesmo com o presidente assumindo publicamente que os dois andam “se bicando há algum tempo”. Bolsonaro declarou também que não vai demitir ninguém no meio da guerra, que o ministro anda extrapolando a hierarquia e finalizou afirmando que “nenhum ministro é indemissível”.

"Quanto a eu deixar o governo por minha vontade, eu tenho uma coisa na minha vida que eu aprendi com os meus mestres: 'médico não abandona paciente, meu filho'. Eu já cansei de terminar plantão, na minha vida, e o plantonista que tinha que chegar para me render, para eu poder ir embora, não aparecer, por problemas quaisquer, e eu ficar 24 horas dentro do hospital", declarou Mandetta na tarde de hoje (3).

China

O chefe da pasta da Saúde, ainda durante a coletiva, questionou os números divulgados pela China e informou que o brasil já pode ter o coronavírus circulando em seu território desde dezembro, tendo em vista o tempo até a comunicação na China. 

"A china fez uma maneira de notificar essa doença muito estranha, muito atípica. Isso ainda vai ter que ser muito bem explicado. Talvez se tivéssemos tidos melhores informações, muitas vidas poderiam ter sido salvas", argumentou o ministro.

"Um pais de 1,5 bilhões de habitantes falar que teve 3 mil óbitos de uma doença como essa, é digno de muitas perguntas", concluiu.

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O que é coronavírus?

Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto em 31/12/19 após casos registrados na China.Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa.

A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus. Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1.

Como prevenir o coronavírus?

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o coronavírus. Entre as medidas estão:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Ficar em casa quando estiver doente.
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com freqüência.
  • Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (mascára cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).

Para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizado precaução por aerossóis, com uso de máscara N95.

Confira o passo a passo de como lavar as mãos de forma adequada

 

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