SAÚDE

Bebê abandonado em esgoto nos Torrões recebe alta

O abrigo para onde o recém-nascido deverá ser encaminhado ainda não foi definido

JC Online
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Publicado em 29/08/2017 às 14:25
Foto: JC Imagem
O abrigo para onde o recém-nascido deverá ser encaminhado ainda não foi definido - FOTO: Foto: JC Imagem
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O bebê que foi abandonado em um canal nos Torrões, comunidade da Roda de Fogo, na Zona Oeste do Recife, no último dia 24, recebeu alta na manhã desta terça-feira (29), mas só sairá da unidade de saúde na quarta-feira (30) às 11h. O recém-nascido está no Hospital Barão de Lucena, no bairro da Iputinga, também Zona Oeste, e de acordo com o conselho tutelar, o abrigo para onde a criança vai ainda deverá ser definido.

O conselho tutelar ainda informou que nenhum dos familiares da criança foi localizado. O bebê que foi encontrado ainda com o cordão umbilical por policiais militares, nasceu com 49º centímetros e 2,675 kg de uma gestação regular. Ele recebeu o nome provisório de José Fernando.

Adoção

O cabo da Polícia Militar José Fernandes Domingues, que resgatou a criança naquela noite, comovido com a situação, despertou interesse em em adotá-la. "Se a interpretação do juiz for para que eu não adote a criança, não tem problema. Vou me cadastrar na fila para pelo menos ser o padrinho dele", contou o PM em entrevista à Rádio Jornal na semana em que o bebê foi resgatado.

Em entrevista ao Jornal do Commercio, a juíza Cristiana Caribé, titular da Vara da Infância e da Juventude de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, explicou que as primeiras providências antes de colocar o bebê para adoção é tentar localizar os pais e, ainda, parentes da criança.

“Muitas vezes, casos de abandono como esse são provocados por gestantes que não receberam a atenção devida durante a gravidez, que não têm o apoio do companheiro, por exemplo, e que podem se arrepender do que fizeram. Muitas, às vezes, vivem a depressão pós-parto. É preciso entender que o amor materno não é algo intrínseco à mulher”, afirmou.

"Temos que tentar localizar parentes que podem estar interessados em assumir a criação”, ponderou. Um programa de apoio às mulheres que não pretendem assumir a criação do seu filho, tem a proposta de amparar quem não têm o apoio nem o direcionamento da família. O Programa Acolher está presente em muitas comarcas judiciais do Estado.

Investigação

A Polícia Civil instaurou inquérito policial para investigar o caso na quinta-feira (24). O crime é considerado abandono de incapaz. O início das investigações ficaram sob responsabilidade da delegada Carmen Lúcia, titular da Várzea, mas foi encaminhado para o Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA) e agora está sob o comando da delegada Lúcia de Fátima.
O procedimento na Justiça sobre a adoção corre em paralelo e independentemente da investigação criminal.

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