MUTAÇÃO

Variante inédita do novo coronavírus teria surgido no Amazonas, aponta Fiocruz

Linhagem está presente em todo o Brasil e sofreu mutações na proteína Spike

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Publicado em 12/01/2021 às 8:14
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Na capital do Estado, Manaus, aumento das internações e das mortes causadas pela doença vem preocupando as autoridades - FOTO: MICHAEL DANTAS / AFP
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A Fiocruz Amazônia identificou que a nova variante do novo coronavírus que foi detectada em brasileiros que viajaram para o Japão pode ter como ponto de origem o estado do Amazonas. De acordo com as pesquisas feitas pela Fundação Oswaldo Cruz, as mutações encontradas no vírus podem ter criado uma nova linhagem brasileira do coronavírus.

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Os pesquisadores consideram que as mutações encontradas podem representar que a nova linhagem tem maior poder de transmissão, já que foram encontradas duas importantes mutações na proteína Spike, responsável por realizar a ligação do vírus com células e que está relacionada a capacidade de transmissão do vírus. Os dados iniciais apontam que a linhagem B.1.1.28, presente em todo o Brasil e que é a mais encontrada no Amazonas, sofreu uma série de mudanças.



O agrupamento das amostras encontradas na China com as registradas no Amazonas foi possível por meio do banco de dados internacional, no qual pesquisadores japoneses colocaram os dados de sequenciamento da variante do vírus.

Detecção

O Ministério da Saúde do Japão anunciou nesse domingo (10) que uma nova variante do coronavírus foi detectada em quatro viajantes do Estado do Amazonas. Os brasileiros chegaram em Tóquio pelo aeroporto Haneda, no dia 2 de janeiro.

Dos quatro viajantes, um homem na faixa dos 40 anos de idade apresentou problemas respiratórios; uma mulher de cerca de 30 anos relatou dor de cabeça e de garganta e um adolescente teve febre. Segundo o governo do Japão, a outra brasileira, uma adolescente, não apresentou sintomas.

Um oficial do ministério disse que estudos estão em andamento para determinar a eficácia das vacinas contra a nova variante, que é diferente das encontradas no Reino Unido e na África do Sul e levaram à disparada de novos casos. 

"Até o momento, não há indícios que mostram que a nova variante encontrada nos brasileiros é altamente infecciosa", disse Takaji Wakita, chefe do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas do Japão.

Após o crescimento no número de novos casos de coronavírus, o Japão declarou estado de emergência em Tóquio e cidades ao redor da capital nesta quinta-feira (7). O país já soma quase 290 mil casos de covid-19, com 4.061 óbitos em decorrência da doença.

Amazonas

Atualmente, a capital do Amazonas, Manaus, enfrenta uma segunda onda de casos e hospitalizações causados pela covid-19.  De acordo com o prefeito David Almeida (Avante), o sistema público do município está novamente em colapso. O governador Wilson Lima (PSC) afirmou que o Estado já está sofrendo com a carência de oxigênio para pacientes internados. 

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Um novo confinamento de 15 dias a partir do dia 4 de janeiro com suspensão de serviços considerados não essenciais foi decretado, com o objetivo de conter uma retomada da pandemia de covid-19. “O Amazonas está saindo da fase vermelha e entrando na' fase roxa' da covid-19 ”, divulgou a Fundação de Vigilância em Saúde do governo regional.

A maior parte dos casos está concentrada em Manaus, cidade em que em setembro, um estudo chegou a considerar que havia alcançado imunidade de rebanho devido ao alto número de infecções da primeira onda. A capital abriga 52% dos 4,2 milhões de habitantes do estado, conectado principalmente por rios e com grande número de indígenas.

Em um mês, o número de sepultamentos em Manaus cresceu 193% em meio à explosão do número de infectados pelo coronavírus no Amazonas. Por causa do aumento dos casos de covid-19, o prefeito de Manaus, David Almeida, decretou, no dia 5 de janeiro, estado de emergência pelo período de 180 dias para conter o avanço da pandemia na capital amazonense.

 

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