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LULA NA ARGENTINA: presidente pede desculpas por ''grosserias'' de Bolsonaro e diz que Forças Armadas não servem a um político

O presidente, de 77 anos, faz tradicionalmente sua primeira visita de Estado ao vizinho e sócio do Mercosul

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Lucas Moraes

Publicado em 23/01/2023 às 14:27 | Atualizado em 23/01/2023 às 14:37
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Com informações da AFP

O presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, chegou a Buenos Aires no domingo (22) para se encontrar, nesta segunda-feira (23), com o presidente argentino, Alberto Fernández, no relançamento internacional de sua nova presidência, que buscará "reconstruir pontes" com a América Latina.

O presidente, de 77 anos, faz tradicionalmente sua primeira visita de Estado ao vizinho e sócio do Mercosul, para depois participar, na terça-feira, da cúpula de presidentes da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), à qual o Brasil retorna após alguns anos de ausência.

Num discurso conjunto com o presidente argentino, Lula disse que as relações entre os dois países "nunca deveriam ter sido truncadas". 

"Hoje é a retomada de uma relação que nunca deveria ter sido truncada. A minha presença como primeira viagem feita depois da minha eleição a um país estrangeiro é para dizer ao meu amigo Alberto Fernández que nós vamos reconstruir aquela relação de paz, produtiva, avançada, de dois países que nasceram para crescer, se desenvolver e gerar melhores condições de vida para os seus povos"

O presidente petista também pediu desculpas pelas "grosserias" do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Lula declarou que espera a volta da normalidade com a mudança de comando do Exército brasileiro, anunciada no último sábado. 

"As Forças Armadas não existem para servir a um político e sim para proteger o povo brasileiro", afirmou. 

 Visita de Lula à Argentina

O ministro das Relações Exteriores de Lula, Mauro Vieira, explicou no sábado em entrevista à agência oficial argentina Télam, que a visita faz parte de uma política externa que buscará "reconstruir pontes" com a comunidade internacional.

"O que vamos fazer em Buenos Aires e Montevidéu, onde Lula se encontrará com seu homólogo uruguaio, Luis Lacalle Pou, na quarta-feira] é dialogar com os sócios sobre a situação que herdamos e possíveis rumos a seguir. O primeiro passo é relançar a relação bilateral, e isso será feito com base na declaração conjunta dos presidentes (Alberto) Fernández e Lula, que será o roteiro desse relançamento, com objetivos e tarefas claros", especificou o diplomata.

Em meio à crise do Mercosul após a decisão do Uruguai de negociar um tratado de livre-comércio bilateral com a China e solicitar a entrada no Acordo Transpacífico sem o consentimento dos demais sócios – decisão questionada por Brasília, Buenos Aires e Assunção –, Vieira disse que o Brasil pretende falar "sobre o presente e o futuro do Mercosul".

Os governos do bloco fundado em 1991 devem "fazer os ajustes necessários em diálogo permanente com os empresários dos nossos países", disse Vieira à Télam.

Lula se encontrou com Fernández na Casa Rosada nesta segunda-feira pela manhã.

O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, segundo dados oficiais divulgados na semana passada pela agência nacional de estatísticas da Argentina, Indec.

Com 14,3% do total das vendas argentinas para o exterior, o Brasil é o primeiro destino das exportações argentinas, que em 2022 somaram quase US$ 12,7 bilhões no solo brasileiro, um crescimento de 7,6%. Enquanto isso, as importações do Brasil ultrapassaram os US$ 16 bilhões e, com um crescimento anual de 28,8% no ano passado, representam quase 20% das compras argentinas no exterior.

A viagem de Lula também marca o retorno do Brasil à Celac, fórum de consulta formado por 33 países. Brasília deixou a instituição em 2020 por decisão do então presidente Jair Bolsonaro, que considerava que "dava palco para regimes não democráticos como os de Venezuela, Cuba e Nicarágua".

Lula pretende se encontrar em Buenos Aires com o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, segundo fontes da Presidência da República. O líder da ilha caribenha confirmou sua presença na Celac.

Já o encontro com o chavista Nicolás Maduro, previsto em sua agenda oficial, no entanto, foi retirado do planejamento do Planalto nesta segunda.

A Presidência não informou oficialmente o motivo do cancelamento, mas fontes do Executivo e do Itamaraty informaram à AFP que a reunião foi suspensa a pedido de Maduro, que, segundo informantes, não está na Argentina.

A presença de Maduro na Celac movimenta Buenos Aires após o líder chavista ser denunciado perante a Justiça da Argentina por violação dos direitos humanos, acusação que motivou líderes da oposição a pedirem sua detenção ao chegar ao país.

 

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