"A gente conseguiu mostrar que dá pra fazer um autêntico forró na Globo, em pleno século 21", diz Fulô de Mandacaru

Romero Rafael
Romero Rafael
Publicado em 23/06/2016 às 10:39
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A banda Fulô de Mandacaru, que domingo (26) disputa a final do SuperStar, faz shows em Agrestina e Campina Grande, nesta quinta-feira (23). Cedo da sexta (24) parte para o Rio de Janeiro, para participar do Encontro, com Fátima Bernardes. Volta logo após o programa e grava, ainda nesta sexta, DVD de 15 anos de carreira, em Caruaru; depois emenda uma apresentação em Bonito... Terminada a agenda, pega novamente voo para o Rio, sábado (25), para ensaiar pra final.

A exposição do grupo no reality fez a agenda quadruplicar: há datas do 2º semestre já reservadas para shows em São Paulo, no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Brasília. O foco é conquistar o Sudeste - eles enxergam como uma oportunidade de mostrar o Nordeste de hoje e revelar as mudanças ocorridas na região, sobretudo comparando à época de Luiz Gonzaga, quando o Nordeste foi propagado para todo o País. "Tem que fazer uma análise histórica profunda: o quadro econômico-político-cultural reverteu, mas a gente ainda sofre preconceito de quem não conhece o Brasil; a ignorância", reflete Armandinho do Acordeon, à frente da Fulô de Mandacaru junto com o irmão, Pingo Barros, e Bruno Mattos. Armandinho também considera que é necessário apresentar Luiz Gonzaga às gerações posteriores ao artista - e não só ele, mas também gente como Marinês e Dominguinhos.

Questionado se concorda que há uma desvalorização do forró tradicional - crítica feita por Alcymar Monteiro, por exemplo, em relação ao São João de Caruaru - para uma valorização da "fuleiragem" - com artistas como Wesley Safadão - ele responde que "é preciso respeitar a diversidade" e que "o sol deve brilhar pra todo mundo". E continua: "A gente acredita que mesmo a cultura popular, que é do povo, precisa se renovar; o trabalho pode ser contemporâneo sem perder a identidade. A gente tem uma concepção genuína de forró, mas mistura com o erudito, o rock... Nos nossos shows têm tecnologia...". Recorre, no entanto, à preservação do que é tradicional para falar do orgulho em ter alcançado a final do programa: "A gente conseguiu mostrar que dá pra fazer um autêntico forró na Globo, em pleno século 21, e chegar à final, de chapéu de couro, lenço no pescoço e sandália de rabicha”.

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