Eleições 2020

Marília Arraes e João Campos seguem com troca de farpas e ataques mútuos no debate da TV Clube

Candidatos seguiram o tom adotado desde o início do segundo turno, com ataques às gestões anteriores dos partidos do seu adversário.

Luisa Farias
Luisa Farias
Publicado em 20/11/2020 às 23:03
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Arte sobre fotos de Arnaldo Carvalho e Yacy Ribeiro/JC Imagem
João Campos e Marília Arraes disputam o segundo turno das eleições no Recife - FOTO: Arte sobre fotos de Arnaldo Carvalho e Yacy Ribeiro/JC Imagem
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Arte: JC
Eleições de 2020 - Arte: JC

A sucessiva troca de farpas e ataques diretos têm marcado o período de campanha do segundo turno da eleição do Recife, disputado entre os candidatos João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT). Assim como aconteceu entre os postulantes no debate da Rádio Jornal, realizado nessa quinta-feira (19), essa dinâmica não foi diferente no debate entre eles transmitido na noite desta sexta-feira (20) na TV Clube. 

>> Veja como foi o debate da Rádio Jornal

O primeiro bloco já começou com acusações mútuas entre os dois adversários. Na réplica de Marília Arraes em uma pergunta que fez a João Campos sobre ações de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus (covid-19), ela citou as seis investigações da Polícia Federal que investigam supostas compras irregulares de equipamentos e insumos no combate à doença.

"Teve algo que me preocupou bastante: uma conversa que a PF pegou e divulgou entre dois secretários, que um dizia 'analise com carinho' o relatório da testagem em porco, e ainda botava uma risadinha em baixo. Eu acho que isso é uma falta de respeito com a vida das pessoas", disse Marília. 

Marília faz referência ao fato de uma das compras investigadas ter sido de respiradores, testados apenas em porcos, que não tinham aprovação da Anvisa para uso em humanos.

Ela também seguiu colocando-se como a alternativa de oposição às gestões do PSB. Quando João falou sobre a petista ter assumido uma postura de inimiga de Eduardo Campos por não ter conseguido colocar em prática "projetos pessoais" no PSB. "Não defendo o que eu não acredito, jamais tratei ninguém com indiferença, com agressões, mas o caminho que eu tomei foi do lado certo da história. O PSB é um partido que não tem posição política. Ontem estava lá fazendo Lula livre indo bajular o ex-presidente Lula", disse Marília. "As nossas posições são firmes, eu tenho posições polítcias muito bem progressistas, que o PSB tanto faz estar de um lado quanto de outro", completou. 

João Campos voltou a centrar os ataques ao partido de Marília, o PT, estratégia recentemente adotada na sua campanha. "Diferente do seu partido, que tem vários gestores condenados, presos Brasil afora, o PSB governa o Estado de Pernambuco há mais de 14 anos, não tem um único gestor condenado", disse. "Não existe respirador de porco. Todos os equipamentos de saúde, medicamentos, são testados em animais antes de serem utilizados por humanos. O remédio que você toma é testado em animal também. Agora, o Recife mostrou como se faz as coisas com seriedade, com dedicação, compromisso", completou.

O socialista também fez questão de lembrar o fato de Marília ter sido secretária de Juventude e Qualificação Profissional no primeiro mandato do governo de Geraldo Julio. "Eu queria pedir que você faça uma autocrítica primeiro, porque você fez parte da gestão de Geraldo, eu não fiz parte da gestão de Geraldo", disse João. 

Marília reafirmou que a sua passagem pela gestão municipal foi o estopim para o rompimento com o PSB na época. "Era uma secretaria que passou muitos meses sem sequer ter unidade gestora, sem ter aquela rubrica no orçamento. E quando chegou, era um orçamento fictício, então nós priorizamos sair desse grupo para seguir por um caminho que realmente priorizasse as pessoas", respondeu Marília. 

Por várias oportunidades, João Campos também questionou a produtividade da sua adversária nos seus  três mandatos de vereadora na Câmara Municipal do Recife e também atualmente como deputada federal. "A candidata foi vereadora por 10 anos, tem 2 anos como deputada federal, mas não tem nada para mostrar em termos de projetos que ajudaram ou beneficiaram a vida das pessoas. Quem conhece o seu mandato, quem acompanhou de perto, como eu pude ver em Brasília, sabe que ela não foi atuante, que não esteve em grandes debates sobre a educação, na Comissão de Constituição e Justiça, a gente vê pouca produtividade", afirmou João.

"Não cola essa sua falácia de que não fiz nada. O povo do Recife reconhece a minha luta. Estava lá lutando por mais creches na Câmara dos Vereadores, estava lá lutando para que as mães pudessem ir trabalhar tranquilas e deixar seus filhos. Esse foi o posicionamento que agora na prefeitura a gente vai conseguir botar em prática", disse Marília, em outra ocasião. 

Propostas

Apesar das questões políticas permearem boa parte do debate, as propostas para o Recife também tiveram espaço na discussão:

Saúde

Na área da saúde, Marília perguntou sobre as propostas para acabar com as filas para marcação de exames na cidade. "Nós já anunciamos a construção de mais uma UPA especialidades na cidade do Recife. Você une espaço para diagnóstico para consulta, para tratamento, para pequenos procedimentos cirúrgicos onde você dá a chance da média complexidade para ser contemplada para as pessoas na cidade do Recife", respondeu João. 

Marília disse que, caso eleita, a maior prioridade na área da saúde será a atenção básica. "Nós vamos investir na educação básica para ter mais agentes de saúde, mais equipes de saúde da família e ter médico para todas as pessoas. Isso sem dúvida alguma vai gerar uma consequência na contenção da pandemia", disse. 

Educação

Na área da educação, João Campos falou sobre a sua proposta de duplicar o número de vagas em creches no Recife "podendo fazer isso dialogando com a iniciativa privada, com as creches comunitárias, expandindo a própria rede da prefeitura", disse. "Vamos fazer também um amplo programa de alfabetização, que é a grande meta nossa, afinal de contas, alfabetização deve ser sempre uma grande bandeira. E um programa de qualificação profissional", disse. 

Já Marília falou sobre a sua proposta de zerar a fila de creches no Recife, através do Programa Florescer. "Creches são importantes para as crianças se desenvolverem, mas também para as mulheres trabalharem tranquilas e ter autonomia", pontuou a candidata. 

Desigualdade Social

Sobre o combate às desigualdades sociais, Marília citou dois dos seus programas, o Palafita Zero, de erradicar palafitas na capital pernambucana e o Retomada, de concessão de um modelo híbrido de empréstimo e auxílio para microempreendedores. "Vamos fazer parcerias com o setor da construção civil para investir em habitação, conceder um auxílio financeiro aos trabalhadores e fazer parcerias com integrantes da sociedade civil de maneira geral", disse. 

João Campos disse que a desigualdade deve ser combatida em diversas áreas, como a educação. "É (ação) de ampliar o número de vagas nas creches. É da alfabetização na idade certa, a qualificação da empregabilidade. Vamos expandir a rede de Compaz. Vamos poder fazer o Desenvolve Recife, que é uma espécie de Compaz do empreendedorismo", explicou João. 

Segurança pública

Marília acusou a gestão municipal e o governo do estado não dialogarem acerca da segurança pública. "Uma hora dizem uma coisa, outra hora dizem outra, quando na verdade precisa haver uma ampla articulação institucional. E a prefeitura tem um papel fundamental de articulação com a comunidade. Nós vamos ter a patrulha Cidadã Maria da Penha para que as mulheres possam ter para onde recorrer. Fora a questão da urbanização. Recife é uma cidade que está abandonada. A gente vai colocar as pessoas para viverem a cidade, e também para terem um espaço mais aprazível, para estarem ali ocupando aquele espaço", afirmou a petista. 

Entre outros pontos, João prometeu ampliar a atuação da guarda municipal nos corredores de comércio. "Nós vamos vamos intensificar o número das câmeras de vigilância, fazer parcerias com a iniciativa privada para os comércios, condomínios, e compartilhar essas imagens, ampliar o programa de iluminação da cidade chegando a 100% da cidade coberta com iluminação de LED, inclusive todas as escadarias da cidade do Recife", disse. 

Habitação

Para diminuir o déficit habitacional no Recife, João Campos prometeu a entrega de três mil unidades habitacionais, com prioridade para as pessoas em situação de maior vulnerabilidade social. "Nós vamos enfrentar com solução com capacidade. Primeira delas, discutir um modelo de construção que possa verticalizar a habitação de interesse social, para construir mais casas no mesmo terreno. Isso é possível ser feito trazendo tecnologia e a capacidade de inovar", pontuou. 

"Nós vamos priorizar as áreas de morro revitalizar as escadarias, vamos fazer o que Geraldo não fez. Parece que ele está falando de uma gestão que não tem nada a ver com essa. Parece que aqui tem dois candidatos de oposição a Geraldo Julio. Por que não já fez? Por que não concluiu as obras paradas?", disse Marília, durante o debate. 

Arte: JC
Eleições de 2020 - FOTO:Arte: JC

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