"Nunca mais ponha na sua boca o nome do meu irmão", diz irmã de Paulo Gustavo para Bolsonaro

Augusto Tenório
Augusto Tenório
Publicado em 30/05/2021 às 11:41
Irma de Paulo Gustavo,, publica carta aberta para Jair Bolsonaro (Imagem: Reprodução)
Irma de Paulo Gustavo,, publica carta aberta para Jair Bolsonaro (Imagem: Reprodução)
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Numa espécie de carta aberta a Jair Bolsonaro, Ju Amaral não escondeu suas críticas ao presidente da República. A irmã de Paulo Gustavo fez críticas sobre a recusa na compra de vacinas contra a Covid-19 e pediu para o chefe do executivo nunca mais proferir o nome do artista.

Na publicação, feita no Instagram de Ju Amaral, ela mostra tatuagem feita em homenagem a Paulo Gustavo. No seu braço direito, está escrito "rir é um ato de resistência", frase conhecida do artista, falecido no início do mês, vítima da Covid-19.

"Só agora tive forças de vir responder como o senhor merece, e o mínimo que eu posso lhe dizer é que, por coerência, nunca mais ponha na sua boca o nome do meu irmão. Essa boca que disse não à vacina e condenou tantos à morte, essa mesma boca que debochou imitando pessoas com falta de ar, pessoas que viveram o horror que meu irmão viveu, não pode ser usada para pronunciar o nome dele nem lamentar a morte de todos os vitimados pela Covid", diz ela na publicação.

Ela se refere à publicação feita por Jair Bolsonaro pouco após o óbito do humorista. "Meus votos de pesar pelo passamento do ator e diretor Paulo Gustavo, que com seu talento e carisma conquistou o carinho de todo Brasil. Que Deus o receba com alegria e conforte o coração de seus familiares e amigos, bem como de todos aqueles vitimados nessa luta contra a Covid", escreveu o presidente na ocasião.

Neste primeiro mês de CPI da Covid, revelações feitas pelos depoentes colocaram o Governo Federal em maus lençóis com relação à pandemia. Houveram afirmações sobre uma demora de dois meses para resposta da proposta da Pfizer. Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, contou que a demora para assinar acordo com a Coronavac impediu a entrega de 100 milhões de doses até maio.

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"Também espero que o senhor não despeje sobre minha família os seus mais sinceros sentimentos pois eu não os aceito. Não sei que sentimentos tem um homem que deixa um país inteiro entregue à morte. Guarde pra você seus sentimentos e não nos obrigue a lidar com eles. Seus votos de pesar também peço que deposite em sua própria consciência, pois é sobre o seu governo que pesa a pior gestão desta pandemia mundial. Espero que o senhor saiba que meu irmão e você não tinham nada em comum. Vocês trafegam em vias opostas. Enquanto ele ia na estrada da vida, do afeto, da generosidade e empatia, o senhor vem pelas trevas, trazendo escuridão e morte. O Brasil que o senhor comanda carrega nas costas quase 500 mil filhos mortos, e dentre eles o meu irmão", completa Ju Amaral.

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