Tensão

Filipe Martins faz gesto controverso em sessão com Ernesto Araújo no Senado

Líder da oposição na Casa, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) chegou a pedir que Martins fosse conduzido pela Polícia Legislativa para fora das dependências da Casa, o que não ocorreu

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Estadão Conteúdo

Publicado em 25/03/2021 às 16:49
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O assessor especial de Assuntos Internacionais da Presidência, Filipe Martins, fez um gesto considerado obsceno por parlamentares durante sessão do Senado em que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, expôs as dificuldades para a compra de vacinas contra a covid-19, nesta quarta-feira, 24. O líder da oposição na Casa, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), chegou a pedir que Martins fosse conduzido pela Polícia Legislativa para fora das dependências da Casa, o que não ocorreu.
 
A atitude de Martins ocorreu durante a manifestação do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), no início do debate. "Em uma sessão do Senado Federal, durante a fala do presidente do Senado, um senhor está procedendo gestos obscenos, ironizando o pronunciamento do presidente da Casa. Isso é inaceitável", afirmou Randolfe, exaltado. "Já basta o desrespeito que este governo está tendo com mais de 300 mil mortos. Não aceitamos que um capacho do presidente da República venha ao Senado nos desrespeitar."
 
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Martins dá expediente no Palácio do Planalto e integra a ala ideológica do governo de Jair Bolsonaro. Sentado atrás de Pacheco, o assessor de Assuntos Internacionais da Presidência provocou polêmica ao juntar as pontas do indicador e do polegar, como num sinal de "Ok", estendendo os três dedos restantes e movimentando a mão para cima e para baixo.
 
O gesto é usado por extremistas e associado a símbolos de ódio. Pacheco disse que solicitaria à Secretaria-Geral da Mesa Diretora e à Polícia Legislativa que identificassem o fato apontado pelo líder da oposição. Afirmou, porém, que não prejudicaria o andamento da sessão. "Peço muito aos senadores e senadoras que mantenhamos a calma, a serenidade, a técnica, buscando obter informações necessárias da política existente ou não existente no Ministério das Relações Exteriores. É uma aferição que se fará ao longo da sessão e a partir dos dados que serão apresentados pelo ministro", observou o presidente do Senado.
 
Martins pediu direito de resposta à Mesa Diretora e se manifestou no Twitter. "Um aviso aos palhaços que desejam emplacar a tese de que eu, um judeu, sou simpático ao 'supremacismo branco' porque em suas mentes doentias enxergaram um gesto autoritário numa imagem que me mostra ajeitando a lapela do meu terno: serão processados e responsabilizados; um a um", escreveu o assessor de Bolsonaro.
 
A sessão do Senado foi convocada para questionar Araújo sobre os motivos do atraso na compra de vacinas contra covid-19 e o que o Itamaraty tem feito para reverter esse quadro. Há queixas sobre a atuação do chanceler, que, de acordo com os parlamentares, não conduz a contento as negociações com Estados Unidos, China e Índia para a compra de vacinas por razões ideológicas. Araújo rebateu e disse que o Brasil está negociando com esses países. O ministro observou, porém, que o estoque excedente de vacinas é limitado e, além disso, há o problema de falta de insumos para fabricação dos imunizantes.

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