Tensão

Maioria dos senadores pernambucanos é favorável à abertura da CPI da Covid

Na próxima quarta-feira (14), o plenário do STF vai julgar a liminar concedida pelo ministro Luís Roberto Barroso pela abertura da investigação e acredita-se que os demais magistrados devem confirmar a ação

Mirella Araújo Renata Monteiro
Mirella Araújo
Renata Monteiro
Publicado em 12/04/2021 às 18:12
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Foto: Léo Motta/ JC Imagem
Humberto e Jarbas são a favor da investigação. FBC, líder do governo no Senado, é contra - FOTO: Foto: Léo Motta/ JC Imagem
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Em meio ao debate gerado pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de determinar que o Senado investigue a gestão da pandemia pelo governo federal, os três representantes de Pernambuco na Casa Alta se dividem ao opinar sobre a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Na próxima quarta-feira (14), o plenário do STF vai julgar a liminar concedida pelo ministro Luís Roberto Barroso pela abertura da investigação e acredita-se que os demais magistrados devem confirmar a ação.

Líder do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB) é o único senador pernambucano contrário à abertura da CPI. Em entrevista à CNN no último fim de semana, FBC afirmou que a investigação nesse momento seria "inoportuna".

"No Senado não tem nenhuma CPI funcionando no momento, nem as comissões permanentes da Casa estão funcionando. Nós temos uma CPI das Fake News, que se encontra paralisada para não colocar em risco os senadores, os servidores e, eventualmente, aqueles que seriam convocados para prestar esclarecimentos. É importante destacar que o Senado já perdeu três senadores para o coronavírus, outros assessores vieram a falecer em função da infecção contraída quando do exercício das suas atividades, dentro das instalações do Senado, ou fora, auxiliando os senadores", argumentou o parlamentar, dizendo confiar que o STF irá rever a decisão de Barroso na sessão da quarta-feira.

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Na sua declaração, FBC também disse que abrir uma investigação contra o governo federal depois do acordo firmado entre Câmara, Senado, STF e Procuradoria Geral da República para a adoção de ações urgentes contra a covid-19 no País "frustra os esforços para evitar polarizações e confrontações" no País.

O senador Humberto Costa (PT), porém, tem uma opinião diferente da de FBC sobre o tema. Para o petista, a decisão do STF é "natural", uma vez que, sob o seu ponto de vista, o governo é "responsável por boa parte das mortes por covid-19 no Brasil.

"A CPI foi formada cumprindo todos os pré-requisitos constitucionais e regimentais. Tendo isso acontecido, cabia ao presidente do Senado instalar (a comissão), mas ele vinha protelando, postergando isso para que ela não fosse montada. Sobre o recurso no STF, essa não é a primeira vez que a corte toma uma decisão como essa. Nos governos dos presidentes Lula e Dilma, por exemplo, houve algumas CPIs que o STF determinou que fossem instaladas. Então é um processo normal e natural das coisas. Cabe agora ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, instalar a comissão", cravou Humberto.

A respeito do áudio vazado pelo senador Jorge Kajuru (CID) que mostra Bolsonaro pressionando o parlamentar a ingressar com pedidos de impeachment contra ministros do STF, Humberto Costa classificou o episódio como "absurdo". "Acho esse vazamento algo absurdo, o presidente da República pressionar o senador para que ele interfira no sentido de colocar um impeachment de ministros do STF, não existe. É motivo de consideração de crime de responsabilidade, por atender o interesse de terceiros", observou o petista.

O senador Jarbas Vasconcelos (MDB), por sua vez, afirmou, através da sua assessoria de imprensa, que não comentaria o vazamento, mas disse ser a favor da abertura da CPI, tendo, inclusive, assinado o requerimento para a sua abertura. Sobre a tentativa de senadores governistas de incluir estados e municípios nas investigações, Jarbas disse que isso ampliaria demais o foco da apuração e ela terminaria não tendo foco algum. Além disso, o parlamentar afirmou que, para investigar esses entes, já existem os Tribunais de Contas, o Ministério Público e demais órgãos de controle.

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