Crise na segurança

Juiz defende ação de inteligência nacional contra o crime organizado

Adeíldo Nunes, que atuou por 15 anos na Vara de Execuções Penais do Recife, diz que União precisa coordenar ações

Editoria de Política
Editoria de Política
Publicado em 22/02/2017 às 6:22
JC Imagem
Adeíldo Nunes, que atuou por 15 anos na Vara de Execuções Penais do Recife, diz que União precisa coordenar ações - FOTO: JC Imagem
Leitura:

O juiz aposentado Adeíldo Nunes, que atuou por 15 anos na Vara de Execuções Penais do Recife, acredita que a ação do crime organizado, como possivelmente ocorreu na Avenida Recife, na madrugada desta terça-feira (21/02), é algo esperado em qualquer lugar do País. “Esses grupos vêm cada vez mais se organizando e não há uma ação de governo”, diz. Para ele, cabe ao governo federal chamar para si o comando de uma política articulada de inteligência. 

“Tem que ser uma investigação nacional. O crime está cada vez mais forte. Deveria ser uma tarefa da União, organizada em Brasília, com a participação dos Estados. Ninguém tem informação concreta para saber quem é o crime organizado no Brasil, nem como se formou. Também não é novidade rebelião em presídio, matando 50. O crime organizado é organizado mesmo. O Estado é desorganizado. Não tem planejamento a médio e longo prazos”, avalia. Para o juiz, enquanto as organizações criminosas planejam bem suas ações, os governos continuam inoperantes, “com a boca aberta esperando a morte chegar”. 

Criminalidade não se resolve só com repressão

Para Nunes, há uma omissão grande dos Estados, da União e dos municípios. “Ao lado da segurança pública é essencial um plano nacional do sistema penitenciário, para dotar as prisões de escolas. Vejo muita irresponsabilidade do Estado com o sistema penitenciário. Queremos resolver tudo com prisão, quando 70% a 80% dos que deixam as unidades voltam a cometer  crimes. Quando saem das penitenciárias também não têm escola, trabalho, saúde nem moradia".O juiz reconhece que o Pacto pela Vida, lançado no governo Eduardo Campos (PSB), era um programa para a redução da criminalidade. “Em determinado momento foi bom. O grande problema é que não se resolve a criminalidade só com repressão. Não adianta o Pacto prender gente e as pessoas saírem da prisão começando tudo de novo. O Pacto está superado”, comentou. 

 

 

O jornalismo profissional precisa do seu suporte. Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Últimas notícias