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Escândalo da farra das passagens tem novas revelações, envolvendo atual presidente e Michel Temer

Na Câmara, foram gastos R 102 milhões (valores corrigidos pela inflação) apenas entre janeiro 2007 e fevereiro de 2009.

JAMILDO MELO
JAMILDO MELO
Publicado em 23/08/2021 às 15:01
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Reprodução/Internet
Entre os 560 viajantes políticos que aproveitaram verbas do Congresso para viajar por aí fora do trabalho estão o ex-presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o senador Chico Rodrigues, então vice-líder do governo Bolsonaro flagrado com dinheiro na cueca. - FOTO: Reprodução/Internet
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A "farra das passagens aéreas" foi o maior escândalo político desde a redemocratização.

Com 560 parlamentares investigados, teve mais alvos do que a Operação Lava Jato e a CPI dos Anões.

A diferença é que ninguém foi punido e só uns poucos devolveram o dinheiro.

Mas essa história faz nova escala, agora em livro, com informações inéditas.

Nas asas da Mamata (Matrix Editora, 312 páginas, R 62,00) reconstitui e atualiza o caso e já no primeiro capítulo mostra o então deputado Bolsonaro e a mulher Michelle viajando em lua de mel nas Cataratas do Iguaçu com passagens pagas pelo Congresso.

Os abusos praticados por parlamentares com verbas de transporte aéreo, desviadas para turismo de parentes e amigos dentro e fora do Brasil e negociadas em um lucrativo mercado paralelo, proporcionou que dezenas de senadores e deputados gastassem verba do erário, mas ninguém foi punido.

A obra mostra como o Ministério Público e o Judiciário falharam na apreciação do caso e revela a lista de quem mais voou para o exterior sem tirar um tostão do bolso ou que cedeu bilhetes para parentes e amigos andarem pelo Brasil.

Um dos motivos desse escândalo fazer um pouso forçado, segundo os autores, é que Michel Temer criou as regras e, depois, atuou para abafar as punições, corrigindo apenas o problema para o futuro, sem punir ninguém.

Para isso, contou com a ajuda de José Sarney e com a boa vontade Lula, na ocasião envolvidos na formação da chapa Dilma-Temer, vitoriosa no ano seguinte, 2010.

O valor usado para fins particulares ultrapassou os R 105 milhões - sequer 1% foi devolvido.

Na Câmara, foram gastos R 102 milhões (valores corrigidos pela inflação) apenas entre janeiro 2007 e fevereiro de 2009.

No Senado, uma amostra limitada de desvios somou outro R 1,4 milhão (valores históricos) ou R 2,9 milhões (valores corrigidos pela inflação). Só uma ínfima parte disso foi recuperada: R 301 mil (valores históricos) segundo a Câmara e R 786 mil (valores históricos) segundo levantamento próprio dos autores de "Nas asas da mamata".

Entre os 560 viajantes políticos que aproveitaram verbas do Congresso para viajar por aí fora do trabalho estão o ex-presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o senador Chico Rodrigues, então vice-líder do governo Bolsonaro flagrado com dinheiro na cueca.

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