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CPI da Covid inclui ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, na lista de investigados

Relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), vai pedir que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, seja incluído oficialmente na lista de investigados do colegiado

JC
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Publicado em 17/06/2021 às 1:00
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ANS Segundo Queiroga, ele seria criticado se não debatesse desde já a possibilidade de envolver planos - FOTO: EDILSON RODRIGUES/AGÊNCIA SENADO
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Com agências

O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), vai pedir que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, seja incluído oficialmente na lista de investigados do colegiado. O médico se tornará, assim, o primeiro ministro ainda no cargo a ser investigado por uma CPI no governo Jair Bolsonaro.

Além de Queiroga, Renan deve transformar em investigados os ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores), o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fábio Wajngarten, e a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação no Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como "Capitã Cloroquina" pela defesa do medicamento sem eficácia contra a covid-19. Isso significa que, na visão da CPI, eles tiveram participações em atos ilícitos.

Os cinco auxiliares e ex-auxiliares de Bolsonaro já foram ouvidos pela CPI na condição de testemunhas. Com esse status, eles eram obrigados a assinar um termo se comprometendo a dizer a verdade. Se tivessem sido chamados como investigados, eles teriam a opção de se calar para evitar produzir provas contra si próprios.

Transformá-los em investigados agora, porém, deve facilitar a apuração nesta nova fase da comissão. Isso porque é mais fácil pedir medidas como buscas e apreensão e solicitação de documentos de pessoas vistas como investigadas.

Queiroga, inclusive, foi ouvido duas vezes. O primeiro depoimento ocorreu no dia 6 de maio, no início dos trabalhos. Na ocasião, ele evitou se posicionar sobre o uso de remédios ineficazes para tratar o vírus e as declarações de Bolsonaro sobre a pandemia.

Ele voltou a prestar depoimento no último dia 8, depois de ser reconvocado após o antecessor, Pazuello, participar de uma motociada com aglomeração ao lado do presidente no Rio de Janeiro. Pazuello é general da ativa do Exército e, pelo regulamento, não poderia participar de manifestações políticas. Mesmo assim, a pedido de Bolsonaro, os militares decidiram não puni-lo pela quebra de hierarquia.

Na segunda ida ao Senado, o ministro disse que as medicações defendidas como "tratamento precoce" não tem eficácia e disse desconhecer a existência de um "gabinete paralelo" para orientar o presidente em relação às medidas adotadas para combater à pandemia e ao discurso crítico ao uso de vacinas.

Até a noite dessa quarta-feira (16), ainda havia dúvidas se Renan definiria a lista de investigados através de um ofício, que poderia ter validade automática, ou se submeteria um requerimento ao plenário da CPI. A segunda hipótese daria menos margem para contestação dos aliados do governo, mas, por outro lado, abriria brecha para que o pedido fosse rejeitado.

Queiroga é o quarto ministro da Saúde de Bolsonaro desde o início da pandemia. Os primeiros foram Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich; depois Pazuello.

 

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