Coluna Cena Política

Bolsonaro, o coronavírus e a liderança sem rumo

Só existe uma coisa pior do que o vácuo completo de liderança numa chefia de Estado: a liderança sem rumo.

Igor Maciel
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Igor Maciel
Publicado em 25/03/2020 às 9:19 | Atualizado em 25/03/2020 às 9:30
SERGIO LIMA/AFP
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) - FOTO: SERGIO LIMA/AFP
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Esta coluna estava pronta, ontem, no início da noite. O texto que ocupava este espaço antes elogiava o presidente Bolsonaro, dizia que ele, finalmente, estava dando a seriedade necessária à crise, liberando verbas e evitando brigas com os governadores.

Às 20h32, após 120 segundos do pronunciamento de Bolsonaro, em rede nacional de rádio e TV, toda a coluna precisou ser modificada. Em apenas 120 segundos foi possível perceber que, conforme disse a nota da presidência do Senado logo depois, o Brasil precisa de um líder sério, responsável e comprometido com a vida da população.

Precisa mesmo. Mas está difícil encontrá-lo sentado na cadeira onde deveria estar.

 

Em seu lugar, apresenta-se um homem cuja instabilidade compromete o funcionamento do País e, mais que nunca, a saúde das pessoas que vivem aqui. Um homem cujos pensamentos, palavras e ações causam mais raiva e dúvida do que discernimento e certeza. Um homem inapto para a liderança e mergulhado em convicções desagregadoras e egoístas.

Só existe uma coisa pior do que o vácuo completo de liderança numa chefia de Estado: a liderança sem rumo.

E nós, infelizmente, a temos.

Bênção aos que pouco têm dormido

Em carta conjunta, secretários de Saúde do Nordeste se disseram estarrecidos com as palavras de Jair Bolsonaro. Declararam que não têm interesse de politizar a crise do coronavírus e finalizaram o texto pedindo: “Que Deus abençoe cada um de nós que pouco temos dormido. Que Deus nos abençoe”.

Trend

Rapidamente, a expressão “ForaBolsonaro” foi parar na primeira posição do Twitter e ficou lá por bastante tempo. Parlamentares, alguns até aliados, postaram mensagens que iam da perplexidade até a revolta.

Impeachment

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM) fez uma declaração morna. Pediu “sensatez, equilíbrio e união”. Usuários das redes sociais aproveitaram para pedir que ele, Maia, tomasse o “rumo do impeachment”.

Esticando para inflamar seguidores

Estratégia de discurso de Bolsonaro é usada em guerras: fingir que se rendeu por uns dias e depois pegar de surpresa. Nos bastidores, parlamentares acham que ele, agora, está forçando o confronto e espera um processo de impeachment para tentar “renascer”.

Jair o chama de “meu Pitbull”

Outra informação é que o discurso do presidente teria sido escrito com a colaboração do filho “zero dois”, Carlos Bolsonaro.

Bolsonaro não aceita autonomia

O estopim da radicalização teria sido a decisão, do STF, de liberar Estados e municípios a controlar fronteiras, estradas e aeroportos.

Balanço do...

A Olimpíada foi adiada, campeonatos de futebol estão suspensos no mundo todo, shows foram adiados, a Europa fechou todas as fronteiras, a Inglaterra fechou as fronteiras, a OMS acredita que os EUA se aproximam de uma tragédia.

... Mundo

Até ontem, 12 mil pessoas já tinham morrido por causa do coronavírus. A tendência é que o número aumente muito até que o pesadelo acabe. Somente Bolsonaro acredita que todos estão enganados. Fiquem em casa.

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