Disputa

Direita com vantagem sobre esquerda nas legislativas de El Salvador

Com 80,3% das urnas apuradas, a Aliança Republicana Nacionalista (Arena) somava 696.698 votos contra 405.628 da esquerdista Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN)

Jennifer Thalis
Jennifer Thalis
Publicado em 05/03/2018 às 23:28
Foto: AFP
Com 80,3% das urnas apuradas, a Aliança Republicana Nacionalista (Arena) somava 696.698 votos contra 405.628 da esquerdista Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN) - FOTO: Foto: AFP
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O partido de direita Arena se consolidava nesta segunda-feira (5) como a maior força parlamentar em El Salvador na apuração preliminar das eleições legislativas e municipais de domingo. 

Com 80,3% das urnas apuradas, a Aliança Republicana Nacionalista (Arena) somava 696.698 votos contra 405.628 da esquerdista Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN), do presidente Salvador Sánchez Cerén, informou o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE).

Em terceiro lugar aparece a direitista Grande Aliança pela Unidade (GANA), com 195.627 votos, seguida do Partido de Conciliação Nacional (PCN), em quarto lugar com 185.608, e em quinto o centrista Partido Democrata (PDC), com 51.323 votos.

O TSE não apresentou dados percentuais dos votos por conta da complexidade do sistema de eleição legislativa de El Salvador, que permite votar por listas partidárias, candidatos individuais, ou alianças de partidos.

Vitória

O Arena começou a comemorar sua vitória, que incluiu a disputa municipal, ao recuperar a Prefeitura da capital, San Salvador, com seu candidato Ernesto Muyshondt, que venceu Jackeline Rivera, do FMLN.

"Vamos colocar a Prefeitura de San Salvador a serviço das pessoas e vamos fazer obras que permitam a transformação de San Salvador", declarou Muyshondt durante um ato de comemoração na sede de seu partido.

O primeiro a reagir do FMLN foi o secretário de Comunicações da Presidência, Eugenio Chicas, que antecipou "uma reflexão detida" para determinar "no que falhamos com as pessoas".

Segundo analistas, os resultados podem dificultar a governabilidade para o presidente Salvador Sánchez Cerén em seu último ano de mandato, que acaba em junho de 2019.

Se ao final da apuração a esquerda "tiver 28 ou menos (deputados) o cenário para o FMLN será complicadíssimo" em virtude do que estaria fora das discussões que requerem maioria qualificada", antecipou o cientista político Alvaro Artiga.

No atual Congresso, o Arena tem 35 deputados, o FMLN 31 e outros três partidos minoritários somam 18, pelo qual o governo teve que negociar para chegar a acordos, inclusive sendo bloqueado em algumas ocasiões.

No entanto, a organização americana de análise de risco Eurasia Group advertiu que o resultado terá implicações para a governabilidade do Executivo que for assumir após as presidenciais de 2019, diante da perda de terreno do FMLN e do avanço do Arena no Congresso.

A Eurasia Group indicou que no caso de um candidato do Arena ser o vencedor, esse partido teria controle da Presidência e do Congresso, algo que não acontece desde o fim a guerra civil, em 1992.

Mas a governabilidade não é a única coisa em jogo para o Executivo: também é vital o apoio do Congresso a leis para o combate à violência criminosa, em um país que em 2017 registrou uma taxa de 60 homicídios a cada 100 mil habitantes, uma das mais altas do mundo.

Embora as mortes violentas tenham diminuído de 103 homicídios a cada 100 mil habitantes em 2015, El Salvador ainda figura como uma das nações se guerra mais violentas do mundo.

O analista e advogado Felix Ulloa lembrou que a violência criminal é um dos principais problemas para os salvadorenhos e, por isso, o tema é e continuará sendo usado pela oposição.

"O governo não somente deve oferecer repressão como solução, deve apostar na prevenção, criação de oportunidades para os jovens em zonas de risco", indicou Ulloa.

Cerca de 5,1 milhões de cidadãos foram convocados a votar, mas o juiz do TSE Arturo Argüello reconheceu que houve um baixo comparecimento de eleitores, embora tenha esclarecido que é uma situação "normal" em legislativas e municipais, que nunca ultrapassaram 50%.

Nessa votação são disputadas 84 cadeiras do Congresso unicameral e os cargos de prefeitos e vereadores dos 262 municípios do país.

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