Exoneração

Bolsonaro exonera diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, "braço direito" de Moro

Exoneração ocorreu a pedido, segundo decreto publicado no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (24); Moro havia dito que pediria demissão caso a exoneração de Valeixo acontecesse

Vanessa Moura
Vanessa Moura
Publicado em 24/04/2020 às 6:21
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DENIS FERREIRA NETTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Maurício Valeixo, exonerado do cargo de diretor-geral da PF - FOTO: DENIS FERREIRA NETTO/ESTADÃO CONTEÚDO
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Nesta sexta-feira (24), o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Leite Valeixo, foi exonerado do cargo. A exoneração ocorreu a pedido, de acordo com decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, e publicado no "Diário Oficial da União" desta sexta.

Confira o documento:

Reprodução/Governo Federal
Diário Oficial da União publicado nesta sexta-feira (24) - Reprodução/Governo Federal

Na última quinta-feira (23), durante o primeiro compromisso oficial do dia, Bolsonaro havia informado a Moro que substituiria o diretor-geral da PF. Segundo informações de colunistas do G1 e da GloboNews, Moro havia dito ao presidente, nesta mesma reunião, que pediria demissão caso Valeixo fosse exonerado. O Ministério da Justiça nega que Moro tenha pedido demissão. Bolsonaro, que também foi questionado sobre o assunto, não se pronunciou.

De acordo com relatos obtidos pelo blog da jornalista Andréia Sadi, o presidente não expôs uma justificativa clara a respeito da exoneração de Valeixo e, para Bolsonaro, o problema na verdade seria o próprio ministro da Justiça.

Maurício Valeixo foi superintendente da Polícia Federal no Estado do Paraná durante a operação Lava Jato, e foi escolhido para assumir o cargo de Diretor Geral da PF em novembro de 2018, antes mesmo de Bolsonaro tomar posse da presidência.

Até o momento, não foi nomeado um substituto para o comando da PF. A intenção agora seria colocar à frente da PF algum nome próximo ao presidente, já que Valeixo era considerado o "braço direito" de Moro na pasta. 

 

Posição das Associações

A Associação de Delegados de Polícia Federal (ADPF) e a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol), divulgaram nota na última quinta, tecendo críticas ao retorno da substituição de Valeixo à pauta do governo. "Essas especulações, infelizmente, prejudicam a estabilidade da Polícia Federal, a sua governança e colocam em risco a própria credibilidade na lisura dos trabalhos da instituição. O problema não reside nos nomes de quem está na direção ou de quem vai ocupá-la. Mas sim, na absoluta falta de previsibilidade na gestão e institucionalidade das trocas no comando", diz o comunicado.

"Nos últimos três anos, a Polícia Federal teve três Diretores Gerais diferentes. A cada troca ou menção à substituição, uma crise institucional se instala, com reflexos em toda a sociedade que confia e aprova o trabalho de combate ao crime organizado e à corrupção." A publicação também solicita que o Congresso aprove os projetos que garantes um mandato por prazo determinado à direção-geral da PF e a automia desta corporação. "Somente tais medidas irão proteger a PF de turbulências e garantir a continuidade do trabalho de qualidade prestados ao Brasil", dizem as entidades.


 

Reprodução/Governo Federal
Diário Oficial da União publicado nesta sexta-feira (24) - FOTO:Reprodução/Governo Federal

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