Primeira-dama do Recife, Cristina Mello se despede com "Carta de gratidão" aos recifenses

Social1
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Publicado em 31/12/2020 às 11:08
Cristina Mello
Cristina Mello
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Carta de gratidão de uma Primeira Dama ao seu povo

Esperava ansiosa a chegada desse momento, sensação de alívio, de ter minha vida de volta, de ter cumprido uma missão. É, esse dia tão esperado chegou e com ele uma mistura de sentimentos turbilhonando minha mente e meu coração de forma arrebatadora. Estou profundamente saudosa e emocionada com tanta demonstração de carinho e amizade.

Ter me tornado Primeira Dama do Recife e Geraldo Prefeito, nos trouxe muito sacrifício. Abrimos mão dos nossos projetos pessoais, nossos filhos cresceram no meio da confusão numa velocidade que não imaginei e muitas vezes fomos julgados de uma forma inconsequente por alguns que não conhecem verdadeiramente nossa essência e em nada se mobilizam para trabalhar em prol do outro. Mas, tudo isso é superado porque o nosso propósito em servir ao próximo e “ Inaugurar vida na vida das pessoas” é maior e nos trouxe uma plenitude imensa.

Não sei se alguém já se perguntou sobre o que vou falar agora… Mas o que há por trás de um sorriso? Há vários desafios, momentos de dúvida, medo e incertezas. Muitas vezes se engole o choro, porque o choro de alguém é mais desesperador que o seu. Por trás de um sorriso há sonhos, idéias e o desejo de um mundo digno para se viver.

Por trás de um sorriso há o encantamento de poder levar ações para uma minoria que não tem oportunidade de se fazer grande. Gente que luta diariamente para conseguir ao menos um prato de comida. Gente que cuida de gente. Um povo guerreiro que atravessa as dificuldades da vida e, espera , espera, espera … espera para ser feliz. Mas o que é felicidade? Onde a buscamos? Nada mais, nada menos, em um simples momento, um minuto que seja , em nosso lar, em uma rua, em uma praça, em um palco…

Vivemos tempos difíceis, tempos desafiadores. Vivemos num tempo em que o amor de alguém foi levado por um inimigo invisível subestimado por muitos e quem deveria estar tomando decisões importantes para salvar vidas no nosso país é omisso, negligente. Vivemos um tempo no qual, cada um tem sua pretensa verdade. Um tempo de esquecimento de valores éticos, um tempo onde o projeto de poder é mais valioso que o bem coletivo.

Em determinados momentos questiono se o mundo evoluiu mesmo? Pois as velhas práticas e as velhas discursões ainda são tão corriqueiras e não chega a lugar algum. Tempos que nos impõem sermos resilientes, perseverantes e acima de tudo solidários. Tempos em que nossa fé em Deus precisa se agigantar. O mundo pede união, a natureza pede socorro e é nossa missão cuidar uns dos outros. A responsabilidade de uma sociedade mais fraterna está sim em nossas mãos. Nosso povo precisa cada vez mais de educação, saúde, segurança. Nosso povo precisa de livros, não de armas.

Nosso povo precisa que se chegue junto. Precisa de Mais Vida nos morros, nas ruas, nas praças. Precisamos Pertencer a um lugar, onde as diferenças de cor, gênero não deva existir. Respeito ao ser humano é a palavra chave. Somos convocados diariamente a transformar a sociedade e sermos agentes de paz, sair da nossa zona de conforto e adentrar na dor do outro, seja por políticas públicas ou ações pessoais. Acredito nessa obrigação, pois quando um dia não estivermos mais aqui, o que restará é a nossa história.

Que futuro teremos a partir de agora? Nossa cidade dando exemplo. Me orgulha dizer que, em Recife, tem gente de bem que se une para mostrar ao Brasil e ao mundo que aqui sonhos se transformam em realidade. Aqui, a formação do ser é maior que do ter, aqui se tem empatia, aqui se tem compromisso com uma sociedade mais justa e igualitária. Aqui, o futuro se faz no agora através do trabalho e suor de cada cidadão.

Depois de tudo que testemunhei em vários bairros que visitei, de Boa Viagem ao Chié, Nova Descoberta, Ibura, Madalena, Afogados, Bongi, Santa Luzia, Alto do Pereirinha, Coqueiral, Caíque, Caiara e tantos outros, lembrei de compartilhar uma crônica da escritora Socorro Acioli que recebi um dia de uma grande amiga. Esse texto consegue descrever o meu sentimento em relação a tudo que aprendi nesses 8 anos. Gratidão ao meu povo recifense que me inspira todos os dias a ser alguém melhor. À todos que depositaram sua esperança na minha família, meu muito obrigada e um feliz tempo novo com a chegada de 2021.

"Sobre os felizes"

Existem pessoas admiráveis andando em passos firmes sobre a face da Terra. Grandes homens, grandes mulheres, sujeitos exemplares que superam toda desesperança. Tenho a sorte de conhecer vários deles, de ter muitos como amigos e costumo observar suas ações com dedicada atenção. Tento compreender como conseguem levar a vida de maneira tão superior à maioria, busco onde está o mistério, tento ler seus gestos e aprendo muito com eles.

De tanto observar, consegui descobrir alguns pontos em comum entre todos e o que mais me impressiona é que são felizes. A felicidade, essa meta por vezes impossível, é parte deles, está intrínseco. Vivem um dia após o outro desfrutando de uma alegria genuína, leve, discreta, plantada na alma como uma árvore de raízes que força nenhuma consegue arrancar.

Dos felizes que conheço, nenhum leva uma vida perfeita. Não são famosos. Nenhum é milionário, alguns vivem com muito pouco, inclusive. Nenhum tem saúde impecável, ou uma família sem problemas. Todos enfrentam e enfrentaram dissabores de várias ordens. Mas continuam discretamente felizes.

O primeiro hábito que eles tem em comum é a generosidade. Mais que isso: eles tem prazer em ajudar, dividir, doar. Ajudam com um sorriso imenso no rosto, com desejo verdadeiro e sentem-se bem o suficiente para nunca relembrar ou cobrar o que foi feito e jamais pedir algo em troca.

Os felizes costumam oferecer ajuda antes que se peça. Ficam inquietos com a dor do outro, querem colaborar de alguma maneira. São sensíveis e identificam as necessidades alheias mesmo antes de receber qualquer pedido. Os felizes, sobretudo, doam o próprio tempo, suas horas de vida, às vezes dividem o que tem, mesmo quando é muito pouco.

O segundo hábito notável dos felizes é a capacidade de explodir de alegria com o êxito dos outros. Os felizes vibram tanto com o sorriso alheio que parece um contágio. Eles costumam dizer: estou tão contente como se fosse comigo. Talvez seja um segredo de felicidade, até porque os infelizes fazem o contrário. Tratam rapidamente de encontrar um defeito no júbilo do outro, ou de ignorar a boa nova que acabaram de ouvir. E seguem infelizes.

O terceiro hábito dos felizes é saber aceitar. Principalmente aceitar o outro, com todas as suas imperfeições. Sabem ouvir sem julgar. Sabem opinar sem diminuir e sabem a hora de calar. Sobretudo, sabem rir do jeito de ser de seus amigos. Sorrir é uma forma sublime de dizer: amo você e todas as suas pequenas loucuras.

Escrevo essa crônica, grata e emocionada, relembrando o rosto dos homens e mulheres sublimes que passaram e que estão na minha vida, entoando seus nomes com a devoção de quem reza. Ainda não sou um dos felizes, mas sigo tentando. Sigo buscando aprender com eles a acender a luz genuína e perene de alegria na alma. Sigamos os felizes, pois eles sabem o caminho…”

Ass: Cristina Mello

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