Dia das Crianças: entre o tecnológico e o lúdico

Samantha Oliveira
Samantha Oliveira
Publicado em 12/10/2019 às 11:00
O equilíbrio entre tecnologia e brincadeiras é essencial (Foto: Reprodução/PixaBay)
O equilíbrio entre tecnologia e brincadeiras é essencial (Foto: Reprodução/PixaBay)
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Quando se fala nas crianças da atualidade, o mais comum de ouvir das gerações mais velhas foi que essas nasceram "grudadas no celular". O fato é: o mundo já não está mais criando Millenials (nascidos entre os anos 80 e 90) e a Geração Z (dos anos 90 até 2009) já está deixando de ser criança de fato. Nascidos a partir de 2010, a Geração Alpha já é marcada pelo protagonismo da tecnologia em suas vidas. No entanto, essa característica não pode ser interpretada como algo maléfico. A prova disso são inúmeros canais no Youtube e jogos educativos que tem feito parte do cotidiano dos pequenos. 

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 O contato de crianças com ferramentas tecnológicas, como smartphones e tablets tem mudado a forma como se realiza o processo de aprendizado e até mesmo o desenvolvimento infantojuvenil. Prova disso é um estudo da Kantar IBOPE Media divulgou que, ao longo dos últimos 10 anos, a compra de brinquedos e jogos educativos cresceu 37% entre o público.

Enquanto isso, 41% dos pais entrevistados também reconhecem que os filhos influenciam nas compras de casa.  A presença desses elementos tem aumentado o poder de decisão das crianças que influencia desde a educação até os padrões de consumo. 

Lúdico

Para os pais, conciliar o uso excessivo de ferramentas tecnológicas parece ser um trabalho difícil, quase impossível. Porém, é através da criatividade e até mesmo um resgate a “antigamente” que é possível chegar a um equilíbrio. A mestre em saúde da comunicação humana e fonoaudióloga Camila Queiroga dá dicas de como envolver o lúdico e o moderno.

“Não podemos excluir totalmente o uso da tecnologia, porque essas crianças já nasceram em um mundo globalizado, mas os pais precisam entender qual o equilíbrio no sentido de como é mais saudável para os filhos", explica. A especialista ainda aconselha um trabalho em conjunto entre pais e filhos, adaptando brincadeiras antigas com o cotidiano mais moderno das crianças. "Pensando em diminuir o uso desses equipamentos na rotina da criança, é possível fazer direcionamento para o resgate de brincadeiras antigas”, completa.

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Recomendações

Não apenas o tempo, mas a forma com que as crianças interagem com os eletrônicos deve ser orientada pelos pais. Em outubro do ano passado, a Academia Americana de Pediatria divulgou oficialmente recomendações sobre o limite da exposição dos pequenos a qualquer tipo de mídia, seja televisão, internet, smartphones ou videogames.

A orientação é que, a partir dos 18 meses de idade as crianças comecem a ter contato com esses aparelhos por no máximo 1h. Com o passar do tempo e da idade, o tempo de uso deve ir aumentando progressivamente mas ainda com o controle dos pais, como explica a psicopedagoga Angélica Portela.

“Na primeira infância a vivência com a tecnologia deve existir sempre na tentativa de ensinar algo e nunca substituir as experiências reais e concretas que a criança precisa vivenciar. Desta forma é que o conhecimento se fixa”, expõe. A psicopedagoga pontua a importância dos estímulos de um ambiente externo para a formação da personalidade e o aperfeiçoamento da linguagem da criança. “O tempo maior que a criança passa em frente à tela dificulta o desenvolvimento da empatia e do autocontrole e a capacidade de lidar com relacionamentos”, alerta.

Para os pais e mães, a tecnologia também pode ser uma aliada para a reflexão sobre o uso dela. Afinal, está cada vez mais comum encontrar pais que compartilham não apenas a vida pessoal através das redes sociais, mas também conectam experiências e dicas para o desenvolvimento de uma criança saudável. A educadora parental Meiri Silva é um desses exemplos, que relata seu cotidiano com Joaquim e aborda sobre temas relacionados à infância.

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Benefícios

A facilidade com que as crianças tem acesso e o desenvolvimento do hábito com plataformas digitais é amplamente discutida entre especialistas, e geralmente recai sobre o senso comum de "estragar a infância". Porém, é necessário repensar o ideal de infância que está sendo construído sobre esses pequenos.

Entre os benefícios, uma nova forma de aprendizado através das plataformas digitais como Youtube; ferramentas acessíveis para crianças com algum tipo de deficiência e o estímulo à comunicação e à pesquisa, gerando assim mais autonomia.

De maneira geral, existem muitos pontos positivos na internet para o desenvolvimento infantil. Músicas, vídeos e jogos educativos em conjunto a atividades e experiências ao ar livre ajudam a compor um equilíbrio para um desenvolvimento saudável, que une o moderno e o 'clássico'.

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