Entrevista

No Roda Viva, Raquel Lyra gerou curiosidade sobre como consegue se equilibrar entre Lula e o bolsonarismo no governo

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, também respondeu sobre o futuro do PSDB e os cenários para as eleições municipais em 2024

Mirella Araújo
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Mirella Araújo
Publicado em 27/06/2023 às 1:10 | Atualizado em 27/06/2023 às 1:21
Reprodução TV Cultura
Governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, foi entrevistada pelo Roda Viva, da TV Cultura - FOTO: Reprodução TV Cultura

A postura de neutralidade nas eleições presidenciais de 2022, adotada pela governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), ao não declarar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi um dos temas mais abordados durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira (26).

Com apresentação da jornalista Vera Magalhães, a bancada de entrevistadores foi formada por Guilherme Caetano, repórter do jornal O Globo; Laurindo Ferreira, diretor de redação do Jornal do Commercio; Priscila Camazano, repórter da Folha de S.Paulo; Roseann Kennedy, colunista do Estadão; e Thais Bilenky, repórter na Revista Piauí e apresentadora do podcast Foro de Teresina. As ilustrações foram de Custódio Rosa.

Esse posicionamento neutro tem sido reverberado dentro do PSDB, que, apesar de estar no bloco de oposição ao governo Lula, afirma que está buscando construir um centro democrático “equidistante dos polos radicais”, segundo artigo assinado por Raquel Lyra e pelo presidente nacional do PSDB, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

“Nós apoiamos no primeiro turno a candidatura de Simone Tebet, que foi com quem o nosso partido fechou. No segundo turno eu decidi não declarar apoio a nenhum dos dois candidatos, o que poderia ter sido a solução mais fácil, como outros candidatos em Pernambuco e em outros estados do Brasil fizeram, de tentar se escorar numa candidatura presencial ao invés de discutir os problemas reais do povo e como resolvê-lo”, disse Raquel Lyra.

Questionada sobre sua relação com o governo federal, Raquel Lyra relembrou ter dito que, assim que venceu as eleições - contra a candidata apoiada pelo líder petista, a ex-deputada federal Marília Arraes (Solidariedade) -, iria procurar o presidente eleito para buscar recursos para o Estado.

“Eu tenho sido muito bem recebida tanto pelo presidente Lula como pelos seus ministros. A gente tem apresentado um plano de investimentos que está sendo objeto de análise pelo Ministério da Casa Civil e pelos ministério finalísticos. O que nós queremos é garantir as parcerias, inclusive associando contrapartidas de recursos, fazendo projetos para permitir tirar obras do papel”, afirmou a governadora, evitando cravar se se considera ser aliada do presidente Lula.

Bolsonarismo

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, também evitou associar-se ao bolsonarismo, mesmo tendo indicações em seu governo feitas pelo partido do ex-presidente, o PL. Ao explicar a escolha pela secretária de Educação, Ivaneide Dantas, apontada como uma indicação do ex-prefeito de Jaboatão e ex-candidato a governador Anderson Ferreira, a governadora se apressou em explicar que conheceu a auxiliar na gestão do ex-governador Eduardo Campos.

“Ela foi convidada pela sua trajetória para que pudesse nos ajudar a fazer Pernambuco conseguir enxergar melhor os municípios e superar os desafios do analfabetismo”, disse a chefe do Executivo.

Em seguida, Raquel declarou que o PL tem indicação no seu governo, mas que a composição da sua gestão tem sido baseada nos perfis com formação técnica, mas com sensibilidade política. “Eu não perguntei em que partido cada um tinha votado para ocupar os cargos que ocupam”, declarou.

Ainda durante a entrevista, Raquel Lyra também foi questionada sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, que será retomado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (28) e que pode torná-lo inelegível por oito anos. Se, em caso de condenação, de que forma poderia ser bom ou ruim para a ideia de construir uma terceira via pelo PSDB.

A governadora evitou se aprofundar nesse assunto, afirmando apenas que não passa pelo exercício de fortalecimento do partido, ou de uma proposição de uma terceira via, a torcida pela inelegibilidade ou não de um ex-presidente. Ela disse, inclusive, que não faria qualquer pré-julgamento, mas que, se houver uma correlação das acusações com os atos do dia 8 de janeiro, “que ele responda pelos seus atos”.


ELEIÇÕES

Sobre o futuro do PSDB, que nos últimos anos encolheu em termos de representações não só no Congresso Nacional mas nos Estados e municípios - hoje, a sigla tucana comanda os estados de Pernambuco, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul -, Raquel Lyra avaliou o nome de Eduardo Leite para a disputa presidencial em 2026.

“Hoje, Eduardo Leite tem uma grande missão de liderar a refundação do partido, uma volta aos seus valores, a uma compreensão de que país a gente quer e qual projeto que vamos apresentar para o Brasil”, afirmou.

Para Raquel Lyra, o correligionário é um nome legítimo e que tem condições de disputar a presidência, mas que ainda seria cedo para fazer previsões sobre possíveis cenários. Adotou o mesmo posicionamento sobre as eleições municipais.

No caso de Caruaru, o prefeito Rodrigo Pinheiro (PSDB) já iniciou as articulações políticas para sua reeleição. Inclusive, nesta semana, ele deverá anunciar o apoio do ex-vereador e presidente do PSB no município, Marcelo Gomes.

O dirigente socialista é opositor ao governo Raquel Lyra, mas ainda não se sabe de que forma ele poderá compor o governo de Rodrigo, que foi vice de Raquel Lyra nas eleições de 2016 e de 2020. A governadora afirmou apenas que o prefeito de Caruaru é do PSDB e que fará de tudo por sua cidade, pela melhoria da qualidade de vida da população, assim como fará por todas as cidades que, segundo ela, sofreram a ausência do Governo do Estado nos últimos anos.

Com relação ao Recife, ela também evitou cravar apoios. Na cidade, o principal candidato é o prefeito do Recife, João Campos, que vai disputar o segundo mandato. “Vou me permitir deixar a discussão sobre nomes para o ano que vem”.

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