MEMÓRIA

Em live do PSB Nacional, Eduardo Campos é lembrado como "construtor de pontes"

Homenagem ao ex-governador de Pernambuco aconteceu nesta segunda-feira, dia que completaria 55 se estivesse vivo

Mirella Araújo
Mirella Araújo
Publicado em 10/08/2020 às 21:43
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Foto: Acervo JC Imagem
Eduardo Campos completaria 55 anos nesta segunda-feira - FOTO: Foto: Acervo JC Imagem
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O PSB Nacional realizou uma live nesta segunda-feira para homenagear os 55 anos do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em um trágico acidente aéreo, em 2014, quando concorria à presidência da República. A conversa transmitida pelo Facebook contou com a participação do governador de Pernambuco Paulo Câmara, e do prefeito do Recife, Geraldo Julio, e foi mediada pelo filho do ex-gestor, o deputado federal e pré-candidato a prefeito do Recife, João Campos.

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Durante a transmissão, que durou pouco mais de 1h40, Eduardo foi lembrado como sendo um “construtor de pontes” dentro da política e que acreditava que a educação, a ciência e a tecnologia eram os principais pilares para diminuir a desigualdade social no Brasil. “O Eduardo Campos se tornou político não por ser neto de Miguel Arraes, mas me parece que sua principal qualidade era o talento para a política. Igual ao avô, gostava do povo e do povo que precisa da política. Foi esse talento que fez dele o projeto de estadista que ele estava demonstrando ser, já antes da campanha”, comentou Carlos Siqueira.

O dirigente relembrou do momento em que o então governador de Pernambuco decidiu que seria uma terceira via nas eleições presidenciais. “Ele adiou essa decisão até 2014, mas ninguém tinha dúvidas de que ele seria candidato”, declarou. “Ele era uma pessoa que estava muito além do seu partido e já era admirado pelos brasileiros por saberem fazer uma leitura do futuro do país”, complementou.

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O rompimento com o PT, iniciado formalmente com o lançamento de Geraldo Julio a disputa majoritária do Recife, nas eleições de 2012, que venceu a chapa encabeçada pelo senador Humberto Costa e pelo ex-prefeito João Paulo, também foi um dos pontos retratados durante a conversa. Com a vitória de Geraldo, no primeiro turno, dois anos depois Campos se lançaria candidato à presidência da República ao lado de Marina Silva, como vice.

O ex-deputado federal Beto Albuquerque afirmou que distanciamento com o PT, se deu por discordâncias a respeito dos rumos econômicos que o Brasil enfrentava, na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff - o PSB, inclusive, apoiou o impeachment da petista em 2016. “Fui líder do PSB na Câmara (dos Deputado) em 2013/2014, no momento em que achávamos que deveríamos ter uma candidatura presidencial e o debate que havia, era as discordâncias com os rumos da economia. O mundo andava para um lado e o governo da presidente Dilma, queria insistentemente ir para outro. Era claro e notório que aquilo não daria certo, como infelizmente não deu”, pontuou o socialista.

A quebra da polarização partidária que existia no Brasil até então, entre PSDB e PT, era outro desenho que motivava o ex-governador a trilhar um caminho alternativo. O ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, rememorou uma das conversas que teve com o socialista durante a campanha. “Ele começou a campanha e nós conversávamos esporadicamente. Em uma dessas conversas ele me disse que iria fazer pelo Brasil, o que já fez em Pernambuco. Ele estava em terceiro lugar nas pesquisas, e disse que quando chegasse no dia 20 de agosto, iria ultrapassar Aécio Neves (PSDB), que no segundo turno ele iria disputar com a Dilma e iria ganhar dela. Nós saibamos que ele ganharia”, declarou Rezende.

Para o deputado federal João Campos, o cenário de crise no país é evidenciado pela falta de “grandes construtores de pontes. “Nós vemos o desmonte que é feito nas áreas de ciência e tecnologia, na educação. O que você desmonta hoje, deixa de colher daqui a 10 anos, 20 anos depois. Isso é muito grave. A gente sabe que o desafio imenso da gestão é fazer um crescimento que combata a desigualdade”, afirmou.

Legado em Pernambuco

O governador Paulo Câmara, que foi escolhido por Eduardo Campos para disputar a sucessão estadual em 2014, citou algumas das ações que viraram marca da gestão do socialista, como o Pacto Pela Vida, as Unidades de Pronto Atendimento (UPA), e as escolas de tempo integral.

“Homenagear Eduardo e seu legado, é homenagear uma visão que ele tinha do futuro e que está faltando ao Brasil, ao estado brasileiro. De olhar os problemas atuais e tentar resolver. Os exemplos são muitos, passaria a noite citando o legado que Eduardo plantou”, declarou.

Em seguida, o governador afirmou que na área de segurança pública, o Pacto Pela Vida já salvou muitas vidas no Estado, e que ele continua sendo um grande orientador sobre o combate à violência. Na área da saúde, Paulo lembra que muitos criticaram a iniciativa do ex-governador em criar três hospitais metropolitanos e construir uma rede de Upas especializadas.

“Muitos diziam que não precisava, que o problema da saúde poderia ser resolvido com os hospitais existentes. Hoje vemos a saúde, passando pela maior pandemia, e vemos o quanto é importante ter essas estruturas prontas, que fez com que tivéssemos condições de dar respostas rápidas, fazer um planejamento adequado, mesmo sendo um dos estados mais afetados no início”, afirmou Paulo Câmara, referindo-se a atuação do Estado no combate ao novo coronavírus (covid-19).

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Para o prefeito do Recife, Eduardo Campos dava oportunidade de vida aos que mais precisavam e ele queria mostrar que essa questão era possível também no cenário nacional. “Ele mostrava que tinha um caminho, que existia um projeto e fazia isso com convicção. Mudar a vida das pessoas é possível pelo exercício pleno da democracia. A sua campanha representava o sentimento do povo brasileiro, porque ele tinha capacidade de sentir o que as pessoas estavam sentido”, declarou.

Família

Antes de encerrar a live em homenagem aos 55 anos do líder socialista, o deputado federal João Campos exibiu um vídeo gravado pela ex-ministra Marina Silva, candidata a vice-presidente em 2014.

“Eduardo era uma pessoa que tinha uma relação muito forte com a família, e isso não era uma moldura para sua imagem de pai e de marido, era uma relação genuinamente amorosa”, afirmou. “Ele certamente estaria ajudando muito a forjar essa nova geração de políticos que estão agindo em um momento tão difícil, de profunda crise econômica, social, apelando para que não desistíssemos do Brasil, nos mantendo unidos”, completou.

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