Saúde

Toxina ou vírus está por trás de doença que deixa urina escura

Especialistas estudam hipóteses para explicar causa de doença misteriosa

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 18/01/2017 às 8:02
Paulo Pinto/Estadão Conteúdo
Especialistas estudam hipóteses para explicar causa de doença misteriosa - FOTO: Paulo Pinto/Estadão Conteúdo
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Vírus ou intoxicação são as principais hipóteses levantadas por especialistas para explicar as dores musculares intensas e súbitas identificadas em pacientes da Bahia e do Ceará. Os casos também intrigam pela urina escura. “Se for um vírus, ele certamente seria novo no Brasil e teria entrado (no País) como o zika; alguém teria trazido o vírus de fora. Hoje há muita mobilidade. E há o Parechovírus, que já provocou surto na Dinamarca e no Japão. As pessoas, a toda hora, estão viajando e podem ter trazido o vírus para cá também”, destaca o infectologista da Bahia Antônio Carlos Bandeira, coordenador do Comitê de Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Foi ele quem (também) atendeu, no País, os primeiros pacientes com sinais do zika em 2015, quando ainda era um agente desconhecido em território brasileiro. Em dezembro de 2016, ele alertou as autoridades da Bahia sobre os casos que levantaram suspeita de uma mialgia (dor muscular forte) misteriosa. “Vimos uma família de quatro pessoas em Salvador; todas acometidas com o mesmo sintoma: começaram com fortes dores no pescoço. É como se o indivíduo tivesse carregado muito peso e corrido bastante”, relata Antônio.

O infectologista relata que amostras (como fezes e urina) dos pacientes foram encaminhadas ao laboratório do virologista Gubio Soares, da Universidade Federal de Bahia. “Ele tem encontrado alguns vírus. Ainda se aguarda identificação. Trabalhamos com duas hipóteses: quadro viral ou contaminação através de uma toxina pelos peixes.” Amostras do alimento in natura seguiram para o Instituto Adolfo Lutz (São Paulo) para investigação de metais pesados. “Ambas as situações (vírus e toxina) podem evoluir para quadros de mialgias agudas. Uma delas é a epidêmica, causada por Enterovírus e Parechovírus; a outra é a síndrome de Haff, que também é uma mialgia aguda, mas causada por toxina.”

LESÃO DO MÚSCULO

Outro detalhe comum entre os doentes é o aumento dos níveis de uma enzima (CPK, sigla para creatinofosfoquinase), o que sugere uma lesão aguda na musculatura. “O valor de referência da CPK é 170. Nesses pacientes, ficou entre 10 mil e 113 mil”, informa Antônio. O infectologista acrescenta que o quadro, apesar de intenso, dura poucos dias na maioria dos casos. “Geralmente, em três ou quatro dias (após o início dos sintomas), o paciente fica bem. Mas, por ter o pigmento que está no músculo (chamado mioglobina, que causa a urina escura e é tóxico para os rins), o paciente pode ter insuficiência renal”, alerta o médico. Complicações como essa tendem a ser mais comuns em idosos e pessoas com doenças associadas, como diabetes e cardiopatia.

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