Fernanda Lima reflete sobre omissão de funcionário de DJ Ivis: "Pacto da masculinidade, que cala e consente"

Romero Rafael
Romero Rafael
Publicado em 12/07/2021 às 19:39
Fernanda Lima; Charles Barbosa, funcionário de DJ Ivis - Foto e print: reprodução
Fernanda Lima; Charles Barbosa, funcionário de DJ Ivis - Foto e print: reprodução
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Fernanda Lima publicou vídeo em rede social comentando as agressões de DJ Ivis contra a ex-companheira, Pamella Holanda, provadas por ela numa sequência de vídeos registrados por câmera e segurança. Os episódios de violência doméstica foram denunciados à Justiça e o DJ deverá ser ouvido nesta terça-feira (13).

A apresentadora reflete sobre o aumento de casos de violência doméstica contra mulheres e de feminicídio (que é o homicídio motivado por gênero) no Brasil, ainda que o País tenha avançado em mecanismo legal, com a Lei Maria da Penha; e chama os homens para o enfrentamento e a defesa das mulheres, ao invés do "pacto da masculinidade", que culturalmente leva homens a protegerem homens. "Em briga de marido e mulher, a gente salva a mulher", diz.

"São tão covardes quanto quem agride"

Fernanda Lima chama atenção para a presença de Charles Barbosa de Oliveira, funcionário de DJ Ivis, num dos vídeos. Ele não interfere na agressão. "A gente percebe a presença de outro homem, que assiste à cena e não faz nada. Nada, absolutamente nada. É inacreditável e, inclusive, bastante difícil de assistir. Eu fico me perguntando sobre esse pacto da masculinidade, que cala e consente; e, assim, são tão covardes quanto quem agride fisicamente e moralmente a mulher, porque esse pacto de silêncio entre os homens é um pacto que precisa ser denunciado", fala a apresentadora.

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"Esse vídeo, além da denúncia, é uma convocação a todos os homens que não concordam com a violência contra as mulheres a se posicionarem contra toda e qualquer violência que a masculinidade tóxica vem produzindo contra os nossos corpos e nossos filhos. Ao meu ver esse seria o papel de um homem que se considera de bem, de Deus, de família", continua Fernanda Lima.

"Não fosse eu, de fevereiro pra cá alguém tinha morrido"

Alvo de críticas pela omissão, Charles Barbosa de Oliveira, num áudio seu divulgado pelo jornalista Leo Dias, do site Metrópoles, se defende ao dizer que evitou o pior: que um deles matasse o outro. "Uma coisa eu digo a você sem medo de errar - e é o que eu vou falar quando for chamado lá [pela polícia]: se não fosse primeiramente Deus e eu, de fevereiro para cá, alguém já tinha morrido", diz o funcionário de DJ Ivis.

Leia à transcrição do vídeo de Fernanda Lima na íntegra:

"Na sequência de vídeos, a gente percebe a presença de outro homem, que assiste à cena e não faz nada. Nada, absolutamente nada. É inacreditável e, inclusive, bastante difícil de assistir. Eu fico me perguntando sobre esse pacto da masculinidade, que cala e consente; e, assim, são tão covardes quanto quem agride fisicamente e moralmente a mulher, porque esse pacto de silêncio entre os homens é um pacto que precisa ser denunciado. Esse vídeo, além da denúncia, é uma convocação a todos os homens que não concordam com a violência contra as mulheres a se posicionarem contra toda e qualquer violência que a masculinidade tóxica vem produzindo contra os nossos corpos e nossos filhos. Ao meu ver esse seria o papel de um homem que se considera de bem, de Deus, de família. Então, vocês, homens, não podem se calar diante de tanta injustiça, tanta covardia e tanta violência. Afinal, os homens também são vítimas dessa masculinidade, mas quem morre todos os dias são as mulheres. Se os homens precisam de cura, nós mulheres precisamos viver. Em briga de marido e mulher, a gente salva a mulher."

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