CAUSA ANIMAL

Ativistas acionarão Ministério Público contra hospital veterinário

Para eles, há negligência no trato com os animais, mostrando despreparo por parte da unidade

Amanda Rainheri
Amanda Rainheri
Publicado em 16/06/2017 às 8:25
Foto: Guga Matos/ JC Imagem
Para eles, há negligência no trato com os animais, mostrando despreparo por parte da unidade - FOTO: Foto: Guga Matos/ JC Imagem
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Revoltados com o atendimento no recém-inaugurado Hospital Veterinário do Recife (HVR), localizado no bairro do Cordeiro, Zona Oeste da capital, protetores e ativistas da causa animal acionarão o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) na próxima semana, para exigir a regulamentação do serviço oferecido a cães e gatos na unidade. Um protesto também está marcado para acontecer em frente ao equipamento na terça-feira (20).

Entre as queixas estão a dificuldade para agendar consultas, a demora no atendimento, a superlotação e a negligência com os animais. Na última quarta-feira (14), vídeos divulgados nas redes sociais geraram revolta nos internautas. Nas imagens, uma criança aparece chorando a morte de uma cadela que não foi atendida. Um outro vídeo flagrou o momento em que um cão convulsiona em frente ao hospital, que estaria supostamente fechado para o horário de almoço dos funcionários.

O autônomo Ronaldo Santana foi responsável por uma das gravações. Nela, uma fila se forma na porta do HVR, que está com as grades fechadas após as 14h, horário previsto para atendimento. “Fui até a unidade porque passei dois dias tentando marcar uma consulta. Chegando lá, vi vários animais esperando no sol do lado de fora. Ainda na rua, a triagem era feita por um profissional que admitiu não ser veterinário. Como alguém sem especialização pode decidir o que é emergência ou não?”, questionou.

Segundo a Secretaria-Executiva de Defesa Animal (Seda), a unidade funciona com sete veterinários. Uma seleção simplificada será realizada pela Prefeitura do Recife para a contratação de mais 15 profissionais. Para o ativista Douglas Brito, a inauguração do hospital foi precipitada. “Foi uma decisão política. Eles dizem que havia uma demanda reprimida. Se sabiam disso, por que não esperaram mais um mês para abrir a unidade com mais médicos? A prefeitura não se preparou para receber os animais.”

OUTRO LADO

O secretário da pasta, Robson Melo, informou que quatro pessoas realizam a marcação das consultas, mas o número deve ser ampliado. O gestor afirmou ainda que, mesmo funcionando das 8h às 12h e das 14h às 18h, o hospital sempre tem um veterinário para atender emergências. “A maioria dos casos, porém, pode ter atendimento ambulatorial.” Por enquanto, o HVR oferece consultas ambulatoriais e de emergência, além de cirurgias. “Para esses serviços o efetivo basta”, garantiu o secretário.

Caso as denúncias sejam confirmadas, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para regularizar o atendimento será firmado, de acordo com o promotor de Meio Ambiente do MPPE, Ricardo Coelho.

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