INQUÉRITO

Zara nega existência de código discriminatório e diz valorizar diversidade

A assessoria de imprensa da Zara de Fortaleza negou a existência do código e rechaçou qualquer forma de discriminação

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Do jornal O Povo para a Rede Nordeste

Publicado em 20/10/2021 às 21:56 | Atualizado em 20/10/2021 às 21:58
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A rede Zara Brasil se manifestou nesta quarta-feira (20) sobre a suposta implantação de um código discriminatório, o “Zara zerou”, no estabelecimento de Fortaleza, Ceará, para indicar a entrada de negros ou pessoas com “vestimentas simples”. O código foi revelado por um inquérito da Polícia Civil do Ceará (PC-CE). A matéria é do jornal O Povo para a Rede Nordeste.

A assessoria de imprensa da Zara de Fortaleza negou a existência do código e rechaçou qualquer forma de discriminação. Em nota enviada ao jornal O POVO, a empresa destacou não tolerar “nenhum tipo de discriminação” e acrescentou que considera indispensáveis a diversidade, a multiculturalidade e o respeito para o corporativo.

O código “Zara zerou”

O inquérito da PC-CE investiga primordialmente o suposto crime de racismo contra uma delegada negra na loja da Zara de Fortaleza. Conforme explicou o delegado geral Sérgio Pereira, o sistema de alto-falante interno da loja reproduzia a frase “Zara zerou” toda vez que entrava alguém de pele negra ou com roupas consideradas inadequadas.

O delegado explicou que o código funcionava como um alerta para que os funcionários monitorassem ou barrassem a permanência de “clientes indesejados”. “A partir do acionamento do código, a pessoa não seria mais tratada como um cliente, mas sim como alguém nocivo ao atendimento da loja e por isso teria que ser acompanhada de perto pelos funcionários ou até mesmo ser retirada do local de modo discreto”, relatou ele.

“O alvo principal eram pessoas 'mal vestidas', dentro do padrão deles, ou pessoas negras”, complementou Pereira. Também segundo o delegado, a investigação do caso comprovou que a loja instituiu “uma política de atendimento racista, preconceituosa e discriminatória”. Esse teria sido o motivo do barramento da delegada Ana Paula Barroso, em 14 de setembro.

Naquele dia, o acesso de Ana Paula à loja foi proibido “por razões de segurança” pelo gerente Felipe Simões Antônio, 32. O funcionário foi indiciado por crime de racismo, enquanto a Zara justificou a restrição ao fato de a mulher não apresentar uso de máscara de proteção contra a Covid-19 quando tentava entrar na loja. A delegada refutou esse argumento.

“O primeiro ponto que o inquérito esclareceu é que a vítima estava sim fazendo uso de máscara. Ocorre que ela havia baixado o item na altura do queixo apenas por alguns instantes para tomar um sorvete. E a investigação demonstrou que em nenhum momento ele [o gerente] questionou o alimento ou fez qualquer menção relacionada à máscara. O motivo apresentado foi somente questão de segurança”, disse Sérgio Pereira.

Além disso, imagens do circuito interno da loja exibem o mesmo gerente sendo cortês e prestativo a pessoas brancas sem máscara ou com máscara no queixo cerca de 20 minutos antes da chegada de Ana Paula. “Houve um tratamento diferenciado. Dois pesos e duas medidas”, destacou o delegado.

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