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Veja a trajetória do técnico Abel Ferreira, bicampeão da Libertadores pelo Palmeiras

O jovem treinador português fincou seu nome na galeria dos maiores técnicos do Palmeiras na história

Marcos Leandro
Marcos Leandro
Publicado em 27/11/2021 às 21:15
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Juan Mabromata / AFP
Palmeiras venceu o Flamengo e conquistou a Libertadores pela terceira vez - FOTO: Juan Mabromata / AFP
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ESTADÃO CONTEÚDO

Abel Ferreira prometera em novembro de 2020 que não tinha atravessado o Oceano Atlântico à toa, para "passar férias". A promessa já havia sido cumprida em sua primeira temporada, com dois títulos. Agora, com a segunda conquista da Copa Libertadores em sequência, após a vitória por 2x1 sobre o Flamengo, no estádio Centenário, em Montevidéu-URU, o jovem treinador português fincou seu nome na galeria dos maiores técnicos do Palmeiras na história. O título coroa uma jornada atribulada e com mais problemas do que o treinador gostaria. Ele gosta de dizer que 24 horas é tempo suficiente para comemorar ou lamentar. Desta vez, com o seu segundo troféu continental, deve ignorar esse pensamento.

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Abel é o segundo técnico mais longevo do futebol brasileiro. Só está atrás de Maurício Barbieri, comandante do Red Bull Bragantino desde setembro de 2020. Ele é o primeiro português, oitavo europeu e 23º estrangeiro a treinar o Palmeiras e em pouco mais de um ano já fez história no clube. Foi o único no século a ganhar duas taças pela equipe na temporada passada e agora colocou seu nome entre os grandes da Libertadores com a sua segunda taça. Somente ele, Felipão, Lula, Telê Santana e Paulo Autuori são bicampeões continentais por clubes brasileiros.

O jovem treinador já viveu quase tudo no Palmeiras. Ele resgatou o moral de uma equipe abalada quando assumira para suceder Vanderlei Luxemburgo e a conduziu aos títulos da Copa do Brasil e da Libertadores. Depois passou um período de turbulência, com a campanha ruim no Mundial e três vice-campeonatos no início da temporada, além da eliminação surpreendente para o CRB na Copa do Brasil. Mas novamente reergueu o time e o levou ao tri continental.

Contra o Flamengo, na decisão em Montevidéu, o time se portou como o treinador gosta: calmo e sereno, com o "coração quente" e a "cabeça fria", mantras do português. Estudioso, analisou com cuidado e precisão o adversário da final. A jogada trabalhada do primeiro mostra a atenção do treinador com os pequenos detalhes, quando a equipe confunde a marcação adversária e Mayke avança às costas do lateral-esquerdo Filipe Luís. Mesmo com o gol de empate do time carioca, a equipe palmeirense se defendeu de forma organizada e neutralizou as principais peças do rival. Coube no fim a estrela de Deyverson para marcar o gol do título.

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No percurso acidentado, com mais resultados negativos do que em 2020, Abel teve de rever conceitos, modificar alguns planos, mas se manteve convicto sobre o seu trabalho e não recuou diante das críticas. Há quem o vê com postura arrogante, há quem o enxergue como um profissional assertivo e corajoso.

ORIGENS

Uma das principais revelações de uma geração de jovens técnicos portugueses, Abel, natural da cidade de Penafiel, tem 93 jogos no comando do Palmeiras. São 50 vitórias, 17 empates e 26 derrotas. Ele foi o primeiro técnico estrangeiro a levantar um troféu pelo Palmeiras desde o argentino Filpo Nuñez, em 1965.

Abel é empenhado, estudioso, inquieto, exigente e, sobretudo, intenso. Seu discurso é direto e eloquente. Ele já fez críticas públicas à diretoria pela ausência de reforços nesta temporada e também não se furtou de questionar a torcida que apoia a equipe nos momentos bons, os "torcedores das vitórias", como ele definiu. Além disso, não se omite quando entende ser necessário criticar os responsáveis pelo calendário do futebol brasileiro.

CESAR GRECO/Divulgação
TÉCNICO Abel Ferreira comemora um ano à frente do Palmeiras - CESAR GRECO/Divulgação

Parte da imprensa, em muitos momentos, também já foi alvo de questionamentos do treinador. Após conduzir o time a mais uma final de Libertadores, ele passou recado a um "vizinho chato", metáfora que criou como forma de rebater os críticos de seu trabalho. O recado, além dos jornalistas, seria destinado a parte da torcida.

Curiosamente, depois de seu primeiro trabalho como técnico, na base do Braga, ele fez parte da mídia quando foi comentarista da Sport TV, emissora esportiva de TV a cabo de Portugal. Na função, limitava-se a comentários relacionados a campo e jogo, com avaliações precisas sobre o desempenho tático das equipes, segundo relatos. Era curioso, empenhado e cordial. Agora, do outro lado, não é incomum vê-lo atirando pedras sobre os uma parcela da imprensa nas coletivas. A cruzada contra os profissionais de comunicação seguiu mesmo após vitórias.

Nos últimos dias, Abel vinha sofrendo críticas diante da série de quatro jogos sem vitória. Isso depois de a equipe emplacar seis triunfos seguidos. Mas a gangorra de resultados ficou para trás com mais um título continental que alça o português no grupo limitado de maiores técnicos do Palmeiras em sua gloriosa história de 107 anos.

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No seu primeiro mês no Brasil, o português morou na Academia de Futebol, o CT do Palmeiras. Ele procura viver intensamente a rotina do clube e criou uma relação profunda com os jogadores e também com os funcionários com quem convive diariamente.

Benquisto, foi homenageado pelos funcionários quando completou um ano no cargo e se emocionou. Devolveu a reverência ao entregar um quadro com as fotos de todos os colaboradores do departamento de futebol do Palmeiras e de outros setores. Sempre que acha pertinente, o treinador, para dar ênfase à união do elenco, diz que "todos somos um".

"A Libertadores é fantástica, a Copa é espetacular, mas título para mim enquanto homem é isso. Gratidão pelas relações que criamos aqui. O dia que sair daqui, o meu maior título são vocês", dissera aos funcionários.

Resta agora definir a permanência de Abel. O título dá mais paz ao treinador e Leila Pereira, nova presidente do clube, quer que ele dê continuidade ao trabalho. Mas a decisão ficará a cargo do português, que ressalta reiteradas vezes ter saudade da família e já rejeitou ao menos três propostas anteriormente para deixar o Palmeiras. Caso fique, a tendência é de que traga a mulher e os filhos para o Brasil.

"E agora será um dia de cada vez, é assim que vivo a minha vida. No final faremos o balanço e decidiremos o que é melhor para todas as partes".

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