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Conheça nariz eletrônico desenvolvido por pesquisadores da UFPE capaz de "farejar" presença de maconha

Com "faro apurado" e treinamento adequado, um cão farejador ajuda a polícia a identificar ambientes onde drogas ilícitas estão escondidas. No entanto, esse papel, que até então cabe apenas ao animal, pode dar lugar à tecnologia e inovação

Bruna Oliveira
Bruna Oliveira
Publicado em 18/09/2021 às 7:00
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FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
Nariz eletrônico foi criado no Lika - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Com "faro apurado" e treinamento adequado, um cão farejador ajuda a polícia a encontrar drogas ilícitas. No entanto, esse papel, que até então cabe apenas ao animal, pode dar lugar à tecnologia e inovação. Isso porque um projeto desenvolvido no Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (LIKA), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), criou um "nariz eletrônico" capaz de "farejar" e identificar a presença de maconha. "Pensamos em fazer um projeto para ajudar a identificar drogas ilícitas. A princípio, o estudo, que possui validade científica, foi realizado com a maconha, mas estamos tentando criar uma biblioteca para ser utilizado para outras substâncias também", declarou o pesquisador Lucas Sampaio, idealizador do equipamento.

Com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e instituições parceiras, como a Polícia Federal, o projeto teve início em 2016, quando os pesquisadores começaram a estudar uma forma de montar o protótipo. Este, começou a ser construído em 2017 e faz analogia ao nariz humano e ao cérebro. "Esse protótipo é composto por uma matriz de sensores de gás, que são baseados em semicondutores de óxido metálico. Então, quando o ar que está próximo ao 'nariz' interage com os sensores, a gente captura as variações de sinal elétrico, geradas a partir desses sensores", explicou o pesquisador.

 

FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
Lucas Sampaio e pesquisador da UFPE e criou o nariz artificial - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

Após a etapa de "farejar", o protótipo emite um sinal elétrico, que vai ser processado para que seja utilizado algoritmos que, por sua vez, irão detectar o que está sendo lido. Dessa forma, os algoritmos irão reconhecer os padrões do odor que está sendo capturado. O objetivo é que o equipamento auxilie agentes da polícia na fronteira do Brasil e aeroportos. "A intenção é que quando passe uma mala ou uma pessoa que esteja traficando um elemento ilícito, o equipamento possa identificar", falou Lucas Sampaio.

Em julho deste ano, o Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que a principal droga apreendida no Brasil é a maconha. Em dois anos de atuação, mais de 870 toneladas de drogas foram apreendidas pelo Programa Vigia, que atua contra a entrada de drogas, armas e contrabando no País, e está presente nos estados do Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Acre, Rondônia, Tocantins, Goiás, Roraima, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Pará, Amapá, Rio Grande do Norte e Ceará.

Apesar do protótipo ter sido aprovado cientificamente para identificar a maconha, os pesquisadores do LIKA apontam que testes com outras drogas e substâncias já foram feitos com o equipamento e ele também conseguiu identificá-las. "Além da maconha, ele consegue identificar outras drogas e pode ser utilizado até para meios biológicos. Com ele, nós temos uma aplicabilidade muito grande, que pode se ajustar de acordo com o cliente quiser", disse o diretor do LIKA, professor José Luiz de Lima Filho, responsável por orientar Lucas no projeto.

Drones

Em decorrência da pandemia da covid-19, o projeto perdeu o financiamento da Polícia Federal e outros parceiros. No entanto, os pesquisadores esperam conseguir patrocínio para dar continuidade ao "nariz eletrônico", realizando uma expansão de seu desempenho. Como o protótipo não possui mobilidade, a ideia é fazer a sua otimização. "Nós queremos dar mobilidade a ele, porque estamos trazendo esse protótipo como alternativa ao cão farejador. Diante disso, queremos acoplar esse protótipo a drones, porque aí teríamos a mobilidade que um cão farejador tem", contou Lucas. 

Além disso, caso seja acoplado a drones, o equipamento pode, ainda, voar para locais mais distantes ou de difícil acesso. "A gente precisaria também evoluir em relação a outros métodos de amostragem exatamente para conseguir capturar o odor a uma distância maior".

Para o pesquisador, o desenvolvimento deste projeto traz importantes contribuições sociais. "O projeto pode auxiliar no combate ao tráfico de drogas, que é um dos principais problemas presentes na sociedade contemporânea e está diretamente ligado a questões legais, como a criminalidade e o vício, bem como a problemas de saúde", concluiu.

FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
Lucas Sampaio e pesquisador da UFPE e criou o nariz artificial - FOTO:FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

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