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Homem que agrediu enfermeiras em manifestação é funcionário do Ministério dos Direitos Humanos

Procuradoria Geral da República pediu investigação das agressões e alegou que os crimes cometidos estão previstos artigos 22 e 23 da Lei de Segurança Nacional

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Publicado em 05/05/2020 às 16:03
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Renan Sena, funcionário terceirizado do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos que agrediu enfermeiras na manifestação em Brasília, na última sexta-feira (1º) - FOTO: REPRODUÇÃO
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O homem que agrediu verbalmente e cuspiu nas enfermeiras que estavam fazendo uma manifestação em homenagem aos colegas de profissão mortos no combate à pandemia do coronavírus, na praça dos Três Poderes, em Brasília, na última sexta-feira (1º), é funcionário terceirizado do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandada pela ministra Damares Alves.

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Renan da Silva Sena foi identificado pelo registro fotográfico do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e, com isso, a Procuradoria Geral da República (PGR) pediu que as agressões fossem investigadas pela Procuradoria da República no Distrito Federal.

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De acordo com o pedido, os crimes estão previsto nos artigos 22 e 23 da Lei de Segurança Nacional, que proíbe a propaganda de processos violentos ou ilegais de alteração da ordem política e social. Além da agressão física cometida, o agressor estava contra a democracia e a Constituição, pedindo a intervenção militar. Também existe a possibilidade do pedido de investigação apontar para crime contra a Administração Pública.

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Ele é analista de projetos do setor socioeducativo contratado pela empresa G4F Soluções Corporativas Ltda, que tem um contrato de R$ 20 milhões em prestação de serviços operacionais e apoio administrativo com o Ministério. No entanto, Renan não aparece e nem exerce as atividades desde março deste ano. De acordo com a apuração do UOL, o e-mail funcional dele estava ativo até essa segunda-feira (4).

Ainda de acordo com a apuração da UOL, a pasta afirmou que Sena foi demitido no dia 23 de abril, através de um pedido da própria pasta à empresa terceirizada, apesar de ter solicitado e não ter recebido a documentação que provasse o ato da demissão.

O colegiado declarou "inadmissíveis quaisquer atos de violência e agressão". "Tendo a ressaltar neste sentido uma série de ações de enfrentamento a todos os tipos de violência desenvolvidas no âmbito de suas pastas temáticas".

Pedido de demissão

O ministério afirmou que a empresa terceirizada G4F foi notificada sobre o pedido de desligamento de Renan no dia 18 de março, "já que o prestador de serviços demonstrou expresso descontentamento com a função até então exercida na pasta". O UOL explicou que a empresa não foi notificada do pedido de desligamento.

A pasta também disse que no dia 16 de abril a empresa foi informada que o funcionário "não apresentava entregas e tampouco retornava às tentativas de contatos telefônicos ou por e-mail desde 06/04, ressaltando-se que até esta data, o mesmo apresentava as demandas que lhe eram solicitadas por sua chefia imediata".

Por fim, o ministério se defendeu e reiterou que no dia 20 de abril se manifestou preocupado"com o eventual estado de saúde do prestador e, em 23 de abril, tivemos parecer favorável a sua substituição, oportunidade em que nos foi informada sua demissão". A assessoria também não enviou nenhuma resposta sobre o pedido de documentação ou parecer que comprovasse a demissão de Renan.

Coren vai acionar a Justiça

O agressor estava com a empresária Marluce Carvalho de Oliveira Gomes, que também agrediu verbalmente as enfermeiras, e do professor de inglês Gustavo Gayer, que fez a divulgação das imagens do protesto nas redes sociais, o classificando como "mentiroso".

O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) afirmou que juntou todo o material corporativo, identificou os agressores e "vai processar cada um deles pelos atos que praticaram". "A ignorância e a violência perpetrada contra a Enfermagem do Distrito Federal, em pleno Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, não ficará impune, será respondida judicialmente, para que não mais se repita", afirmou o órgão.

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