Leandro Narloch é demitido pela CNN Brasil por causa de comentário homofóbico

Romero Rafael
Romero Rafael
Publicado em 10/07/2020 às 19:42
O jornalista e escritor Leandro Narloch - Foto: reprodução
O jornalista e escritor Leandro Narloch - Foto: reprodução
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O jornalista Leandro Narloch, que integrava o time de profissionais da CNN Brasil, foi demitido pelo canal após comentário homofóbico em que relacionou homossexuais a HIV e promiscuidade, dois preconceitos contra os quais a comunidade LGBTQIA+ luta há anos. A decisão foi tomada pelo conselho da emissora, de acordo com o colunista de TV do UOL Fefito.

Ao comentar sobre a recente decisão dlo Supremo Tribunal Federal (STF) liberando gays para doação de sangue, Leandro Narloch falou "opção sexual" - termo carregado de ignorância - em vez de orientação sexual, uma vez que, como se sabe, não há escolha na orientação sexual de cada pessoa.

No mesmo comentário, Leandro Narloch centrou o problema da contaminação do vírus HIV na população homossexual - que é um pressuposto carregado de preconceito e já ultrapassado -, e foi ignorante quanto à diferença entre HIV, o vírus, e aids, a doença causada pelo vírus. "Os homens gays têm muito mais chance de ter aids", disse ele no programa.

Narloch usou, ainda, a expressão "comportamento promíscuo" quando falava sobre gays, revelando preconceito em seu discurso. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, uma pessoa é considerada promíscua se tiver dois parceiros sexuais em menos de seis meses; quatro por ano. É, certamente, um comportamento que não se restringe aos homens gays.

"A CNN Brasil comunica que decidiu rescindir o contrato do jornalista e escritor Leandro Narloch. A empresa agradece pelos serviços prestados no período em que ele fez parte de nossa equipe de analistas e deseja sucesso no seguimento da carreira", diz a nota enviada pelo canal a Fefito.

SAIBA MAIS: O que significa cada letra da sigla LGBTQIA+

O que mostra o Boletim Epidemiológico

Sobre as pessoas infectadas pelo vírus HIV no Brasil, Fefito fez a seguinte pesquisa: "De acordo com o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, entre 2007 e 2019, 248.520 pessoas (homens e mulheres) se infectaram no país pelo vírus HIV a partir de relações sexuais. Destas, 105.014 eram LGBT+. Isso representa 42% do total. Ou seja: 58% dos infectados, a maioria, era heterossexual".

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