OPINIÃO

Com recorde histórico em 2020, taxa de desemprego continua afetando mais negros, mulheres e nordestinos

As informações são de um levantamento realizado por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Observatório das Metrópoles e Observatório da Dívida Social na América Latina (RedODSAL)

Felippe Pessoa
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Felippe Pessoa
Publicado em 09/11/2020 às 6:10 | Atualizado em 09/11/2020 às 7:45
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NÚMEROS Dados do IBGE revelam que o Brasil registrou 13,5 milhões de desempregados entre os julho e setembro - FOTO: DIVULGAÇÃO
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A notícia não é de hoje, mas as consequências são: a taxa de desocupação no Brasil atingiu seu recorde histórico em 2020. Para se ter ideia, em maio, menos da metade da população ativa estava trabalhando. E não tinha como evitar a recessão econômica, o desemprego e a desigualdade de renda provocados por uma sociedade economicamente inativa.

Historicamente, os que mais sofrem preconceitos - negros, mulheres e nordestinos - foram também os que mais sofreram com a falta de trabalho. A dificuldade desse grupo de profissionais no mercado já é natural e o golpe para ele se deu por motivos diversos. Os negros atuam de maneira informal, em sua maioria, consequência clara da falta de qualificação. Já as mulheres trabalham majoritariamente em setores muito prejudicados pela pandemia como o comércio, por exemplo. E se falarmos das mulheres negras então, o baque foi ainda maior. A qualificação e a informalidade também foram cruciais para aumentar as taxas de desemprego nos mercados do Norte e Nordeste.

As informações são de um levantamento realizado por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Observatório das Metrópoles e Observatório da Dívida Social na América Latina (RedODSAL). De acordo com o boletim “Desigualdade nas Metrópoles” todos sentiram seus rendimentos caírem, pobres e ricos. O boletim destaca que quando uma pessoa perder o emprego, afeta várias outras que compõem a família em efeito dominó. Além disso, as possibilidades de redução de carga e remuneração defendidas pelo governo, fez com que a renda média da população caísse.

Nas 22 regiões metropolitanas pesquisadas, os 40% mais pobres perderam 32,1% da renda, os 50% intermediários perderam 5,6% e os 10% mais ricos perderam 3,2%. No Recife, por exemplo, a renda da camada mais pobre da sociedade caiu 43,4%.

Em contrapartida, os ricos ficaram ainda mais ricos em 9 regiões pesquisadas como Rio de Janeiro, Manaus e Florianópolis. Uma explicação pode ser as oportunidades de investir em novos negócios para aqueles que têm lastro. Nesse caso, o ditado “Em toda crise há oportunidades” é bastante oportuno. Já os ricos das grandes cidades do Nordeste como Salvador, Fortaleza e Recife não tiveram a mesma sorte e viram sua renda cair em até 18%.

Para os pesquisadores, 2021 será um ano importante para a retomada da economia do país. E, para isso, o governo deve intervir incentivando a geração de empregos, a manutenção do auxílio desemprego e a assistência social robusta como ferramentas para diminuir a desigualdade acentuada pela pandemia.

Por fim, pode-se dizer que a pandemia não teve consequências negativas apenas na economia e no mercado de trabalho. A desigualdade social foi diretamente afetada e é necessário que sociedade, empresariado e Estado se unam para traçar um plano robusto de retomada.

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