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O Santa Cruz pode seguir os passos do Cruzeiro? Veja o que o presidente Coral falou sobre a SAF

Redução de passivo seria o primeiro passo do Santa Cruz para atrair novos investidores

Túlio Feitosa
Túlio Feitosa
Publicado em 20/12/2021 às 17:20 | Atualizado em 20/12/2021 às 18:22
LÉO MOTA/ACERVO JC IMAGEM
INDIRETA Escolha do novo mandatário coral não ocorrerá pela Assembleia de Sócios do clube das três cores - FOTO: LÉO MOTA/ACERVO JC IMAGEM
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É difícil achar uma pessoa que não tivesse ficado surpresa com o anúncio da venda do Cruzeiro para Ronaldo Fenômeno pelo valor de R$ 400 milhões, além de algumas dívidas do clube assumidas pelo ex-atleta no processo da compra.

Mas algo parecido seria possível de ser feito com o Santa Cruz? "Time do Povo", o Tricolor do Arruda tem passado anos afundado em dívidas que foram refletidos no que o clube tem vivido dentro de campo - atualmente na Série D do Campeonato Brasileiro -.

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Um investidor - ou um grupo desses - poderia ser a grande saída do Santa Cruz para retornar como uma grande força no futebol do Nordeste e ganhar holofote nacionalmente. Mas o caminho não é tão fácil assim. A exemplo do Cruzeiro, o Tricolor do Arruda teria que criar uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol), ou seja, uma empresa que não fique ligado às dívidas da associação (o clube em si). 

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Em entrevista à Rádio Jornal na última semana, o presidente do Santa Cruz, Joaquim Bezerra, explicou como funcionaria o sistema de SAF no clube Coral. Apesar de ser algo que vem sendo estudado há meses pela cúpula do clube, a realidade é que a adesão à esse sistema ainda exige tempo de organização interna no Tricolor do Arruda.

"Nenhum investidor vai colocar dinheiro em um clube se não houver governança dentro do clube. E quando a gente fala de governança, é com avaliação de riscos que traz ao compliance. Essa questão de voce fazer o clube virar empresa ou não, é bastante complexa e que precisa ser analisada com muito cuidado, porque é uma coisa irreversível. Se você tomou a decisão, terá que levar para frente", ressaltou Joaquim Bezerra.

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O caminho é longo. Segundo o mandatário Coral, é necessário uma restruturação da associação para que a dívida dessa não respingue na SAF, em um futuro próximo.

"Não obstatante a lei da SAF ter uma certa proteção e blindagem disso, mas a gente sabe que no Brasil a segurança jurídica é muito relativa. Então investidores que irão colocar seu dinheiro dentro da SAF precisam ter segurança jurídica de que o capital investido vai ser para desenvolver a área de futebol daquele clube a partir desse momento, e não para pagar dívidas que estejam dentro da associação", completou.

Clube-Empresa?

Quando se fala da venda do clube para um investidor, como aconteceu com o Cruzeiro, tem de ser reforçado que o clube ainda pode seguir como associação, mas funcionando como uma SAF em paralelo. E a Raposa é o exemplo disso.

A empresa que detém as ações do clube pode fazer a segregaão de ativos que tenham a ver com o futebol para manter o patrimônio da SAF. Um percentual da receita dessa Sociedade Anônima - entre 20 a 30% - é direcionada à associação para o pagamento de dívidas remanescentes.

"É importante dizer que essa associação deve ter uma Golden Share, uma ação com direito a voto e veto dentro da SAF para manter e preservar coisas como simbologia do clube, cores, para que a cultura do clube não seja desprezada ou abandonada em função do capital que é investido na SAF", comentou o presidente do Santa Cruz.

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Mas há solução para o Santa Cruz?

O mandatário Coral pensa positivo quanto à resolução do passivo milhonário do Santa Cruz, mas pede tempo, e não é pouco. O futebol brasileiro, como um todo, vive afundado de dívidas e, segundo Joaquim Bezerra, daquelas que duram entre 10 a 20 anos para serem quitadas.

Ainda de acordo com o presidente do clube Tricolor, a lei da SAF traz possibilidades que, a longo prazo, podem solucionar os problemas da Cobra Coral.

"O Santa Cruz precisa restruturar o seu passivo e precisa trazer investidores. Voltando à lei da SAF, não necessariamente precisa criar uma SA de cara, mas você tem várias coisas dentro da lei da SAF que podem ser aplicadas. O Santa Cruz e todos os clubes do Brasil precisam que todos entendam que isso não é um trabalho de curto ou médio prazo, é de longo prazo. Ninguém restrutura uma dívida do tamanho da do Santa Cruz, ou maior como a do Botafogo, em um ano ou dois não. Isso é coisa para 10, 15 e 20 anos", explicou.

"Então existe condição? Existe. E essa condição vai ser trazida. Agora ela vai ser trazida dentro de uma metodologia e técnica bem estudada. Temos uma comissão dentro do Santa Cruz estudando isso há quatro meses, e vamos continuar estudando isso para trazer o melhor para o clube", concluiu Joaquim Bezerra.

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