Vídeo: Apresentador da GloboNews revela ao vivo que Paulo Gustavo o ajudou a contar à mãe que é gay

Romero Rafael
Romero Rafael
Publicado em 07/05/2021 às 18:55
O jornalista Marcelo Cosme - Foto: reprodução
O jornalista Marcelo Cosme - Foto: reprodução
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O jornalista Marcelo Cosme, apresentador do programa "Em Pauta", na GloboNews, revelou a colegas jornalistas, quando comentavam sobre a morte de Paulo Gustavo, que o ator o ajudou a contar a mãe que é gay. Isso graças ao filme "Minha Mãe É Uma Peça", de 2013, quando Juliano (Rodrigo Pandolfo) revela sobre sua orientação sexual à Dona Hermínia (Paulo Gustavo).

"Eu acabei meio que me emocionando", diz Marcelo Cosme sobre matéria que foi exibida. "Eu acho que todo mundo tem que agradecer um pouco ao Paulo Gustavo. Eu agradeço porque quando ele colocou naquele filme de 2013 ['Minha Mãe é Uma Peça'], que ele [Juliano, filho da Dona Hermínia] conta para a mãe que é gay, aí a minha mãe contando que assistiu ao filme e achava graça. E naquela época eu não tinha me assumido para minha família", completou o jornalista.

"Eu pensava o seguinte: 'Se a minha mãe, vendo uma mãe, aceitando um filho gay, rindo na TV, ela vai me acolher quando eu contar'. Aí, quando eu contei pra minha mãe, ela falou o que hoje a gente ouviu ele dizendo na Ana Maria Braga, que a mãe dele falou: 'Olha, a gente tem medo de que você sofra na rua, mas aqui dentro de casa a gente vai segurar as pontas'. Então, como esse cara mexeu com a vida da gente e me ajudou. Porque eu falava: 'Minha mãe ria dessa história, vai me acolher'. E se ele ajudou a mim, imagina quanta gente ele não ajudou por aí."

Na sua conta no Instagram, Marcelo Cosme publicou o vídeo e escreveu: "Paulo Gustavo abriu caminho para muitos gays se assumirem em casa, na rua, no trabalho. Para o amor, a família. Ontem pensei nisso o dia todo, como me ajudou. Paulo Gustavo, obrigado por tanto".

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A primeira grande colaboração de Paulo Gustavo para a comunidade LGBTQIA+

A edição de junho de 1999 da revista Sui Generis levou às bancas, na capa, um beijo quente de dois homens para marcar o Dia dos Namorados. O casal era Paulo Gustavo e seu namorado à época, identificado como Fábio. Quem trouxe essa história à tona foi o stylist Rogério Espírito Santo, numa publicação no Facebook. Ele relembrou do trabalho para dizer o quanto o ator, que faleceu na terça-feira (4), foi importante para a luta coletiva das pessoas LGBTQIA+ no Brasil, tendo dado a cara à tapa ainda quando nem era famoso.

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Rogério Espírito Santo narra que, à época, foi uma saga achar quem topasse ser fotografado para a revista. Até que Paulo Gustavo aceitou. O stylist lembrou que, no Brasil de 1999, ou seja, a apenas 21 anos, a edição da Sui Generis foi censurada e distribuída nas bancas dentro de um saco plástico preto, por causa do beijo de dois homens. (Veja mais imagens abaixo)

"Quando eu estava na missão de encontrar alguém pra fazer essa capa da Sui Generis, conheci o Paulo Gustavo. Eu digo uma missão porque foi dificílimo achar alguém que topasse e peitasse dar um beijo na boca, real e verdadeiro na capa de uma revista gay em 1999. Ele não só topou, como levou o Fábio, namorado dele na época, e deram esse beijo quente e destemido, que foi um dos trabalhos mais marcantes de toda a minha história, até hoje", diz Rogério Espírito Santo.

"A capa foi censurada, teve que ir pras bancas dentro de um saco preto, pra não chocar a sociedade, e no dia seguinte ao lançamento quase todos os jornais do Brasil, indignados com a censura, reproduziram a imagem, o que a tornou icônica, além de projetar a revista nacionalmente e amplificar o barulho que a gente queria fazer. Talvez essa tenha sido a primeira grande colaboração do Paulo Gustavo para a comunidade LGBTQ+, antes mesmo de ser o grande influenciador que se tornou alguns anos depois", completou o stylist.

"Descanse em paz, Paulo Gustavo. Você é gigante e vai continuar vivo na memória desse país. Todo meu respeito e admiração por você, e até qualquer dia."

Capa da revista Sui Generis, de junho de 1999, com beijo de Paulo Gustavo e o namorado da época, Fábio - Foto: reprodução

Ícone na vida pessoal e na carreira

Sucesso no teatro, no cinema e na TV vestido de mulher, interpretando personagens femininas, Paulo Gustavo atraiu a família brasileira, mesmo as conservadoras. Em "Minha Mãe É Uma Peça", ele introduziu a homossexualidade de Juliano (interpretado por Rodrigo Pandolfo), filho da sua personagem, Dona Hermínia, para irrigar o assunto até essas famílias brasileiras. Coroou a história com o casamento do personagem, inspirado no seu próprio casamento.

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A vida pessoal de Paulo Gustavo, que não se fechou em armário algum, também contribuiu demais para a luta coletiva das pessoas LGBTQIA+ no Brasil. O ator casou-se com o médico dermatologista Thales Bretas numa cerimônia dos sonhos - e com ele teve dois filhos, os pequenos Romeu e Gael, que completam 2 anos em agosto, frutos de reprodução assistida, gerados como sêmens deles e gestados em barrigas de aluguel. Processo ocorrido nos Estados Unidos, onde há lei que orienta.

Tristemente, Paulo Gustavo morreu quando se completaram 10 anos do reconhecimento de uniões homoafetivas no Brasil, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

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