expulsão do PDT

Cadoca afirma que não tem o que responder a Lupi

Deputado federal pernambucano disse que ficou sabendo da sua expulsão do PDT pela imprensa

Mariana Araújo
Mariana Araújo
Publicado em 28/04/2017 às 6:15
Foto: JC Imagem
Deputado federal pernambucano disse que ficou sabendo da sua expulsão do PDT pela imprensa - FOTO: Foto: JC Imagem
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A votação da reforma trabalhista na Câmara dos Deputados fez a sua primeira “vítima”. O deputado Carlos Eduardo Cadoca (sem partido) foi expulso do PDT porque foi contrário à orientação do partido. A sigla orientou que seus parlamentares fossem contrários à reforma, porém Cadoca votou pelo sim, favorecendo o governo de Michel Temer (PMDB). A lealdade ao governo lhe rendeu uma ligação de Temer, no início da tarde de ontem, agradecendo o apoio. O parlamentar afirmou que ainda não sabe para qual legenda migrará.

Cadoca disse que ficou sabendo da sua expulsão do partido pela imprensa. O parlamentar afirmou que não recebeu nenhuma ligação do presidente do PDT, Carlos Lupi. “Fiquei surpreso. Quando entrei no partido, sabiam que eu era governo Temer e o partido tinha um posicionamento de independência e não de oposição radical, fechada e intrasigente, como faz hoje. Eles sabiam. O meu líder (Weverton Rocha) sabia que não contava com meu voto”, declarou. Na nota em que comunicou a expulsão de Cadoca, Lupi informou que “a medida vai ao encontro de decisão tomada na última Convenção Nacional do PDT, em 17 de março, onde o Diretório Nacional fechou questão contrária às reformas do atual governo” e que “O PDT tem suas raízes históricas e lutas sempre em favor do trabalhador brasileiro”.

O parlamentar pernambucano afirmou, ainda, que não pretende responder ao PDT sobre sua expulsão. “Vou conversar o que? O partido emite uma nota sem nenhuma palavra prévia. Eu vou dizer o que a ele? Respondi na nota com uma cacetada”, disparou. Em uma nota emitida na manhã de ontem, Cadoca afirmou que “não recebo lição ética nem moral de uma figura como Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, que foi demitido do Governo Dilma acusado de corrupção”.

COMUNICADO

Depois que Cadoca chegou ao Recife, recebeu um comunicado da legenda solicitando que ele apresentasse as suas razões. “Não tenho mais razão nenhuma para apresentar. Fui sumariamente excluído do partido, o que é que eu vou dizer? O cara é o presidente, que tem o poder de dizer que pode fazer ad referedum todas as instâncias partidárias. São 20 deputados, ninguém foi ouvido. Não tenho mais nada a dizer ele. Tenho aos meus colegas de bancada, que estão me ligando”, acrescentou.

Sobre uma nova legenda, Cadoca afirmou que ainda não tem previsão para qual partido migrará. A tendência é que fique sem partido por algum tempo. “Não pensei nisso agora e nem acho que é hora para pensar. Vou deixar esfriar, dar um tempo. Como já fiquei sem partido, tenho essa experiência, acho que vou ficar um tempo. As coisas estão muito confusas. Tem a reforma política. Vou continuar apoiando o governo”, disse.

Um dos destinos mais prováveis de Cadoca pode ser o PMDB, onde passou mais de 30 anos e saiu por divergências internas em Pernambuco, mas que mantém um bom relacionamento com integrantes nacionais da legenda. “Vou continuar apoiando o governo”, garantiu.

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