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Após ser flagrado com dinheiro na cueca, vice-líder do governo é dispensado 'a pedido' de Bolsonaro

A publicação feita em uma edição extra do Diário Oficial da União aponta que a saída foi feita "em atenção ao pedido"

JC Online e Estadão Conteúdo
JC Online e Estadão Conteúdo
Publicado em 15/10/2020 às 14:33
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A saída acontece depois que a Polícia Federal encontrou R$ 30 mil na cueca do até então vice-líder do governo Bolsonaro - FOTO: Reprodução/Twitter
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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) solicitou, no fim da manhã desta quinta-feira (15), a dispensa do senador Chico Rodrigues (DEM-RR) do cargo de vice-líder do governo no Senado. A publicação feita em uma edição extra do Diário Oficial da União aponta que a saída foi feita "em atenção ao pedido".

A saída do senador acontece depois que a Polícia Federal encontrou R$ 30 mil na cueca do até então vice-líder do governo Bolsonaro. Ao todo, os valores descobertos na casa do senador chegariam a R$ 100 mil. O fato aconteceu ontem, durante uma operação da PF realizada na cidade de Boa Vista, no estado de Roraima. A investigação apura indícios de irregularidades em contratações feitas com dinheiro público, que teriam gerado sobrepreço de quase R$ 1 milhão.

O texto publicado nesta quinta-feira (15) diz que "Nos termos do art. 66-A do Regimento Interno dessa Casa do Congresso Nacional, em atenção ao pedido do Senhor Senador Francisco de Assis Rodrigues, solicito providências para a sua dispensa da função de Vice-Líder do Governo no Senado Federal".

Bolsonaro tentou se desvincular das acusações envolvendo o senador Chico Rodrigues (DEM-RR), vice-líder do governo no Senado. Em conversa com apoiadores, o chefe do Planalto admitiu que há desvios de dinheiro público destinado pela União para Estados e municípios, mas repetiu que não há corrupção em seu governo. Aos simpatizantes, o chefe do Planalto chegou a dizer que o mau uso do dinheiro público "não é muito raro", mas repetiu que não há corrupção no governo. Chico Rodrigues, porém, é um dos articuladores políticos do Planalto no Congresso.

"Essa investigação de ontem é um exemplo típico do meu governo, que não tem corrupção no meu governo, não tem corrupção, e combate à corrupção seja de quem for", declarou o presidente. "Vocês estão há quase dois anos sem ouvir falar em corrupção no meu governo. O meu governo são ministros, estatais e bancos oficiais. Esse é o meu governo", disse hoje. Recentemente, Bolsonaro disse que havia "acabado" com a Operação Lava Jato por não haver corrupção em seu governo. Ainda ontem, mesmo dia da prisão do senador, Bolsonaro disse que dará "voadora no pescoço" de quem se envolver em corrupção no seu governo.

"Alguns acham que toda a corrupção tem a ver com o governo. Não. Nós destinamos aí dezenas de bilhões para Estados e municípios, tem as emendas parlamentares também e, de vez em quando, não é muito raro, a pessoa faz uma malversação desse recurso. Agora, a CGU (Controladoria-Geral da União) está de olho, a nossa Polícia Federal está de olho e tomamos decisões", afirmou o presidente aos apoiadores.

No Alvorada, Bolsonaro disse "lamentar" desvios de recursos na saúde pública, pontuando que essa prática acabando matando "inocentes". Aos simpatizantes, o presidente da República declarou que a operação de quarta é "orgulho para o meu governo, para o meu ministro Wagner Rosário (da CGU) e para a minha Polícia Federal." Chico Rodrigues deve perder o cargo de vice-líder no Senado. "Nós estamos combatendo a corrupção, não interessa quem seja a pessoa suspeita", afirmou Bolsonaro.

União Estável

Em vídeos que voltaram a circular nas redes sociais nesta quinta-feira após o parlamentar ter sido alvo da Polícia Federal na Operação Desvid-19, Bolsonaro afirma ter 'quase uma união estável' com o senador. "É quase uma união estável, hein, Chico", diz o presidente sobre a convivência de duas décadas na Câmara no período em que ambos eram deputados. Na mesma gravação, o senador afirma que Bolsonaro está retomando a 'moralidade' e 'práticas republicanas' no País.

Em outro vídeo, o presidente chama Chico Rodrigues de 'velho colega' e relembra a atuação conjunta em projetos na Câmara dos Deputados. "Isso é obrigação nossa. Fazer com que você se sinta bem e não seja lesado por maus administradores", diz Bolsonaro.

EDILSON RODRIGUES/AGÊNCIA SENADO
Senador Chico Rodrigues (DEM-RR) - FOTO:EDILSON RODRIGUES/AGÊNCIA SENADO

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