Saúde

De acordo com Mandetta, Bolsonaro tentou alterar a bula da cloroquina

A revelação foi feita na quarta-feira (20), em uma entrevista do ex-ministro à Globo News

Vanessa Moura
Vanessa Moura
Publicado em 21/05/2020 às 10:22
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MARCELLO CASAL JR./AGÊNCIA BRASIL
Ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que deixou a pasta dia 16 de abril - FOTO: MARCELLO CASAL JR./AGÊNCIA BRASIL
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Em entrevista ao canal por assinatura GloboNews, na quarta-feira (20), o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, revelou que o governo federal tinha pretensões de alterar a bula da cloroquina e incluir no documento a recomendação de seu uso para o tratamento do novo coronavírus. Segundo Mandetta, a alteração aconteceria via decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"O presidente se assessorava ou se cercava de outros profissionais médicos. Eu me lembro de quando, no final de um dia de reunião de conselho ministerial, me pediram para entrar numa sala e estavam lá um médico anestesista e uma médica imunologista, que estavam com a redação de um provável ou futuro, ou alguma coisa do gênero, um decreto presidencial... E a ideia que eles tinham era de alterar a bula do medicamento na Anvisa, colocando na bula indicação para covid-19", afirmou Mandetta.

De acordo com o ex-ministro, o próprio presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, que também estava presente no encontro, se assustou com a ideia.  "O próprio presidente da Anvisa se assustou com aquele caminho, disse que não poderia concordar. Eu simplesmente disse que aquilo não era uma coisa séria e que eu não iria continuar naquilo dali, que o palco daquela discussão tem que ser no Conselho Federal de Medicina".

Para Mandetta, que também é médico, tais decisões não podem ser tomadas sem respaldo científico. "Não adianta fazer um debate de uma pessoa que seja especialista na área que for, com um presidente da República que não é médico".

Mesmo sem eficácia comprovada cientificamente em seu uso para o tratamento da Covid-19, o uso da cloroquina e hidroxicloroquina foram defendidos em protocolo publicado pelo governo federal na quarta (20). Os efeitos colaterais deste medicamento podem ser bastante graves.


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