Pedro Cardoso pede que deixem de segui-lo no Instagram; entenda o que o ator propõe

ROMERO RAFAEL
ROMERO RAFAEL
Publicado em 10/08/2020 às 16:55
Pedro Cardoso - Foto: reprodução
Pedro Cardoso - Foto: reprodução
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O ator Pedro Cardoso, que há um tempo vem publicando análises e comentários lúcidos sobre a política brasileira e o cotidiano do País, surpreendeu seus seguidores no Instagram, na manhã desta segunda (10), com um pedido avesso à prática mais comum naquela rede social, que é a de aumentar o número de seguidores. "Gostaria de pedir a todos que me seguem que deixassem de me seguir", escreveu o ator. No texto-legenda, ele diz que se trata de "um pedido que tem um sentido político" e de "valor simbólico". "Não quero ter seguidores, nenhum!"

Ainda na manhã desta segunda, poucas horas depois da publicação, Pedro Cardoso era seguido por 584 mil seguidores; já enquanto publicava este post, 572 mil. A postagem acumula quase 60 mil curtidas e cerca de 4,5 mil comentários.

Pedro Cardoso deixa claro que vai manter a conta, as postagens e que permanecerá publicando, mas seu desejo é que as pessoas, ao quererem lê-lo, visitem o perfil, ao invés de receber a publicação no feed da rede social. "[Gostaria de pedir a todos que] continuassem a me ler eventualmente quando, por alguma saudade, tiverem curiosidade de compartilhar inquietações sobre o Brasil e seu nazifascismo surpreendente."

O ator também deixará de seguir 1.300 perfis. A meta é zerar o número de seguidores e seguidos. "Apenas acho que seria lindo a minha conta de Instagram não ter nenhum seguidor, seguir a ninguém, e ser lida por iniciativa específica de busca a cada publicação. Ser menos lida e melhor lida".

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As motivações

O motivo do pedido de Pedro Cardoso é um drible no algoritmo do Instagram, que diz respeito a como a rede social é programada e como interfere nas relações que ali se cruzam. "A razão do meu pedido é simples: enfrentar o mecanismo de funcionamento destas redes antissociais. Tudo aqui se move impulsionado pela ação de seguir e ser seguido; formando assim grupos de semelhantes, quando não, de iguais. Ao deixarmos de seguirmos uns aos outros, enfrentamos a lógica do negócio e, embora não o vamos impedir de todo - pois a máquina sempre saberá quem temos visitado -, teremos criado uma dificuldade para os donos desse lugar desonesto onde estamos presos".

Mas, vigora, sobretudo, um sentido político, que Pedro Cardoso esclarece: "A reconstrução da nossa sociedade a partir da oposição absoluta ao nazifascismo que se revelou em nós terá que se dar em minifúndios afetivos antes de arvorar-se num movimento de abrangência total. Não pretendo, portanto, fazer nada maior do que o nosso tamanho aqui. Apenas acho que seria lindo a minha conta de Instagram não ter nenhum seguidor, seguir a ninguém, e ser lida por iniciativa específica de busca a cada publicação. Ser menos lida e melhor lida; recusar o íncubo nazifascismo do próprio funcionamento comercial para o qual as redes antissociais foram concebidas".

Leia na íntegra o texto publicado por Pedro Cardoso:

"Bom dia.
Gostaria de pedir a todos que me seguem que deixassem de me seguir. E continuassem a me ler eventualmente quando, por alguma saudade, tiverem curiosidade de compartilhar inquietações sobre o Brasil e seu nazifascismo surpreendente.

A razão do meu pedido é simples: enfrentar o mecanismo de funcionamento destas redes antissociais. Tudo aqui se move impulsionado pela ação de seguir e ser seguido; formando assim grupos de semelhantes, quando não, de iguais. Ao deixarmos de seguirmos uns aos outros, enfrentamos a lógica do negócio e, embora não o vamos impedir de todo - pois a máquina sempre saberá quem temos visitado -, teremos criado uma dificuldade para os donos desse lugar desonesto onde estamos presos.
Eu deixarei também de seguir a todo mundo. Ninguém se ressinta. Continuarei a ler os amigos que fiz aqui, sem a mesma assiduidade talvez, mas com maior atenção até.

Não quero ter seguidores, nenhum! É um pedido que tem um sentido político, como tudo o que faço aqui. Terá, e unicamente, um valor simbólico e restrito, de alcance proporcional à pequenez da nossa fraterna comunidade; e essa é a sua fragilidade e a sua força. A reconstrução da nossa sociedade a partir da oposição absoluta ao nazifascismo que se revelou em nós terá que se dar em minifúndios afetivos antes de arvorar-se num movimento de abrangência total. Não pretendo, portanto, fazer nada maior do que o nosso tamanho aqui.

Apenas acho que seria lindo a minha conta de Instagram não ter nenhum seguidor, seguir a ninguém, e ser lida por iniciativa específica de busca a cada publicação. Ser menos lida e melhor lida; recusar o íncubo nazifascismo do próprio funcionamento comercial para o qual as redes antissociais foram concebidas. Percebem, amigos, a minha intenção?
Peço e agradeço que colaborem comigo. Vejamos quanto tempo levará até esvaziarmos de seguidores a minha conta de Instagram. E quanto tempo eu levarei para não seguir mais ninguém.
Então? Pelo bem da revolução, em prol da democracia real, deixem de me seguir e continuem a me ler! ??

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