Comissão de Inquérito

Humberto Costa aponta Conselho Federal de Medicina como responsável por difusão do 'kit covid'

O senador afirmou que médicos não possuem autonomia para ''prescrever veneno''

Cássio Oliveira
Cássio Oliveira
Publicado em 06/10/2021 às 17:50
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HENRY MILLEO / AFP
Humberto Costa (PT), senador e ex-ministro da Saúde - FOTO: HENRY MILLEO / AFP
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Ex-ministro da Saúde, o senador Humberto Costa (PT-PE) acusou o Conselho Federal de Medicina (CFM) de “falácia” sobre a autonomia médica. Segundo o petista, médicos e médicas têm autonomia para selecionar entre medicamentos pré-determinados, mas eles "não têm autonomia para prescrever veneno”.

“Eu vou ficar doente, é capaz de eu ter um infarto por não ter tido oportunidade de colocar aí o presidente do CFM. Porque foram eles os responsáveis para vender essa ideia falsa de que era um problema de autonomia médica. Não é. O médico tem autonomia, entre dois, três, quatro, 10 medicamentos que estão indicados para o caso. Mas ele não tem autonomia para prescrever veneno e o que não serve para determinada doença. Uma coisa que não tem comprovação científica”, afirmou.

A fala de Humberto aconteceu durante depoimento do presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Paulo Rebello, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19, nesta quarta-feira (6).

Na mesma sessão, o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que o colegiado vai incluir no seu rol de investigados o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Mauro Luiz de Britto Ribeiro.

Renan justificou a inclusão de Ribeiro na lista de investigados devido ao seu "apoio ao negacionismo", o suporte dado a remédios comprovadamente ineficazes contra a covid-19 e sua "omissão diante de fatos criminosos".

De acordo com o relator, estar na lista de investigados não significa necessariamente que a pessoa será indiciada, mas é um "forte indício" para o processo. "Estar na relação como investigado é um bom indício para que essas pessoas sejam responsabilizadas", disse Renan em entrevista coletiva antes do início dos trabalhos de hoje da comissão.

Na última semana, durante a CPI da Covid, Humberto Costa analisou fatos que aconteceram no período em que Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da saúde, foi demitido, e trouxe à tona falhas cometidas pelo órgão. Isso porque, segundo Humberto, Mandetta havia denunciado ao CFM o tipo tratamento oferecido pela Prevent Senior aos seus pacientes e apontado a alta taxa de mortes que eles vinham obtendo. No entanto, nenhuma providência foi tomada por parte do Conselho.

Costa continuou a exposição relembrando que 16 dias depois da demissão do ex-ministro da saúde, o CFM emitiu um parecer em que liberou a utilização do kit de "tratamento precoce" contra a covid-19. Além disso, questionou sobre o uso de outros tratamentos terapêuticos que não haviam sido liberados e mesmo assim foram aplicados nos pacientes.

Humberto concluiu, então, que o conselho agia em conjunto com o governo federal, por meio do “gabinete paralelo”, para facilitar a execução de um “planejamento criminoso”. “Era obrigação do Conselho Federal de Medicina investigar. Não venham botar a culpa nos médicos que foram obrigados a fazer o que não queriam. E sim em quem deveria fiscalizar e na própria empresa que autorizou esses protocolos. Isso é criminoso”, aponta o senador.

Conselho

Senadores já haviam criticado o Conselho Federal de Medicina (CFM) por ter dado autonomia aos médicos brasileiros no uso do chamado kit covid para combate ao coronavírus. Em, abril passado, na reunião da Comissão Temporária da Covid-19, Zenaide Maia (Pros-RN), que é médica, questionou se o órgão permanece com a mesma posição “mesmo depois de um ano de pandemia e vários estudos científicos terem comprovado a ineficácia dos medicamentos”, como a ivermectina e o hidroxicloroquina.

Já Kátia Abreu (PP-TO) considerou a posição do conselho semelhante à do governador romano da Judeia, Pôncio Pilatos, que lavou as mãos, condenando Jesus Cristo à morte. "Vocês [do CFM] lavaram as mãos. Poderiam ter dado uma grande contribuição ao país, e não deram. Preferiram obedecer a burocracia. Enquanto isso, morrem quase 400 mil pessoas no Brasil", protestou.

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