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Mandetta assinou artigo que aponta pico de casos de coronavírus no Brasil até maio

O texto ainda defende o isolamento social e aponta preocupação com número de UTIs

Cássio Oliveira
Cássio Oliveira
Publicado em 08/04/2020 às 12:21
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Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta - FOTO: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
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O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, assinou nessa terça (7), um relatório técnico com um grupo de cientistas e técnicos do ministério em que reforça a importância do isolamento social para combater o avanço do novo coronavírus no País. E alerta que, mesmo com as medidas que vêm sendo adotadas, haverá um pico de casos entre abril e maio. O estudo também indica que a circulação da doença, a covid-19, se dará até meados de setembro. As estimativas são baseadas em modelos matemáticos.

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O texto tem como primeiro autor o infectologista Julio Croda, pesquisador da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e da Fiocruz, e que até o fim de março era diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do ministério. Ele estava de férias e saiu por divergências internas. Também assinam o texto outros técnicos da pasta, como o secretário de Vigilância, Wanderson de Oliveira. O artido está em inglês e você pode ter acesso clicando aqui!

"Vários modelos matemáticos mostraram que o vírus potencialmente estará circulando até meados de setembro, com um pico importante de casos em abril e maio. Assim, existem preocupações quanto à disponibilidade de unidades de terapia intensiva (UTIs) e ventiladores mecânicos necessários para pacientes hospitalizados com covid-19, bem como a disponibilidade de testes de diagnóstico específicos, particularmente RT-PCR (o molecular, tipo mais preciso de exame) em tempo real, para a detecção precoce da covid-19 e a prevenção de transmissão subsequente”, escrevem os autores na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.

Com a falta de insumos, a saída apontada é o isolamento — que ainda não é consenso entre Mandetta e o presidente da República, Jair Bolsonaro. “O isolamento social é uma medida que deve ser sugerida precocemente, a fim de achatar a curva epidemiológica com o menor impacto econômico possível”, diz o conteúdo. O documento ainda relembra que as autoridades brasileiras “não implementaram um bloqueio através do uso de forças de segurança para impedir o movimento de pessoas em massa”.

Bolsonaro

A atual relação entre Mandetta e Bolsonaro é marcada por idas e vindas. Na última segunda-feira (6), chegou a ser especulada a saída dele do Ministério da Saúde, mas à noite o vice-presidente Hamilton Mourão disse que Mandetta permaneceria no cargo. Pouco depois, o próprio ministro confirmou que fica.

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Ainda na segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro saiu do Palácio da Alvorada e, como de costume logo cedo, desceu para falar com apoiadores. Sem mencionar Mandetta, um deles falou que, como técnico de um time, Bolsonaro pode trocar quem está fazendo gol contra. O presidente fez sinal de positivo com a mão. 

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