CHUVA

Moradores culpam obra em Olinda por alagamento de ruas

A inundação prejudica trechos dos bairros de Jardim Fragoso, Jardim Atlântico e Casa Caiada

Da Editoria Cidades
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Publicado em 01/07/2015 às 8:08
Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
A inundação prejudica trechos dos bairros de Jardim Fragoso, Jardim Atlântico e Casa Caiada - FOTO: Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
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Moradores de Olinda estão passando por maus bocados com a obra de alargamento da calha do Rio Fragoso, que se arrasta desde março de 2013. “O serviço não anda, o rio transborda todas as vezes que chove, a água não tem para onde correr e invade as casas”, resume Maria José Leandro de Barros, residente em Jardim Atlântico. A mesma situação se repete em Jardim Fragoso e Casa Caiada.

Segundo ela, trechos dos três bairros ficaram ilhados com as precipitações registradas nos últimos dias 23 e 28 de junho. “Não tinha como passar um carro. Para piorar, as ruas continuam empoçadas por três dias, mesmo quando para de chover”, relata Maria José, mostrando a marca deixada pela água no andar térreo da casa dela, alcançando um metro de altura.

Nessa terça-feira (30), sem chuva em Olinda, havia áreas inundadas na Avenida Pedro Álvares Cabral, Rua Riachuelo (Jardim Atlântico), Avenida Coronel João Melo de Moraes, Rua José Alexandre de Carvalho e Rua Princesa Isabel (Jardim Fragoso). “A situação é mais grave se coincidir chuva e maré alta, com essa obra praticamente parada”, diz o autônomo Wallace da Silva, morador de Jardim Fragoso.

“O bairro sempre alagou no inverno, mas não era dessa forma. Isso começou depois da obra. Ontem (segunda-feira, 29), a gente nadou na pista”, comenta Wallace ao descrever como ficou a Avenida Coronel João Melo de Moraes. “Os carros grandes que enfrentavam a rua assim mesmo, jogavam água como onda dentro das casas”, acrescenta Rosália Maria da Silva.

Além de ter as residências inundadas, as famílias ainda se deparam com animais dentro d’água, como tartarugas, jacarés e cobras. “Eu fico de botas dentro de casa, com medo de bichos”, diz Rosália. “Para fazer a obra, derrubaram imóveis da beira do rio, mas parece que isso só fez aumentar mais ainda a quantidade de água nas ruas nos dias de chuva”, observa.

A obra citada por moradores – urbanização da bacia do rio e construção da Via Metropolitana Norte – é executada pela Secretaria de Habitação do Estado de Pernambuco. Prevê alargamento, aprofundamento e revestimento da calha do rio, construção de 18 pontes e um viaduto e implantação de vias marginais com 6,1 quilômetros de extensão.

MÁQUINA

O serviço custa R$ 295 milhões e está previsto para terminar no fim de 2017. Na avaliação da secretaria, os alagamentos foram provocados pela quantidade elevada de chuva e não por obstrução resultante da obra. O novo corredor viário ligará a PE-15 à PE-01. Manoel Sátiro, secretário de Serviços Públicos de Olinda, disse que prefeitura enviou uma máquina para tirar entulhos do rio, ontem.

“É uma forma de fazer a água escoar e diminuir o sofrimento dos moradores”, explica o secretário. “A população está enfrentando o transtorno da obra. Mas essa intervenção vai diminuir bastante o alagamentos na região, depois de pronta. Nos Bultrins, onde parte do trabalho está feito, a água escoou sem demora.”

Comerciante em Jardim Fragoso, José Ferreira disse que a população convive com alagamentos há anos. “Nunca mudou, por mais que se façam serviços. Talvez melhore agora. Antes dessa obra, a gente ficava um dia com as vias alagadas, quando chovia. Agora, as ruas permanecem inundadas por três dias”, observa.

Sobre o lixo acumulado nas margens do rio, ele afirma que a responsabilidade é divida entre moradores e prefeitura. Maria José Leandro, de Jardim Atlântico, disse que a casa dela será demolida para a obra, mas até agora não recebeu o valor da indenização.

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