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Centro ganha força para 2022, mas Bolsonaro e o PT não estão fora do páreo pela Presidência

Confira a análise de especialistas e de líderes partidários dos sinais passados para 2022 após o resultado das eleições municipais

Alice Albuquerque Cássio Oliveira
Alice Albuquerque
Cássio Oliveira
Publicado em 06/12/2020 às 9:00
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ANDERSON RIEDEL/PR
O encontro ocorrerá no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente, e será fechado à imprensa - FOTO: ANDERSON RIEDEL/PR
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As eleições municipais não ditam, necessariamente, os rumos que o País vai tomar no pleito presidencial - que será realizado daqui a dois anos-, mas, deixa seus recados. O crescimento no número de brasileiros que serão governados por partidos de centro pode recolocar no páreo forças que se viram esmagadas, em 2018, pela polarização do bolsonarismo versus o lulismo.

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Especialistas ouvidos pelo Jornal do Commercio destacam a vitória de um tom mais "moderado" em 2020, mas ressaltam que tanto o Partido dos Trabalhadores (PT) quanto o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não são cartas fora do baralho, por mais que os resultados eleitorais tenham sido aquém do esperado neste ano.

Bolsonaro

AFP
Jair Bolsonaro, presidente da República - AFP

De olho na reeleição em 2022, Bolsonaro viu a maioria dos candidatos a quem deu apoio sendo derrotada. Entre eles, Celso Russomanno (Republicanos), em São Paulo, e Marcelo Crivella (Republicanos), que não conseguiu a reeleição no Rio de Janeiro. Por outro lado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viu seu partido, o PT, não conseguir emplacar seus candidatos no Recife (Marília Arraes) e em Vitória, no Espírito Santo (João Coser), ficando sem prefeitos em capitais pela primeira vez, desde a redemocratização. O partido ainda perdeu em 10 das outras 13 cidades onde disputou o 2º turno. O trunfo comemorado por petistas foi no número de prefeitos em cidades com mais de 200 mil habitantes, o partido saltou de quatro, eleitos em 2016, para sete, em 2020.

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Na visão de Roberto Gondo, professor doutor em Comunicação Política, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, os resultados de 2020 não retiram Bolsonaro e o PT da disputa em 2022, mas liga o alerta dessas duas forças políticas para a necessidade de buscar alianças, evitando o isolamento. "Candidaturas mais equilibradas estão retomando força, pode ser que, em 2022, candidatos com maior equilíbrio, com maior articulação de apoios, mudem o cenário. O perfil de Bolsonaro é mais extremo, de ataque, tal qual o lulismo. Ainda assim, existe uma parcela da população que vota em Bolsonaro e em Lula, ou no candidato de Lula, independente de qualquer coisa. Mas, isoladamente, eles não possuem forças para ir ao segundo turno. Para vencer nas urnas, precisam de mais. Parte dos mais de 50 milhões de votos que Bolsonaro teve no segundo turno da eleição de 2018, por exemplo, pode migrar para um posicionamento mais equilibrado de centro-direita", afirmou o professor.

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O cientista político e professor da PUC-Rio Ricardo Ismael avalia que as eleições de 2020 não foram nacionalizadas. "Os dois candidatos do segundo turno no Recife não discutiram Bolsonaro, não eram ligados a ele. No último debate no Rio de Janeiro, não se falou em Bolsonaro, eles compararam a administração de Eduardo Paes e Marcelo Crivella, foram temas locais. Não se pode dizer que Bolsonaro perdeu no Rio totalmente, Crivella tem rejeição maior que Bolsonaro. Já em São Paulo, o embate foi com PSDB, não se colocou Bolsonaro na história, pois Bruno Covas e Guilherme Boulos não são aliados do presidente. Claro que estavam nas discussões Bolsonaro, Lula e pandemia, mas os fatores locais foram o eixo principal. Mesmo assim, a eleição deixa sinais. O PT não ter capital, Bolsonaro ter perdido, também, nas capitais é sinal de que há dificuldade sim para eles. Lula e Fernando Haddad vão ter de negociar muito mais agora no campo da esquerda, não estão tão fortes a ponto de impor o candidato e Bolsonaro está mais dependente do centrão, não pode mais ser mais ele contra o mundo, como foi em 2018", afirmou o especialista.

Os partidos do chamado "centrão" que dão suporte às pautas do governo Bolsonaro no Congresso, tiveram desempenhos diferentes. O PP de Arthur Lira (AL), pré-candidato à Presidência da Câmara dos Deputados e aliado do presidente da República, saltou de 495 prefeituras para 685. Além disso, a sigla passa a governar oito cidades acima de 200 mil habitantes, em 2016, havia conseguido vencer em 3. Já o PL, de Valdemar Costa Neto, que quer Bolsonaro no seu partido, saiu de 297 prefeituras para 345. No entanto, o partido tinha o comando de seis grandes cidades e viu esse número reduzir para quatro, neste ano. Outro que tenta atrair o presidente Jair Bolsonaro é  o PTB, de Roberto Jefferson. No entanto, a sigla não se saiu bem no pleito de 2020. A legenda teve queda de 256 prefeituras para 212 e não conseguiu eleger prefeito em cidades com mais de 200 mil habitantes.

DEM

REPRODUÇÃO/ SBT
ACM Neto, prefeito de Salvador e presidente nacional do Democratas (DEM) - REPRODUÇÃO/ SBT

Um dos partidos com maior destaque eleitoral em 2020 foi o Democratas, do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ). O partido deu um salto de 268 prefeituras para 464 e passa a ter o comando de treze cidades com mais de 200 mil habitantes, antes eram sete. O apoio do partido seria fundamental para Bolsonaro em 2022, mas o presidente nacional da sigla, ACM Neto, prefeito de Salvador, já disse disse que o partido não deve apoiar Bolsonaro, caso ele mantenha uma postura "extremista". Em entrevista ao Jornal O Globo, o baiano explicou que o DEM não concorda com o "Bolsonaro do radicalismo". "Se o Bolsonaro for o Bolsonaro dos extremos, posso assegurar que não estaremos com ele (nas eleições presidenciais de 2022). Se não for, não posso lhe dizer a mesma coisa", afirmou ACM, acenando para possibilidade para dialogar com o presidente, em caso de mudança.

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"Claro que o resultado da eleição tem mensagens. Em 2000, a Marta Suplicy ganhou a eleição e isso deu uma mensagem que o Lula vinha forte em 2002. Então, pro governo, o resultado da eleição mandou uma mensagem, que o centro virá forte em 2022. Cabe agora ao governo organizar qual é o campo que vai atuar. Vai continuar com o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, com o ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, estragando a imagem do Brasil no exterior? Ou vai caminhar para o centro-direita para tentar tirar um pouco do nosso espaço?", disse Rodrigo Maia em entrevista ao UOL.

João Doria

ANTONIO MOLINA/ESTADÃO CONTEÚDO
Prefeito Bruno Covas (PSDB) foi reeleito para mais quatro anos no comando da Cidade de São Paulo, com apoio do governador de São Paulo, João Doria (PSDB) - ANTONIO MOLINA/ESTADÃO CONTEÚDO

Outro que está de olho no apoio do Democratas é o governador de São Paulo, João Doria, que deve disputar a presidência e viu seu partido, o PSDB, perder espaços nas eleições de 2020. A legenda caiu de 799 prefeituras, que conseguiu há quatro anos, para 520, neste ano. Embora tenha conquistado menos municípios, os tucanos conseguem se manter na liderança no número de cidades acima de 200 mil eleitores. São 25 grandes prefeituras que serão geridas por prefeitos do PSDB.

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Presidente nacional dos tucanos, o pernambucano Bruno Araújo, conversou com o JC e disse que o saldo da eleição foi positivo. Além disso, ele não escondeu a felicidade pelo resultado do DEM e já fala em construir um arco de alianças visando uma forte candidatura de centro em 2022. "O Democratas é um parceiro histórico, comemoramos seu crescimento. E também o resultado do MDB, que demonstrou a capilaridade do partido no Brasil, tem um perfil de municípios menores, mas de grande capilaridade. O recado que o eleitor deu foi de buscar uma posição de serenidade, de equilíbrio, de voltar a política para a política, de voltar a escolher pessoas que fazem vida pública para governar as cidades, mais distante do processo de outsider, como foi em 2018. Não foi eleição de extravagância, São Paulo foi exemplo disso. Escolheram dois jovens que fazem vida pública desde sempre, Bruno Covas e Guilherme Boulos. Covas mostrou como ganhar com elegância, com disputas ideológicas, não tratou Boulos como inimigo, foi um exemplo de como pode se fazer uma eleição discutindo proposta. São trinta anos governando São Paulo. Pode entrar no desgaste, mas tivemos a maior vitória política no Estado, o PSDB, sozinho, governa mais da metade de São Paulo e se somar com aliados, como DEM e PP, vai para mais de 85%. Então, começamos a pensar as alianças do campo do centro para 2022", destacou.

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O MDB citado por Bruno Araújo foi o partido que mais conquistou prefeituras nas capitais brasileiras – cinco ao todo. A legenda manteve em 24 o número de prefeitos de grandes cidades, mas teve uma queda significativa no número de prefeitos eleitos, de 1044, em 2016, para 784, em 2020. Ainda assim, é a sigla com mais prefeituras no Brasil. Outro destaque vai para o PSD, que teve crescimento, de 538 prefeitos para 654 gestores eleitos. Além disso, a sigla de Gilberto Kassab deu um salto no número de grandes cidades. Governará 19 - antes eram 7, ficando atrás, apenas, de PSDB e MDB.

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Para Ricardo Ismael, manter São Paulo foi importante para o projeto de João Doria. "No Brasil, o partidos não são tão bem delimitados em esquerda e direita por questões ideológicas. Mas, o PSDB é centro, assim como o MDB e o DEM, em alguns momentos eles podem tomar algumas decisões no Congresso e são classificados de centro-direita. Nesta eleição, o DEM conseguiu resultados que estimulam a fazer parte do jogo político em 2022, é um partido que pode avançar com mais poder de barganha, Rodrigo Maia é sua maior liderança, mas não o vejo como candidato à presidência, o vejo como vice. Já o PSDB reduziu, mas manteve São Paulo, que é importante, uma capital de muita visibilidade e, assim, o projeto de Doria está mantido. Mas, ele precisa dialogar com o centrão, pois esse grupo apoiou Dilma Rousseff, Lula, Michel Temer, isso para se reproduzir, manter cargos e representação. O centrão é fisiológico e tem chances de ir com Bolsonaro", afirmou o professor.

RICARDO B. LABASTIER/ACERVO JC IMAGEM
Bruno Araújo é presidente nacional do PSDB - RICARDO B. LABASTIER/ACERVO JC IMAGEM

Saímos em 2018 com um tropeço eleitoral. Numa eleição presidencial, pela primeira vez, desde 1994, ficamos fora do segundo turno, tivemos votação pouco expressiva, com um arco de alianças tremendo, e isso levou a duvidas sobre o futuro do PSDB, mas em 2020, mesmo com a perca de votos nominais, fomos o partido mais votado no Brasil inteiro e terminamos governando o maior número de munícipes em relação aos demais.
Bruno Araújo, presidente nacional do PSDB.

Ainda de acordo com Bruno Araújo, "os extremos se perderam" nessa eleição. "Isso serve ao presidente (Bolsonaro) que onde colocou a mão, houve insucesso na maioria dos casos. E serve para a esquerda, principalmente o PT, que sofreu uma derrota. O partido que tem um histórico de ocupação política não ter capital e está com ocupação pouco expressiva para o que já foi. Cada eleição tem sua história, mas, se os ventos que sopram forem os mesmos, os eleitores apontam para um caminho de moderação que pode fortalecer um campo distante dos extremos", completou o presidente do PSDB.

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Na contramão de Bruno, o professor Guilherme Simões Reis, da escola de Ciência Política da UniRio, discorda do discurso de que o centro moderado venceu a eleição de 2020. "Existe um discurso problemático de que o centro moderado e não ideológico que venceu, mas, na verdade, quem venceu foi a direita mais tradicional que temos no Brasil. O grupo que investiu no enfraquecimento da esquerda, particularmente do PT, em 2016, e que se prejudicou, também, num primeiro momento, pois houve a ascensão do bolsonarismo, houve a criminalização da política como um todo. Agora, eles colhem frutos, pois há um enfraquecimento do bolsonarismo, que, enquanto corrente ideológica, não está morto. Mas, Bolsonaro, como líder, saiu chamuscado dessa eleição. Os apoios dele não surtiram efeitos. No entanto, é preciso observar que há candidatos eleitos com o mesmo discurso de Bolsonaro, como em São Gonçalo (RJ), em Vitória (ES), que o eleito se desvinculou do presidente, mas tem o mesmo discurso, além de vereadores espalhados pelo Brasil com esse pensamento bolsonarista", afirmou.

Sergio Moro

MARCELO CAMARGO/AGENCIA BRASIL
O ex-ministro Sergio Fernando Moro é cotado para a disputa de 2022 - MARCELO CAMARGO/AGENCIA BRASIL

Correndo por fora, nomes de "outsiders" como o do apresentador Luciano Huck e do ex-ministro Sergio Moro são cotados para a disputa de 2022 em partidos de centro-direita. Eles, inclusive, já se encontraram para tratar de política, mas não há definição de quem será candidato ou vice, nem se realmente vão disputar o pleito. Ainda assim, na visão de Guilherme Simões Reis, candidatos que se colocam como de fora da política não se saíram tão bem neste pleito. "A grande diferença do pleito de 2018, mesmo sendo eleições diferentes, foi o discurso de segurança, o discurso bolsonarista, de outsider, que teve resultado ruim. Quem venceu foi o discurso mais conservador, não essa nova direita", destacou. No Recife, por exemplo, a candidata Delegada Patrícia (Podemos) apresentou esse discurso de "nova política" contra a "velha política" e terminou em quarto lugar na disuta, atrás de nomes tradicionais da política como o do ex-ministro e ex-governador Mendonça Filho (DEM).

Esquerda

RICARDO STUCKERT/INSTITUTO LULA
Ciro Gomes e Luiz Inácio Lula da Silva - RICARDO STUCKERT/INSTITUTO LULA

Se no campo da direita e centro-direita, os partidos ainda se decidirão sobre seguir com Bolsonaro ou com um nome mais "moderado", no campo da esquerda e centro-esquerda a discussão deve se dar sobre a criação de uma frente ampla com vários partidos unidos ou com mais de um candidato. Na visão dos especialistas, há vários fatores que podem impedir a união da esquerda, como a escolha de um único nome para a cabeça de chapa. Partidos como o PSOL também encontram dificuldades de se aliar a partidos de centro-direita em uma possível aliança 'anti-Bolsonaro', diferente do PDT, de Ciro Gomes, que chegou a firmar alianças com o DEM para as eleições municipais deste ano.

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"Há uma tendência de articulação de mais de uma candidatura da esquerda no primeiro turno de 2022, não vejo consenso de frente única. O PT tem dificuldade de não aceitar ser vice ou fazer certas composições de chapa e dá para compreender. É um partido de mais de três décadas e teve 14 anos no poder. Os integrantes do partido se questionam "como não ter candidato à Presidência"? No entanto, o nome da legenda é Haddad, pois Lula tem situação de condenação, e Haddad não surge com tanta expressão desde 2018. Ele não tem oposição ferrenha ao governo federal e isso vai refletir, tudo caminha para um enfraquecimento tal qual o de Marina Silva. São atores políticos que saíram da disputa e foram ao ostracismo, vão enfraquecendo. Ainda assim, o PT deve manter a candidatura e a coalizão pode ocorrer no segundo turno, por exemplo", afirmou Roberto Gondo.

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O sentimento de que a esquerda vai separada para a eleição presidencial é compartilhada pelo presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira. Em entrevista à BBC News Brasil, o socialista disse que a eleição municipal deste ano foi um "ensaio da divisão" dos partidos de esquerda e, não, de uma possível frente única.

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"O PT decidiu, como disse Lula logo ao sair da prisão (em novembro de 2019), que ia ter candidato em todos os lugares, e teve em muitos. Mais do que devia. E isso não permitiu a unidade da esquerda. Ao invés de ser um ensaio de unidade, foi um ensaio de divisão, infelizmente. A esquerda estava toda dividida. Em São Paulo, tinha três candidatos (Márcio França, do PSB; Jilmar Tatto, do PT; e Guilherme Boulos, do PSOL). No Rio de Janeiro, tinha três candidatos (Benedita da Silva, do PT; Delegada Martha Rocha, do PDT; e Bandeira de Mello, da Rede). O maior partido de esquerda (o PT) resolveu manter o exclusivismo dele, e manter as candidaturas em tudo quanto foi lugar. Então, não há nenhum vislumbre de unidade. Não quer dizer que não possa haver, mas não que tenha havido esse esforço nas eleições municipais", disse Siqueira.

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Caso a tendência de um candidato de centro ganhar força se confirme, a fragmentação pode ser um risco para os partidos de esquerda, na visão do professor Ricardo Ismael. "Existe um antipetismo e um antibolsonarismo. Por isso, pode haver candidato de centro competitivo em 2022. Vejo PT e PSOL juntos, o problema é que a eleição do Recife mostrou que o PT é adversário do PSB, o PT não poupou o PSB de ataques e há tensão entre os dois. O PSB não tem candidato próprio e pode apoiar Ciro Gomes. Numa chapa com Haddad e outra com Ciro, vejo um pacto de não agressão, mas essa divisão pode favorecer um candidato de centro, que pode conseguir a vaga no segundo turno contra Bolsonaro. Será um risco que a esquerda precisa pensar", disse.

PT

MATHEUS SANTOS/BLOG DE JAMILDO
O senador Humberto Costa (PT) - MATHEUS SANTOS/BLOG DE JAMILDO

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Líder do PT no Senado, o pernambucano Humberto Costa admite a possibilidade de a esquerda ficar fora do segundo turno, algo que ainda não aconteceu em todos os segundos turnos desde a redemocratização do País. "Acho que é muito cedo para poder falar isso (a divisão na esquerda), mas avaliando os resultados das eleições de 2020 e como cada uma dessas forças se colocou, eu particularmente acredito muito pouco na possibilidade de uma candidatura única no campo da esquerda, embora eu ache que isso seria o ideal. Essa divisão pode até nos tirar de uma disputa de um eventual segundo turno, mas a julgar pelas posições assumidas nas eleições de 2020, o cenário é de muita dificuldade. Não vejo, por exemplo, a possibilidade de uma candidatura que envolva PT, PDT e PSB. Entre PT e PSB acho que é pouco provável, temos que trabalhar na linha de apostar numa unidade no segundo turno, é a única coisa que vejo nesse momento. Política muda demais, são dois anos até a eleição, tem muita água para rolar mas, a julgar pelo o que a gente sai agora, no calor dos resultados, acredito muito pouco numa candidatura única da esquerda para disputar 2022", afirmou Humberto em entrevista ao JC

Não foi um desastre completo (o resultado do PT na eleição), mas ficou muito aquém daquilo o que nós esperávamos. Avaliamos que 2020 seria um ano com resultado bem melhor que 2016, que foi o auge da crise do PT, estávamos passando pelo processo do impeachment de Dilma e além disso tudo, um ataque ao PT, ao presidente Lula, de modo que tínhamos uma avaliação que agora em 2020 teríamos um resultado melhor, e o resultado não foi tão melhor, foi mais ou menos, uma estabilidade. Avalio que o PT deve fazer uma avaliação muito fria disso, deve reconhecer que ficou muito aquém daquilo o que desejava em termos nacionais de disputa.
Humberto Costa, líder do PT no Senado

PDT

DIVULGAÇÃO
Presidente do PDT, Carlos Lupi, e Ciro Gomes - DIVULGAÇÃO

A tendência de que o PDT e o PSB devem estar juntos foi reforçada pelo presidente nacional dos pedetistas, Carlos Lupi. Os partidos mostraram força no Nordeste. O PDT de Ciro manteve Fortaleza e Aracaju e seu principal aliado, o PSB, venceu no Recife e em Maceió. "Estamos trabalhando em primeiro lugar a nossa candidatura, de aliança com o PSB, que é a nossa aliança prioritária. Vamos ver com os outros partidos. O próprio PT, PCdoB, mas a nossa base principal é aliança com o PSB", disse. "A direita também está dividida. Vejo a ala bolsonarista como mais derrotada dessa eleição, então é uma questão de avaliação de saber o que cada uma representa", completou Carlos Lupi, defendendo que a esquerda não foi a maior derrotada do pleito.

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O cientista político Guilherme Simões Reis enxerga PDT e PSB fortes no Nordeste, mas não o suficiente a nível nacional. O professor ainda destaca as siglas como mais flexíveis a alianças com partidos de centro e até centro-direita. "O PDT e o PSB estão crescendo muito no Nordeste, com o PSB com centro em Pernambuco e o PDT no Ceará, mas com reflexos em outros Estados. E eles apresentam uma estratégia muito de centro, mais do que de esquerda. São partidos historicamente de esquerda, mas PDT e PSB se mostram no centro. Não são tão fortes no resto do Brasil, se esperava influência maior do Ciro Gomes, mas não teve. PSB e PDT são fortes juntos e é difícil aceitarem papel menor numa aliança com PT, PCdoB e PSOL. Assim, vejo eles tendo flexibilidade com a direita tradicional, caso tenham algum espaço relevante", afirmou. 

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O próprio PSB reuniu partidos de diferentes correntes ideológicas para eleger João Campos no Recife. Do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) ao Republicanos, partido ligado à  à Igreja Universal do Reino de Deus e que tem os filhos do presidente Jair Bolsonaro Carlos e Flávio Bolsonaro filiados, doze siglas estavam na Frente Popular do Recife. E o Republicanos não descarta conversas com partidos de centro-esquerda para 2022. Segundo o presidente estadual do partido em Pernambuco, o deputado federal Sílvio Costa Filho, os candidatos que se colocarem ao centro, terão espaço para diálogo com a legenda.

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Sílvio Costa Filho preside o Republicanos em Pernambuco - JC IMAGEM

"Eu acho que a possibilidade da ida de Bolsonaro para o Republicanos é pequena, creio que os filhos do presidente estão de passagem pelo partido, devem sair. Até porque o desejo do presidente do partido, Marcos Pereira, e da bancada (no Congresso) é de que o partido esteja livre em 2022. Poderemos ter candidatura própria, apoiar uma candidatura do centro e até dialogar com Ciro Gomes, não temos dificuldade de dialogar com Ciro e com os outros que se coloquem ao centro. A sociedade cada vez mais mostra que quer menos radicalismo, nem extremismo da esquerda, nem da direita, querem uma candidatura que represente diálogo, que tenha pauta propositiva, que seja construída num campo de centro e tem muita chance de ter sucesso. O caminho de 2022 se desenha ao centro", afirmou Sílvio Filho ao JC.

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O Republicanos tinha o comando de quatro cidades com mais de 200 mil habitantes e agora passa a ter cinco. A sigla saltou de 105 prefeitos eleitos em 2016, quando ainda se chamava PRB, para 211. Em Pernambuco, a sigla saiu de zero para 14 prefeituras. Entre elas, a de Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife (RMR), com a vitória de Dra. Nadegi.

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Sílvio Costa Filho preside o Republicanos em Pernambuco - FOTO:JC IMAGEM
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Bruno Araújo é presidente nacional do PSDB - FOTO:RICARDO B. LABASTIER/ACERVO JC IMAGEM
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ACM Neto, prefeito de Salvador e presidente nacional do Democratas (DEM) - FOTO:REPRODUÇÃO/ SBT
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Prefeito Bruno Covas (PSDB) foi reeleito para mais quatro anos no comando da Cidade de São Paulo, com apoio do governador de São Paulo, João Doria (PSDB) - FOTO:ANTONIO MOLINA/ESTADÃO CONTEÚDO
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EX-JUIZ Sergio Moro diz ter absoluta tranquilidade sobre as próprias decisões em processos de Lula - FOTO:MARCELO CAMARGO/AGENCIA BRASIL
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Jair Bolsonaro, presidente da República - FOTO:AFP

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