"Aprendi que uma primeira-dama não é uma simples figura ilustrativa", diz Cristina Mello

ROMERO RAFAEL
ROMERO RAFAEL
Publicado em 18/09/2016 às 6:00
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A série de entrevistas com os companheiros dos candidatos à Prefeitura do Recife - leiam-se cinco possíveis primeiras-damas e um possível primeiro-cavalheiro - segue com a atual primeira-dama da cidade, a médica Cristina Mello, de 43 anos, companheira do prefeito Geraldo Julio, candidato à reeleição pelo PSB. Foto: Andréa Rêgo Barros/Divulgação

Pra você, qual é a importância da companheira durante a campanha? Ela ajuda a vencer uma eleição?

Eu avalio a importância do companheirismo de um casal em um sentido mais amplo, e isso significa dizer que vejo que se estende para todas as questões da vida do meu marido. Admiro muito Geraldo como homem e como profissional, sei do seu comprometimento e seriedade em tudo o que faz. Com a família e com o trabalho ele sempre foi assim.

Neste período de campanha eleitoral todo apoio afetivo é muito importante. Estar perto de pessoas que confiam em você te fazem sentir mais confiante; é primordial. E é isso que tento passar para Geraldo, a tranquilidade que ele precisa ter para saber lidar com tudo o que pode surgir de desafio, o incentivo para fazer com que ele se empenhe cada vez mais e o carinho para as horas de cansaço, pra que ele se encha de fé, erga a cabeça, continue, acredite.

Qual é, hoje, o papel da primeira-dama?

Eu tenho uma relação muito tranquila com Geraldo, de diálogo sobre questões que acho pertinentes, coisas que acho que precisam ser vistas na gestão e repensadas. Acho importante a presença da primeira-dama em atos, eventos e ações municipais sendo ela uma coadjuvante do processo. Aprendi, ao longo desses quatro anos, que uma primeira-dama não é uma simples figura ilustrativa, como muitos pensam. Precisamos nos sensibilizar com as demandas e dificuldades das pessoas e olhar o todo, colocando-se sempre no lugar do outro, não sendo maior do que ninguém pelo fato de estar num cargo de destaque.

As pessoas estão muito descrentes e precisamos fazer valer a pena cada momento de nossa vida, e tenho certeza que hoje me considero uma pessoa melhor do que ontem, pois minha perseverança, minha fé em Deus, aumenta a minha força de trabalho para junto com Geraldo fazer a mudança na vida de quem mais precisa.

Como conciliam família, trabalho e vida pública?

Geraldo é um homem muito trabalhador, mas muito tranquilo, muito família. Mesmo com todas as demandas da vida pública e as exigências do seu cargo ele sempre foi um marido e um pai muito presente. Em tudo! Nas atividades escolares das crianças, nos nossos momentos de lazer, de descanso. E sempre nos divertimos muito. Como casal, como família. Adoramos encontrar nossos amigos e familiares em diversas ocasiões, então nossa vida social não se restringe aos compromissos que ele tem como prefeito ou que eu tenho como primeira-dama. Somos antes de tudo cidadãos, família, e valorizamos muito isso.

Na tradição, a atuação da primeira-dama está ligada à assistência social. Qual causa você abraça?

Todas as causas sociais são importantes, ao meu ver. Todas. Temos inúmeros projetos, poderia passar um dia conversando sobre eles, o Mãe Coruja, o Transforma Recife, os nossos bailes beneficentes que já ajudaram dezenas de instituições carentes de nossa cidade, beneficiando milhares de pessoas. Mas como sou da área de saúde e trabalho com medicina infantil, naturalmente, os projetos e ações que dialogam com essas áreas me tocam muito. Como sou cardiologista infantil do SUS, em atividade, me deparo com as necessidades da saúde pública todos os dias. Tive experiências que me ajudaram a criar as condições para travar uma batalha que considero muito importante em minha profissão, que é a luta contra a febre reumática, uma doença negligenciada, muito prevalente em nosso meio e que consegue limitar e até destruir a vida de tantas crianças e adolescentes. Em 2013, por exemplo, estive à frente da elaboração do Programa de Prevenção Secundária da Febre Reumática, implantado pela Prefeitura do Recife, iniciativa pioneira no Brasil. O programa já treinou 2,8 mil profissionais para oferecer informações sobre prevenção e tratamento adequado nas Unidades de Saúde do município, bem como garantir o fornecimento e aplicação da penicilina benzatina ao paciente. Um dos meus objetivos é fortalecê-lo cada vez mais.

Na gestão municipal, ainda, os projetos que envolvem a atenção à saúde, principalmente as Upinhas, as UPAs especialidades e o Hospital da Mulher, referência em saúde e em arte, que conseguimos humanizá-lo não só com as pessoas que trabalham lá mas também com arte e beleza, através das doação dos quadros de nossos talentosos artistas plásticos valorizando assim o seu trabalho. Um outro ponto importante e que estamos aperfeiçoando são as políticas para a primeira infância, fazendo com que funcionem bem, de uma forma integrada, sobretudo na assistência mais ampla e com olhar diferenciado para o desenvolvimento de crianças e adolescentes com necessidades especiais, portadoras de doenças raras de uma maneira geral. Acredito muito numa transformação da qualidade da saúde que oferecemos e já vejo sinais de que estamos avançando em muitas coisas para que o Recife tenha um serviço mais qualificado, oferecendo o que há de melhor para quem mais precisa.

Há uma primeira-dama que lhe seja referência?

Seria injusto falar de uma mulher apenas, quando admiro várias. Mulheres que estão na função de primeira-dama, mulheres com quem atuo no trabalho, mulheres da minha família, as mães que atendo, as que estão no meu dia a dia me ajudando em casa. São várias, e cada uma delas tem a sua importância. Em cada uma delas vejo uma qualidade que quero trazer para mim enquanto ser humano. Sou uma mulher feita de referências de várias mulheres. E fico muito feliz por ver que as pessoas estão cada vez mais entendendo o nosso espaço, reconhecendo nossos valores, cultivando ainda mais o respeito. Minhas referências são essas mulheres fortes, que continuam firmes quebrando barreiras e preconceitos, e que estão cada vez  mais cientes de suas potencialidades.

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