GRAVAÇÕES

Ouça trechos da delação de Sérgio Cabral sobre supostos repasses ilegais a Dias Toffoli, do STF

Os áudios fazem parte de um vídeo da PF feito no momento do depoimento do ex-governador do Rio de Janeiro

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 21/05/2021 às 8:41
Foto: EBC
Cabral já foi condenado oito vezes e soma quase 200 anos de reclusão - FOTO: Foto: EBC
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Em delação à Polícia Federal (PF), o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral afirmou ter feito supostos repasses ilegais ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. Os relatos do político, preso desde 2016, levaram a PF a pedir a abertura de um inquérito no Supremo.

 

Nesta sexta-feira (21), o jornal Folha de S.Paulo divulgou trechos das gravações de depoimentos da delação premiada de Cabral, em que ele detalha pagamentos que teriam sido feitos ao ministro para influenciar decisões no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os áudios fazem parte de um vídeo da PF feito no momento do depoimento do ex-governador do Rio de Janeiro.

Toffoli foi presidente do TSE de maio de 2014 a maio de 2016. Nos registros, o ex-governador diz, por exemplo, que teriam sido pagas a Toffoli "vantagens indevidas", em torno de R$ 3 milhões, para salvar o mandato de Antônio Francisco Neto, que, em 2015, era prefeito de Volta Redonda (RJ). Toffoli, porém, nega.

Cabral também acusou Toffoli de arquivar inquéritos com base em sua delação para descredibilizá-lo enquanto delator. 

Ouça trechos da delação de Cabral

STF julga delação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin decidiu enviar para julgamento no plenário virtual da Corte a validade do acordo de delação premiada assinado pelo ex-governador Sérgio Cabral com a Polícia Federal (PF). A validade havia sido questionada em um recurso da Procuradoria-Geral da República (PGR), que se posicionou contra a homologação da delação. A corte julga essa questão a partir desta sexta-feira (21).

A decisão de Fachin ocorre logo depois de a PF ter apresentado um novo pacote de investigações com base no complemento da delação do ex-governador, que incluiu um pedido de inquérito contra o ministro do STF Dias Toffoli. O ministro negou as acusações e, por meio da assessoria, disse que "jamais recebeu os supostos valores ilegais".

Esse material foi enviado para a PGR se manifestar. Ontem, o Jota noticiou que o procurador-Geral da República, Augusto Aras, deve pedir o arquivamento do ofício da PF contra Dias Toffoli. De qualquer forma, caso o plenário decida anular a delação de Cabral, o pedido de investigação contra Toffoli também deve ser afetado e acabaria anulado.

O recurso da PGR havia sido apresentado em março do ano passado, depois de Fachin ter homologado a delação assinada pela PF. O ministro, ao dar o aval jurídico ao acordo, entendeu que ele cumpria os requisitos legais e respeitava a jurisprudência adotada pelo plenário do STF, que havia autorizado a PF a assinar delações.

 

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