PROJETO DE LEI

Diante de conflitos e articulações, Raquel tem vitória na Alepe sobre salário de militares

O projeto original do Executivo foi aprovado com 41 votos

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Tainá Alves

Publicado em 07/05/2024 às 20:08 | Atualizado em 07/05/2024 às 20:48
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Após 63 dias de discussões conturbadas, nesta terça-feira (7) ocorreu a votação pelo fim das faixas salariais dos policiais e bombeiros militares na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Em votação, o projeto original do Executivo foi aprovado com 41 votos a favor e um voto contra, dando evidência a uma vitória significativa da governadora Raquel Lyra (PSDB) - que vinha travando um embate inclusive com aliados do governo.

O apoio da maioria ao projeto de Raquel deu-se em função do receio de deixar sem reajuste salarial os militares. Como o substitutivo e emendas não passaram na Casa, não aprovar o texto original levaria os parlamentares a um desgaste com a categoria - que ficaria a ver navios em relação a alguma reestruturação dos vencimentos.

A governadora também se mobilizou em torno da busca de votos favoráveis, abrindo espaço para cargos no governo e rompendo alianças com parte da sua base que 'traiu' os interesses da gestora ainda nas votações em comissões.

O único voto contrário foi do deputado Romero Albuquerque (União). Segundo ele, "em protesto à chefe do Executivo Estadual".

Marcaram presença na Casa 44 dos 49 deputados. O parlamentar Gilmar Júnior (PV) está licenciado, por isso não compareceu. Já José Patriota (PSB), Júnior Tércio (PL), Jarbas Filho (MDB) e Dani Portela (PSOL) não compareceram, os motivos das ausências até o momento não foram informados.

Os deputados Kaio Maniçoiba (PP) e Mário Ricardo (Republicanos) não computaram votos durante a votação em segunda discussão do projeto.

A bancada petista na Alepe, composta pelos parlamentares Doriel Barros, João Paulo e Rosa Amorim, votou a favor do projeto original, no que pode ser considerado um aceno dos petistas ao governo de Raquel Lyra.

O apoio petista levantou discussões com outros parlamentares, que não viram o voto a favor como algo positivo.

Durante a votação da emenda do proposta pelo deputado Mário Ricardo (Republicanos), o deputado Abimael Santos (PL), ao defender a emenda, atacou os parlamentares petistas por estarem votando favoráveis ao posicionamento do governo estadual.

"O PT é contra os trabalhadores. Estão vendo que eles estão fazendo?", disse o parlamentar se dirigindo para a plateia de polícias e bombeiros que acompanhavam a votação. Oparlamentar também afirmou que "Raquel estava fazendo birra", por não aceitar as emendas da Casa.

Inconformado com as palavras do colega de legislatura, João Paulo decidiu rebater, afirmando que "o PT está transformando o Brasil" e "não entender o ódio da classe".

ESVAZIAMENTO

Após todas a emendas da Casa serem derrubadas, os polícias e bombeiros que assistiam começaram a esvaziar as galerias, que antes estavam lotadas. O presidente da Alepe, Álvaro Porto (PSDB), afirmou que ,diante do caso, o indicado era votar a favor.

"Os deputados buscaram melhorar o projeto, votarei sim, pois é a opção que temos para trazer alguma melhoria para a classe. Esse a casa não é de partido político e sim em melhorias para Pernambuco", disse Porto.

O deputado Diogo Moraes (PSB) fez questão de destacar que votar sim no projeto do Executivo, "não era atender pedidos de bolsonaristas ou do partido".

"Precisamos votar sim, já que não conseguimos a aprovação das emendadas que queríamos pelos menos temos que votar a favor de alguma melhoria para classe", explicou.

RECONHECIMENTO PARA APROVAÇÃO

Inicialmente, a deputada Gleide Ângelo, que defendia a derrubada do texto, afirmou que a aprovação do projeto sem as emendas propostas pelos parlamentares não era uma derrota e afirmou que continuaria lutando pela classe.

"Combatemos o bom combate. Fomos até o final lutando para que as faixas fossem extintas em 2025. Todo mundo viu quantas emendas a gente colocou, o substitutivo e chegou até o plenário e, mais uma vez, fomos derrotados por 26 a 16. Então, não tinha outra alternativa, a não servotar no projeto do governo do Estado. Ele é a melhor opção? Claro que não, mas é a única que tinha", disse a delegada.

Além disso, Gleide fez questão de enfatizar que era possível para o executivo fazer com que as faixas fossem extintas em 2025. "Que seja extinto em 2026, do que não ser extinto nunca", apontou.

Alberto Feitosa afirma preocupação com o resultado da votação

Questionado sobre o sentimento após a votação e os próximos passos para beneficiar a categoria o deputado externou preocupação, embora tenha votado a favor do projeto.

"Existe uma insatisfação generalizada no seio da tropa, dos bombeiros e dos policiais. Precisamos que essas pessoas se sintam valorizadas, reconhecidas, então aqueles que estão ali radicando suas vidas, que confiaram a palavra numa candidata que ia extinguir as fases salariais do ano 2023, empurrou isso para 2026", disse o parlamentar.

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