Saneamento

Miguel Coelho diz que vai tirar da Compesa a gestão de água e esgoto de Petrolina

Municipalização do setor é debatida desde o primeiro mandato de FBC como prefeito de Petrolina. Desavenças do prefeito dentro do PSB podem justificar retomada do projeto

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 16/01/2018 às 0:40
Foto: Fernando da Hora/Acervo JC Imagem
Municipalização do setor é debatida desde o primeiro mandato de FBC como prefeito de Petrolina. Desavenças do prefeito dentro do PSB podem justificar retomada do projeto - FOTO: Foto: Fernando da Hora/Acervo JC Imagem
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A desavença entre o grupo político do senador Fernando Bezerra Coelho (PMDB) e o governador Paulo Câmara (PSB) acaba de ganhar um novo capítulo. O prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (PSB), filho de FBC, informou que pretende tirar da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) a gestão das redes de água e esgoto do município, passando para outra empresa o gerenciamento do setor. Na última semana, foi lançado um edital convocando instituições públicas e privadas a realizarem estudos sobre o abastecimento e saneamento na cidade sertaneja. A notícia foi publicada ontem pelo Blog do Jamildo.

“Hoje Petrolina paga uma tarifa cara para a Compesa e a empresa não consegue abastecer de água essas casas. Se você verificar os relatos dos moradores, vai ver que no último mês houve registro de bairros que ficaram mais de 20 dias sem água”, afirmou Miguel. Segundo o prefeito, atualmente cerca de 60% dos domicílios da cidade possuem acesso à rede de esgoto e 90% têm água encanada.

Apesar de não se tratar de um tema novo – pois a municipalização do setor é debatida desde o primeiro mandato de FBC como prefeito de Petrolina, entre 2001 e 2004 –, Roberto Tavares, presidente da Compesa, disse ter recebido com “surpresa” a notícia da iniciativa de Miguel Coelho. De acordo com o gestor, a movimentação do socialista é uma tentativa de privatizar o serviço na cidade e um ataque direto ao subsídio cruzado, mecanismo que permite que a estatal utilize os recursos que arrecada em Petrolina em outros municípios da região.

“O subsídio cruzado permite que cobremos a mesma tarifa de Petrolina a Araripina, que fica muito mais distante do rio (São Francisco). Se fôssemos cobrar pelo custo, a água em Araripina seria mais cara. Sem o subsídio, será feita distinção entre quem mora perto do rio e quem mora longe. Isso separa o município rico do pobre, o filé do osso, na intenção de passar os setores mais rentáveis para a iniciativa privada”, avaliou.

Miguel Coelho rebateu as críticas dizendo que só depois que a prefeitura receber todos os estudos de viabilidade, em maio, é que será definido o modelo de licitação que será executado. O prefeito, contudo, não descartou a privatização. “A Compesa foi a primeira empresa a fazer uma Parceria Público-Privada de água e esgoto em Pernambuco. Se ela mesmo já fez isso, não pode reclamar. Eu sou prefeito de Petrolina e ele presidente da Compesa, então eu tenho que defender os interesses de Petrolina e ele os da Compesa”, cravou.

Reunião

Tavares e Miguel têm uma reunião agendada no próximo dia 25 de janeiro. De acordo com o presidente da Compesa, nenhuma atitude será tomada pela estatal até que o encontro ocorra.

Questionado sobre o imbróglio após o lançamento do Campeonato Pernambucano de Futebol, ontem à noite, Paulo Câmara limitou-se a dizer que existe um contrato entre a Compesa e o município e que “respeita o que está pactuado”.

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