Cabo de Santo Agostinho

Socioeducandos usam arte de Romero Britto para humanizar espaços

Recuperando Vidas e Espaços é desenvolvido no Case Cabo de Santo Agostinho

Isabela Veríssimo
Isabela Veríssimo
Publicado em 12/03/2018 às 15:16
Foto: Divulgação/Funase
“Recuperando Vidas e Espaços” é desenvolvido no Case Cabo de Santo Agostinho - Foto: Divulgação/Funase
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Os muros do Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) Cabo de Santo Agostinho, unidade da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase), estão ganhando outras cores e significados por meio do projeto “Recuperando Vidas e Espaços”. Através da arte pop pernambucana de Romero Britto, conhecida pelas cores vibrantes e composições ousadas, estudantes do anexo da Escola Estadual Luísa Guerra, instalado dentro da unidade, vem transformando os ambientes, desenvolvendo técnicas de pintura e desenho.

O objetivo do projeto é valorizar a expressão singular do aluno, desenvolvendo a percepção visual e imaginação criadora. O trabalho começou com oficinas culturais, que tem como proposta político-pedagógica assegurar o direito à educação e à cultura, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). As atividades começaram no ano passado, dentro da sala de aula, onde os alunos conheceram a arte literária, as obras de Romero Britto e sua história de vida. Antes de se aventurarem nos muros, treinaram técnicas de desenho e pintura no papel, usando lápis de cor e de cera.

Mãos à obra

Nessa primeira etapa os alunos coloriram o muro localizado de frente ao anexo escolar, e continuam buscando outras telas nos espaços da unidade. A segunda etapa deve ter início no segundo semestre, que vai levar cores às salas de aula. “Esse projeto tem trazido motivação aos adolescentes. Através do lúdico, conseguimos humanizar os espaços e recuperar vidas. É uma atividade terapêutica, estimulante e educativa, traz os adolescentes para a escola”, compartilhou a professora de Língua Portuguesa, Artes e Inglês, responsável pelo projeto, Marlene Francisca.

Os alunos trabalham com as cores primárias e suas misturas, contorno e desenho, texto, imagem e coordenação motora. Não só a arte se faz presente, a matemática também, com os conceitos de altura, medida e formas geométricas. Ao lado da escola, na execução desse trabalho, têm os oficineiros. Alunos que mostram mais desenvoltura para o desenho e acabam
ajudando os demais.

Um dos mais envolvidos nessa missão de transformar os espaços é o adolescente F.H.A.S. de 20 anos. Ele já tem experiência com desenhos paisagens em telhas, que envernizava para vender, além de pintura em painéis. “Com essa atividade agora eu abri minha mente para mais essa arte. Será algo que eu vou levar comigo. Faço com prazer. Já me acordo para desenhar e incentivo os outros a fazer também”, disse.

O impacto da arte

Segundo a gerente do Case Cabo, Tatiane Moraes, ao desenvolver o projeto, a pessoa privada de liberdade exerce também a sua cidadania e reencontra sua dignidade, além de obter o aprendizado que promove uma positiva mudança de comportamento. “As obras são variadas. Algumas apresentam traços mais infantis e amadores, enquanto outras parecem ter sido feitas por profissionais. A oficina de desenho e pintura era um anseio dos próprios internos que desenhavam nas paredes dos quartos, e com o curso poderão ter acesso a técnicas, na maioria das vezes, reservadas a um grupo minoritário”, destacou.

A previsão é que o projeto passe a contemplar obras de outros artistas pernambucanos e também se espalhe por toda a unidade. Os socioeducandos participantes receberão certificados de pintor de parede, pedreiro e grafiteiro.

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