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Segundo pesquisa, mulheres ganham 22% a menos que homens. A falta de oportunidades e a jornada dupla ainda são desafios a serem vencidos por elas

Pesquisa também mostra que mulheres gastam 95% mais tempo do que os homens nos afazeres domésticos

Felippe Pessoa
Felippe Pessoa
Publicado em 26/10/2020 às 6:20
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Pesquisa revela que mulheres ganham 22% a menos que homens - FOTO: PIXABAY
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O Dieese divulgou uma pesquisa referente ao último trimestre de 2019, que mostra uma diferença de 22% entre os salários de homens e mulheres, considerando o trabalho formal e o informal. Enquanto os homens ganham, em média, R$2.495, as mulheres recebem R$1.958. Se considerarmos trabalhadores com ensino superior, a diferença chega a 38% - homens com remuneração média de R$6.292 e mulheres de R$3.876.

O problema é estrutural. No início do século XX, as convenções ditavam que o marido era o provedor do lar. A mulher não precisava e não deveria ganhar dinheiro; as que trabalhavam eram mal vistas pela sociedade. Mas com a Primeira e a Segunda Guerra, os homens se afastaram de casa e muitas mulheres precisaram cuidar dos negócios da família. Com a Revolução Industrial o cenário muda ainda mais e começa a introdução da mulher no mercado de trabalho, quase sempre com remunerações mais baixas que os homens, mesmo para atividades semelhantes, e jornadas de 12, 14 horas de trabalho em condições precárias. Ou seja, o machismo como barreira na inserção e crescimento da mulher no mercado.

Ainda de acordo com a pesquisa as mulheres gastam 95% mais tempo do que os homens nos afazeres domésticos. O equilíbrio entre as atividades domésticas e o trabalho fora de casa ainda é um desafio para elas. E com isso, a maioria dos homens não precisam lidar.

Algumas atividades sofrem dificuldades ainda maiores. De acordo com o site americano Glassdoor, as programadoras e dentistas chegam a ganhar 28% a menos que os homens e as pilotos de avião 16% menos que os pilotos homens.

Mas quais são os principais desafios e o que fazer para combater essa discrepância? Abaixo, uma lista do que enfrentar e o que fazer para mitigar essas diferenças.

Diferenças salariais

A luta não é de hoje. Apesar da tendência ser de diminuição da diferença salarial, ainda há muito a ser feito. Em cargos gerenciais, por exemplo, a diferença chega a 40%. Algumas empresas de grande porte já adotam políticas de isonomia salarial, mas essa não é a realidade da maioria.

Em 2019, o Senado aprovou um projeto de Lei que prevê multa para empresas que praticam discriminação por sexo, idade, cor ou situação familiar como variável determinante para fins de remuneração, formação profissional e oportunidades de ascensão profissional.

Tomara que o projeto vire lei e puna de fato as empresas que praticam discriminação salarial. Seria um importante artifício para combater essa diferença.

Falta de oportunidades

Apesar de terem maior escolaridade, as mulheres enfrentam mais desafios no crescimento na empresa. Ou seja, elas estudam mais, ganham menos e ainda têm maiores dificuldades de crescer.

Historicamente, as mulheres atuam em posições mais operacionais – um exemplo claro são as empregadas domésticas. Os estereótipos vêm sendo quebrados, mas não mudam da noite do dia.

Os cargos de liderança ainda são predominantemente masculinos; mulheres na liderança ainda não é tão comum como poderia ser, principalmente em áreas como tecnologia, engenharia e informática.
O tempo, o conhecimento e a luta por espaço são as melhores armas para combater essa diferença.

Jornada dupla

Gravidez. Filhos. Afazeres domésticos. Esses são apenas alguns exemplos da dupla jornada feminina. Apesar do avanço na mentalidade da sociedade, ainda são elas que ficam a frente das atividades além do trabalho formal.

Assédio

De acordo com pesquisa do LinkedIn com a consultoria de inovação social Think Eva, uma em cada duas mulheres já sofreu assédio no ambiente de trabalho. As negras, pardas e de baixa renda são as principais vítimas.

Parece mentira, mas o assédio moral e sexual era, até pouco tempo, naturalizado no ambiente de trabalho. E o medo de perder o emprego fazia com que muitas deixassem passar, não denunciando o agressor. De acordo com a pesquisa, apenas 5% dos casos são denunciados ao RH da empresa.

As consequências são claras: perda de autoconfiança, menor performance no trabalho e sentimento de insegurança.

Combater diferenças históricas, arraigadas na sociedade é um desafio e tanto. A luta das mulheres por igualdade passa por diversos aspectos e o ambiente de trabalho não podia ser diferente. Mas a conquista por espaço passa por qualificação. Ainda que leve tempo, o conhecimento é a principal arma para as mulheres conquistarem seu espaço. Por isso, estude, continue investindo em você que o retorno vem.

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