"Meu nome é Elliot Page", diz ator, em carta, identificando-se como homem trans

Romero Rafael
Romero Rafael
Publicado em 01/12/2020 às 16:16
Elliot Page - Foto: reprodução
Elliot Page - Foto: reprodução
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Elliot Page publicou uma carta, nas redes sociais, em que se identifica como um homem trans. A revelação feita pelo ator, que era conhecido como Ellen Page, tem a ver com a sua identidade de gênero; ou seja, como a pessoa se expressa no mundo - se como mulher, homem, os dois ou nenhum dos dois.

 

Page é conhecido pelo papel principal no filme "Juno", trabalho pelo qual recebeu indicações a Melhor Atriz no Globo de Ouro e Oscar, e também pela Lince Negra em "X-Men: Dias de um Futuro Esquecido". À época de ambas as produções, assinava como Ellen Page e se identificava como uma mulher cisgênero.

 

Do ponto de vista da identidade de gênero, cisgênero é a pessoa que se identifica com o gênero ao qual foi designada no nascimento, o chamado sexo biológico; enquanto que transgênero é a pessoa que se identifica com o gênero oposto, como é o caso de Elliot Page, ou que transita entre eles.

 

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"Olá, amigos, quero compartilhar com vocês que sou trans, meus pronomes são ele/eles, e meu nome é Elliot. Eu me sinto sortudo por poder escrever isso. Por estar aqui. Por ter chegado neste ponto da minha vida", diz Elliot Page no início da carta.

 

"Sinto uma enorme gratidão pelas pessoas incríveis que me apoiaram ao longo desta jornada. Não consigo expressar como é notável finalmente amar quem eu sou o suficiente para seguir o meu autêntico eu. Tenho sido infinitamente inspirado por tantos na comunidade trans. Obrigado pela coragem, generosidade e o trabalho incessante para tornar este mundo mais inclusivo e compassivo. Eu vou oferecer o apoio que eu puder e continuar a lutar por uma sociedade mais amorosa e igualitária", escreve Elliot Page, em agradecimento.

 

O ator, no entanto, também fala do medo do que pode sofrer por assumir-se uma pessoa trans. "Minha alegria é real, mas também é trágica. A verdade é que, apesar de me sentir profundamente feliz agora, e sabendo o quanto de privilégio eu carrego, também estou com medo. Estou com medo da invasividade, do ódio, das piadas e da violência", diz Elliot Page. "As estatísticas são impressionantes. A discriminação contra pessoas trans são abundantes, insidiosas e cruéis, resultando em consequências horríveis. Só em 2020, pelo menos 40 pessoas transexuais foram assassinadas, a maioria delas era mulher trans negra e latina", diz referindo-se a números nos EUA.

 

"Para os líderes políticos que lutam para criminalizar o atendimento de saúde às pessoas trans, negando o nosso direito de existir, e para todas as pessoas que continuam usando suas plataformas enormes para falar coisas hostis às pessoas trans: vocês têm sangue em suas mãos. Vocês incentivam uma onda de ódio vil e humilhante que cai sobre os ombros da comunidade trans, onde 40% dos adultos já tentaram suicídio. Chega! Você não está sendo 'cancelado', está machucando pessoas. Eu sou uma dessas pessoas, e nós não ficaremos calados diante desse tipo de ataque."

 

Elliot Page finaliza falando do seu orgulho por ser uma pessoa trans: "Eu amo ser trans. Eu amo ser queer. Quanto mais me aproximo do meu eu verdadeiro e o abraço, mais posso sonhar, mais meu coração cresce, e mais eu prospero. Para todas as pessoas trans que lidam com assédios, problemas de autoestima, abuso e ameaças de violência todos os dias: eu vejo vocês, eu amo vocês e farei de tudo para mudar o mundo para melhor".

 

Elliot Page integra o elenco da série da Netflix "The Umbrella Academy" e dirigiu o documentário sobre homofobia "Gaycation", para o qual veio ao Brasil e entrevistou Bolsonaro. À época das Eleições de 2018, ele escreveu no Twitter: "Eu entrevistei Jair Bolsonaro para o 'Gaycation'. Ele é um homem perigoso, homofóbico, racista e misógino, que atualmente lidera a corrida presidencial no Brasil". Já no Instagram, postou um card em que se lê "Ele não".

 

 

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